Crescimento: pequenas indústrias estão mais conscientes de seus valores

Joyce Carvalho - CBN Curitiba


A personalização e o bom atendimento ao cliente já fazem parte das estratégias de negócios há muito tempo. Elas deixaram de ser diferenciais e precisam estar no dia a dia de qualquer empresa, de qualquer porte.

No entanto, a atuação em nichos de mercado, com públicos bem específicos, níveis de personalização ainda mais altos e atendimento ao consumidor cada vez mais diferenciado, se tornou uma forma de micro, pequenas e médias empresas ganharem espaço em um mundo super competitivo.

Como crescer com tantos concorrentes? Como crescer se há tanta oferta de produto? O empresário ainda vive o dilema da limitação orçamentária e da burocracia. Mas, muitos deles viram que era possível encontrar na segmentação, o espaço para crescer, expandir negócios, conquistar espaço e lucro, sem precisar mexer no tamanho da empresa.

A professora doutora Natália Rese, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que existe uma junção da adaptação à competição à clareza melhor de seus diferenciais.

“As organizações têm estado mais atentas a esse ambiente e também ao que fazem de melhor. E essa combinação faz com que elas atuem mais forte dentro de um nicho de mercado e não necessariamente crescer e fazer frente com outros competidores que estejam em outros nichos”, explicou.

Com todas as dificuldades encontradas em uma economia como a brasileira, a empresa precisa ser cada vez mais assertiva em sua estratégia. E isto não ocorre apenas porque o dinheiro é escasso. Para a professora, este fenômeno está relacionado com uma maior consciência de sua capacidade. “Uma empresa pequena pode até ver uma oportunidade crescimento, ver que aquele mercado que ela atua está com um crescimento. Mas as vezes escolhem permanecer dentro do que são capazes”, disse.

Além disto, a tecnologia da informação mudou este paradigma. “Durante muito tempo a gente entendeu que tamanho era necessariamente proporcional aos ganhos. Depois que a gente tem empresas que são escritórios, mas que por meio da tecnologia da informação conseguem atingir muita gente, esse paradigma se quebrou”, afirmou.

Esta consciência do seu próprio tamanho não impede que a empresa cresça ou busque novos horizontes, especialmente em setores tradicionalmente formados por micro, pequenas e médias indústrias, o que é o caso das movelarias e do setor de panificação.

Isto apenas está acontecendo com bastante cautela, muita informação e com a preocupação de não perder qualidade, para não perder o diferencial.

É o caso da Boulle, especializada na fabricação de móveis de madeira maciça, sob medida, com alto nível de personalização e com relação bem próxima com o cliente. A empresa de Curitiba tem mais de 20 anos no mercado e agora quer partir para a exportação, como explica Rodolpho Guttierrez, sócio e designer da Boulle. “A gente está em um crescimento, mas tomamos muito cuidado para não perder a qualidade”, ressaltou.

Outro exemplo de crescimento consciente é o da Prestinaria, uma casa de pães de Curitiba. A empresa sempre ofereceu produtos diferenciados, como os pães artesanais, e ainda incrementou bastante cardápio, com uma linha de pratos da cozinha mediterrânea.

O chef e sócio-proprietário da Prestinaria, Rodrigo Machado, conta que uma segunda unidade está nos planos da empresa, mas ainda pensa em como fazer isto sem perder a essência. E, assim, sintetiza o que é o pensamento das micro, pequenas e médias empresas neste mundo competitivo: consciência de valor.

“A gente não quer abrir outra loja e abandonar a principal. Queremos que o negócio continue do jeito que está, não ficar uma coisa impessoal”, destacou.

 

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="554298" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]