Divulgação de gravações influencia cotação do dólar

Mariana Ohde


A divulgação, pela imprensa, de uma série de conversas entre o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e figuras políticas importantes do Brasil – entre elas o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá – influenciou o mercado interno e o dólar deve operar em alta nos próximos dias. Saiba mais no boletim de abertura de mercado com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

O dólar abriu a sessão da última quarta-feira em queda após a primeira vitória de Temer no Congresso, ao aprovar a nova meta fiscal de um déficit de R$ 170,5 bilhões. Entretanto, na contramão do exterior, a moeda americana reverteu sua trajetória e passou a se valorizar ante o real. O ambiente político ainda conturbado em Brasília, com novas gravações da Lava Jato com políticos importantes, deixaram a percepção de que a base do governo Temer é vulnerável. Também a véspera do feriado, promoveu um ajuste de proteção com ordens de compra por parte dos investidores. Com isso o dólar fechou cotado em R$ 3,5895, alta de 0,43%.

Os mercados financeiros internacionais operam com cautela antes da divulgação da segunda estimativa do PIB do primeiro trimestre nos Estados Unidos e do discurso da presidente do FED, Janet Yellen, ambos de manhã. As principais bolsas europeias e futuros americanos operam próximos da linha d’água. O recuo do preço do petróleo também colabora para o viés de cautela no exterior e a divisa dos EUA valoriza ante a maioria das moedas fortes e emergentes. Internamente, além do cenário externo, os agentes locais vão digerir as novas gravações divulgadas no feriado, que colocam o PMDB no olho do furacão. Os áudios feitos pelo ex-presidente da Transpetro revelam que o ex-presidente José Sarney e o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, também tentavam barrar o avanço da Operação Lava Jato. Além de Renan e Sarney, um nome que voltou a aparecer nas gravações de Machado é do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. Em uma das gravações, Machado diz que Aécio é “o cara mais vulnerável do mundo”, e Renan concorda. Diante de uma sexta-feira espremida entre o feriado e o final de semana, com o giro financeiro e o volume de negócios reduzidos, o viés de cautela e proteção deve imperar diante dos novos fatos da delação premiada de Machado, valorizando o dólar.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal