Dólar fica abaixo de R$ 3,30 pela primeira vez em um ano

Mariana Ohde


O dólar voltou a cair nesta quarta-feira (29) e fechou abaixo de R$ 3,30 pela primeira vez em quase um ano. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 3,237, com queda de sete centavos. A cotação está no menor nível desde 22 de julho do ano passado. A divisa acumula queda de 10,4% em junho e de 18% em 2016.

Saiba mais no boletim de abertura de mercado desta quinta-feira (29), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

Ontem, a moeda americana exibiu mais um dia de queda nos mercados de câmbio. No exterior, a percepção de que os bancos centrais globais vão agir para evitar danos maiores para a economia mundial com o BREXIT e a expectativa de que o FED aumentará juros nos Estados Unidos só em 2017 favoreceram a busca por ativos de risco e maior rentabilidade.

As bolsas operaram em alta, o preço do barril de petróleo subiu e o dólar voltou a enfraquecer ante outras divisas. Aqui, além do exterior, ainda ecoou o discurso do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, priorizando a meta da inflação e o câmbio flutuante. A expectativa de manutenção dos juros altos aqui e a ausência do Banco Central no mercado de câmbio acaba atraindo investidores em busca da rentabilidade que o país proporciona. Ao mesmo tempo, os agentes domésticos testam, com sangue frio, qual seria o piso para a volta do BC com seus leilões de swap cambial reverso.

Ontem, o dólar registrou a mínima intraday de R$ 3,23 sem qualquer movimento por parte da instituição financeira. Ao final do pregão, a divisa dos EUA fechou cotada em R$ 3,2373, recuo de 2,04%.

Depois de dois dias de alta expressiva, as principais bolsas europeias e futuros americanos iniciam a sessão com ganhos moderados, o petróleo volta a cair e o dólar exibe direções divergentes ante outras moedas. Aqui, o pregão deve ser descolado do movimento externo, com foco na reunião do Conselho Monetário Nacional e na disputa pela formação da taxa PTAX de final de mês. Existe uma expectativa de que o CMN possa anunciar uma meta menor de inflação, de 4%, para 2018. Caso isso ocorra, haverá uma nova rodada de ajustes, principalmente no DI, porém, com reflexo no câmbio. A manutenção do juro alto por mais tempo pode derrubar ainda mais o dólar, o que facilita a ação do BC para cumprir a meta inflacionária desejada. Entretanto, o último dia do mês é marcado pela disputa da formação da taxa PTAX pela manhã, trazendo volatilidade ao mercado de câmbio doméstico

Acompanhe os dados do mercado em www.slw.com.br

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal