Em semana decisiva, mercado avalia possível governo Temer

Mariana Ohde


Com o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, onde deve ser votado em Plenário nesta semana, o mercado segue na expectativa de um possível governo do atual vice-presidente Michel Temer. Além das incertezas políticas aqui no Brasil, dados fracos da economia chinesa e dos Estados Unidos também influenciam fortemente as oscilações da moeda norte-americana. Saiba mais no boletim de abertura de mercado desta segunda-feira (9), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

A cautela no exterior e as dúvidas sobre se a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara seria para o bem ou para o mal no processo de impeachment na última sexta-feira fizeram o dólar abrir em alta e atingir a máxima, ainda pela manhã, de R$ 3,573. A decepção com o PAYROLL nos EUA e o aumento da expectativa sobre o afastamento da presidente Dilma induziram vendas de dólar no mercado futuro à tarde, registrando mínimas sequenciais. Ao final do pregão, o dólar fechou cotado em R$ 3,5034, queda de 1,15%.

Na semana decisiva para o governo brasileiro, o exterior inicia com notícias nada positivas da segunda maior economia mundial. Foi divulgada no final de semana a balança comercial chinesa, com dados fracos tanto nas importações como nas exportações, por causa de uma demanda global mais fraca. O governo de Pequim já anunciou hoje uma série de medidas para impulsionar o comércio exterior, o que sustenta as principais bolsas europeias e futuros americanos, ajudados também pela recuperação do preço do barril de petróleo.

Aqui, os agentes locais seguem focados em como seria um eventual governo Temer, caso o afastamento de Dilma seja aprovado nos próximos dias. Hoje, os investidores domésticos monitoram a comissão especial do Senado e a definição dos detalhes da análise da admissibilidade do processo que, ser for aceita, implicará no afastamento imediato da petista por 180 dias. Por outro lado, Temer, que já está sendo criticado pela mídia por fazer concessões à ética e aos aliados na formação do seu governo, também precisará dar sinais imediatos do que pretende fazer para alavancar a economia. Ele esteve reunido ontem com Henrique Meirelles, que será ministro da Fazenda caso o peemedebista assuma a Presidência, juntamente com Eliseu Padilha, Moreira Franco, Romero Jucá e Geddael Viera Lima.

Os investidores sabem que Temer terá de administrar um déficit monumental para ajustar o orçamento público. Projeções feitas por especialistas mostram que os “esqueletos” da gestão Dilma podem passar dos R$ 250 bilhões. A semana promete volatilidade no mercado de câmbio doméstico. Mas se o processo de impeachment correr dentro do esperado, vai durar dois dias no Senado, quarta e quinta-feira, sendo aprovado o afastamento, Dilma Rousseff desce a rampa do Planalto na sexta-feira 13.

Confira os dados do mercado em www.slw.com.br

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal