Copel vende todas as ações que tinha da Sanepar

Narley Resende


A Companhia Paranaense de Energia, a Copel, informou nesta quarta-feira (13) que vendeu todas as ações que tinha da Companhia de Saneamento do Paraná, a Sanepar. Foram negociadas na Bolsa de Valores ações que representaram o equivalente a R$ 489,1 milhões. Assinado pelo diretor de finanças, Adriano Rudek de Moura, o informativo da venda das ações foi publicado no site oficial da Copel.

De acordo com o documento, cada Unit – ou conjunto de ações – foi negociada a R$ 55,20. No total, a Companhia de Energia vendeu mais de 8,8 milhões de Units. A transação deve ser liquidada, ou seja, o dinheiro depositado, no dia 18 de dezembro.

No espaço do site chamado “fatos relevantes” aos acionistas (veja o documento), a Copel explica que no dia 30 de setembro, possuía o equivalente a R$ 470 milhões em ações da Sanepar e a venda teria representado um lucro de R$ 18 milhões ao caixa da empresa.

Apesar disso, as ações da Sanepar, que foram vendidas agora a 55 reais, chegaram a valer R$ 60,32 no início de dezembro.

Valor melhor

O analista financeiro Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, afirma que a Copel poderia tentar garantir uma valorização melhor das ações.

“Eu não faria a venda nos moldes em que o governo e a Copel fizeram em velocidade tão grande. Eu faria uma venda gradativa visando proteger ou tentar inclusive uma valorização maior das ações no mercado. Mas é verdade que cada um sabe da sua necessidade. Aparentemente, tanto o governo quanto a Copel, tinham a necessidade ou a conveniência de colocar esses recursos para dentro do caixa ainda em 2017. Considerando que esta é a verdade, ele fez o que tinha que fazer e no fim das contas, o valor que foi feito, dada a realidade das ações, é um valor razoável”, pondera.

Melhor que a encomenda

“Quando veio a divulgação de que o governo poderia vender por um valor mais baixo eu disse que o valor que ele apontou que ele aceitaria vender seria cerca de 10% abaixo do valor que foi realizado a venda era muito baixo. Mas acho que esse número combinado com a realidade das ações e o prazo que o governo e a Copel estimavam para por dinheiro em caixa foi um valor razoável”.

O analista monitora a movimentação de mercado da Sanepar e da Copel. Segundo ele, o objetivo da transação pode ter sido a intenção do governo de colocar dinheiro em caixa. A manobra utilizada seria compreensível entre as companhias semelhantes.

“O governo e a Copel estão em um processo de melhoria de suas finanças A Copel ser detentora tão grande de ações da Sanepar não está ligado a sua atividade fim. Em vez de fazer dívida ela foi fazer um processo de venda dos seus ativos, de parte deles que não estão ligados a sua atividade principal, para fazer caixa. É um movimento correto e compreensível e muitas empresas estão fazendo isso no mercado brasileiro. Petrobras está vendendo ativos, Vale está vendendo ativos e a Copel fez exatamente a mesma coisa”, compara.

Saúde financeira 

Adeodato Volpi avalia que a saúde financeira da Copel está aparentemente equilibrada. Segundo ele, a realidade financeira da empresa não aponta para um risco no médio prazo.

“Comparando as duas, as estrutura financeira da Sanepar é melhor que a da Copel, na nossa leitura. Mas a Copel segue a característica do país não estando entre aquelas que são consideradas as piores ou mais endividadas. Então a utilização desse recurso parece para equilíbrio de caixa para continuar o seu plano de negócios no curso ordinário. Não vejo nenhum risco iminente de curto prazo, dada a realidade financeira da Copel”, avalia.

A Copel foi procurada pela reportagem para que a direção financeira pudesse comentar a transação, mas ainda não enviou resposta.

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