Bitcoin Banco denuncia fraude que pode chegar a R$ 50 milhões

Fernando Garcel


O Bitcoin Banco denunciou à Delegacia de Estelionatos de Curitiba um grupo que pode ter fraudado cerca de R$ 50 milhões em criptomoedas nos últimos meses. Segundo o banco, cerca de 30 nomes suspeitos de participarem da ação foram identificados e apresentados ao delegado Emanoel David para abertura de inquérito nesta sexta-feira (24). Um dos suspeitos foi responsável por sacar R$ 2 milhões ilegalmente, segundo o banco.

A investigação interna do grupo, que tem sede em Curitiba e é dono das duas maiores corretoras de bitcoins do Brasil, vem sendo feita desde a semana passada, quando surgiram as primeiras suspeitas sobre o golpe. Os técnicos identificaram um aumento súbito de patrimônio de alguns clientes decorrentes de operações suspeitas de compra e venda de criptomoedas. Os criminosos estariam se aproveitando de um vulnerabilidade nas operações para fazer saques duplicados.

“Nós recebemos uma denúncia anônima falando sobre o modus operandi. Fizemos um levantamento, 24 horas por dia, em uma semana, para tentar descobrir a fórmula e quem seriam as pessoas que acarretaram esse prejuízo e essa fraude. Podemos afirmar que é uma associação criminosa, eles fizeram com esse intuito. Usaram de fraudes e com base nisso desviaram recursos para seu proveito. Não restou outra alternativa do que pedir abertura de inquérito e ingressar com ações de danos na área cível”, conta o porta-voz do Grupo Bitcoin Banco, Jorge Luís Fayad Nazário.

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Segundo o delegado responsável pelo caso, Emanoel David, os crimes de fraudes em sistemas de informática cresceram exponencialmente nos últimos anos e neste caso os responsáveis poderão responder por crimes de furto qualificado mediante fraude, eventualmente estelionato, se estiverem coligados, do mesmo grupo, podemos ter uma associação criminosa. Todos são passiveis de pena de detenção.

Medidas de segurança

Para evitar mais prejuízos com saques fraudulentos, o Bitcoin Banco adotou a operação manual dos pagamentos solicitados. Além de trazer prejuízo para a empresa, a ação criminosa também atrapalhou a vida dos clientes, que estão tendo que esperar por mais tempo para fazer seus investimentos e saques, tanto em reais quanto em criptomoedas.

“Como é caraterística do GBB, todos os pagamentos serão honrados. Porém, por causa da fraude, não podemos mais nos comprometer com prazo máximo. Infelizmente, a agilidade que era nosso diferencial, com pagamento em poucas horas, não pode ser retomada agora e também teremos que reduzir os montantes a serem sacados até que tudo se normalize. Mas esperamos poder normalizar tudo entre os dias 29 de maio e 5 de junho”, diz o presidente do Grupo Bitcoin Banco, Johnny Pablo dos Santos.

Para evitar mais prejuízos, o banco também decidiu suspender depósitos e saques externos nesta sexta-feira e na próxima segunda e terça-feira (27 e 28 de maio). O objetivo é levantar mais informações que possam colaborar com a investigação policial. O saque máximo diário permitido também será de R$ 10 mil e 1 bitcoin por dia por tempo indeterminado.

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