Dá para investir em momentos de crise?

Jordana Martinez


Por Wilson Quinteiro

Todos os dias lemos notícias negativas sobre a economia nacional. Os índices de desemprego crescem, a produção está caindo, a renda dos brasileiros diminuiu. Embora alguns estados, como o Paraná, 4ª maior economia do país, tenham conseguido – por mérito próprio – manter condições mais favoráveis economicamente, a crise é generalizada e tem efeito direto no bem-estar de todos os brasileiros.

Diante dessa situação, muitos empresários se perguntam se agora é uma boa hora para ampliar ou implantar um novo negócio, afinal, ninguém quer correr riscos desnecessários. Acredito que a resposta seja “sim”. Por mais que as dificuldades sejam grandes, as crises também podem oferecer oportunidades que, quando bem trabalhadas, se materializam em empreendimentos de sucesso.

Instintivamente, tendemos a ver os momentos de incerteza econômica como piores para começar um negócio. De fato, um ambiente mais estável oferece, por exemplo, a chance de o empreendedor trabalhar com planejamentos em longo prazo, sem a pressão contínua de mudanças de índices ou políticas econômicas, comuns nos momentos de instabilidade.

Mas o que não podemos esquecer é que as crises econômicas não são eternas e sim cíclicas. Quando analisamos a história brasileira, vemos diversas crises extremamente graves sendo sucedidas por momentos de expansão e grande prosperidade econômica. E quando a economia se recupera, ganha mais quem estiver preparado para atender as necessidades do mercado imediatamente.

Acontece que os empreendimentos precisam de um tempo de maturação até se estabilizarem. Diversos estudos mostram que apenas após dois anos de início de suas atividades é que uma empresa encontra seu ponto de equilíbrio e plena capacidade. Assim, quem investir agora poderá estar mais preparado para atender o mercado quando a crise começar a ser superada e a economia brasileira voltar a crescer.

É claro que investir em um novo negócio ou na sua expansão exige planejamento. Mas isso não é uma prerrogativa dos tempos de crise. Quem quer empreender sempre precisa estudar, se qualificar, planejar com cuidado. Depois da fase de planejamento, os bancos públicos de fomento, como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), podem ser a saída para viabilizar a concretização de um empreendimento.

Ao contrário dos bancos comerciais, que em momentos de instabilidade financeira tendem a diminuir a oferta, aumentar juros ou diminuir prazos, os bancos públicos costumam manter as mesmas condições de financiamento, oferecendo linhas de crédito capazes de atender às necessidades dos mais variados setores. Só para 2016, o BRDE, que financia empreendimentos nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, tem um orçamento previsto de R$ 3,89 bilhões em operações de crédito, sendo R$ 1,28 bilhão só para projetos paranaenses.

Não podemos ignorar a crise econômica que atinge o país, mas também não podemos deixar que ela prejudique o espírito empreendedor do brasileiro. Aliás, é justamente nessa predisposição do nosso povo para empreender, para colocar suas ideias criativas em prática e trabalhar com empenho, é que vislumbro a chance de o país superar esse período tão conturbado. Trabalho e investimento são a chave para voltarmos a crescer.

Wilson Quinteiro, advogado, é diretor de Operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.