Diretor da BRF é solto após fiança

Roger Pereira


Da BandNews FM Curitiba

O executivo André Luis Baldissera, diretor da BRF Brasil Foods, pagou fiança de R$ 300 mil e deixou a cadeia por volta das 17 horas desta quarta-feira. Preso na Operação Carne Fraca no dia 17 de março, Baldissera estava no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A pedido da defesa do executivo, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, determinou o valor da fiança. No despacho, o juiz pontua que há “dúvida razoável” na suposta conduta ilícita do diretor da BRF, o que justifica a liberdade provisória. Luis Baldissera pediu o afastamento da empresa até o fim das investigações da Polícia Federal.

O executivo teve a prisão preventiva decretada depois que, com autorização da Justiça, escutas telefônicas indicaram que, na semana em que a Operação Carne Fraca foi deflagrada, o diretor teria atuado para evitar a interdição da unidade da BRF em Mineiros, no sul de Goiás; a empresa é proprietária das marcas Sadia e Perdigão. Luis Baldissera teria concordado em repassar R$ 300 mil ao chefe do Sipoa (o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura) em Goiás, Dinis Lourenço da Silva; o valor seria destinado para financiar uma campanha eleitoral do PDT.

Nas escutas, Luis Baldissera cita que contêineres com produtos da BRF – que saíram da unidade de Mineiros – foram retidos outra vez em um porto da Itália; a fiscalização no país europeu identificou a presença da bactéria Salmonela. Além disso, ao longo do ano passado, escutas do diretor da BRF também revelaram que a unidade de Mineiros não atendia as normas sanitárias do Ministério da Agricultura. Depois que a Operação Carne Fraca foi deflagrada, a planta acabou interditada.

A defesa de Luis Baldissera apresentou à Justiça pareceres de escritórios da França e da Itália que afirmam que, a espécie de Salmonela identificada na carga, não impediria a entrada do produto da BRF no mercado europeu – nem seria suficiente para vedar o recebimento de novos alimentos produzidos na unidade de Mineiros. A defesa do executivo classifica como “equívoco do serviço de controle sanitário europeu” a retenção do contêiner no porto da Itália. Na escuta, o diretor da BRF sugere que a exportação seja feita por um porto em Roterdã; para a defesa de Luis Baldissera, a interpretação da autoridade sanitária na Holanda está mais ajustada aos parâmetros adotados no restante da Europa.

A Operação Carne Fraca apura a conduta de profissionais ligados as Superintendências Regionais do Ministério da Agricultura no Paraná, Minas Gerais e Goiás; o esquema envolvia executivos dos maiores frigoríficos do país. Segundo a Polícia Federal, mediante propina, os agentes públicos atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados e emitiam certificados sanitários sem qualquer fiscalização.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal