Operação Carne Fraca: entidades pedem reabertura de frigoríficos interditados

Mariana Ohde


Entidades pediram a reabertura de frigoríficos fechados após a Operação Carne Fraca, deflagrada no dia 17 de março para investigar um esquema de fraudes na fiscalização dos produtos produzidos pelas empresas. O pedido de reabertura foi feito durante uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta terça-feira (11) para debater os impactos da operação.

Das 21 empresas investigadas na operação, 18 estão no Paraná. Entre elas, sete seguem total ou parcialmente interditadas, juntamente com a Paccin Agro Industrial, de Jaraguá do Sul (SC). A unidade da BRF de Mineiros (GO), que completava a lista de empresas interditadas, foi liberada no último fim de semana. As interdições foram determinadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Entre as unidades investigadas e interditadas, três chegaram a perder o Serviço de Inspeção Federal (SIF), um selo obrigatório para produtos de origem animal. São elas: Peccin Agro Industrial, unidades de Curitiba (PR) e de Jaraguá do Sul (SC), e Central de Carnes Paranaense, com sede em Colombo (PR). Com isso, os frigoríficos da Peccin já anunciaram o fechamento e a demissão de todos os funcionários.

Retorno das atividades

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná, Péricles Salazar, argumenta que as plantas devem ser reabertas e monitoradas para evitar que as empresas fechem as portas definitivamente. “Já houve o precedente, neste final de semana, da reabertura da BRF em Mineiros (GO). Então é fundamental que as outras empresas, por questão de analogia, também sejam desinterditadas e acompanhadas. É importante que o ministério deixe as empresas respirarem. Não pode matar a empresa”, disse.

Salazar também ressaltou que as instituições que ele representa são favoráveis ao reforço da fiscalização e monitoramento às indústrias de carnes e derivados do estado. “Nós só não admitimos que o Ministério da Agricultura mantenha restrições a algumas empresas que geram milhares de empregos. Por isso, sugiro aos nossos deputados estaduais e federais que formemos um círculo de cooperação no sentido de nós solicitarmos aos técnicos do Ministério da Agricultura que viabilizem a reabertura imediata dessas empresas”.

Danos

A audiência pública também teve a intenção de esclarecer quais as falhas, de fato, identificadas nos frigoríficos. A procuradora-chefe da Procuradoria da República no Paraná, Paula Conti, reforça que as investigações da PF miram fraudes administrativas.

“O MPF acompanhou a investigação desde o início. E continua acompanhando na fase de inquérito, mas a ação penal eventualmente será proposta após a conclusão da investigação. Temos que esclarecer que essa operação é sobre crimes contra a administração pública. O foco inicial jamais foi a qualidade da carne. Quero registrar que o MPF quer proteger o agronegócio do Paraná, tanto quanto qualquer outro setor do nosso estado que venha enfrentando problemas em face de atos criminosos”, afirmou a procuradora.

Audiência pública na Alep. Foto: Alep
Audiência pública na Alep. Foto: Alep

O secretário de estado de agricultura e abastecimento, Norberto Ortigara, afirma que é muito difícil calcular o prejuízo causado pela Operação Carne Fraca. “O conjunto de efeitos colaterais acaba sendo difícil de ser calculado. O maior problema é o de imagem. O problema colocou o Paraná em evidência porque a operação foi feita aqui no estado. Tenho convicção que se fosse em outro estado teríamos problemas da mesma natureza”, afirma, citando consequências como reprogramação de produção, navios, férias coletivas, demissões, entre outros”.

Solução

“Estou certo de que 99,9% das nossas unidades de produção de carnes têm boas práticas de qualidade, controle e higiene, para produzir proteína animal que é enviada para cerca de 160 países. O lado bom da operação é que expurgou do setor fiscais e empresários que cometeram algum tipo de corrupção. Agora é trabalhar para recuperar a confiança do mercado”, disse o secretário Norberto Ortigara.

Inácio Kroetz, diretor-presidente Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, declarou que as situações reveladas pela operação da Polícia Federal são pontuais e isoladas, e que agora é o momento em que o setor de produção de carnes do Paraná precisa mostrar ao mercado internacional que está agindo para combater esses acontecimentos pontuais.

“O mundo não quer saber do problema que nós temos. Ele quer saber como nós lidamos com ele e o que nós fazemos para que esse problema não se repita. O que importa agora é oferecer o que o mercado internacional quer, que é transparência, agilidade, prontidão, prevenção e comunicação. Isso trará de volta credibilidade aos nossos produtores de proteína animal”, complementou.

O superintendente substituto do Ministério da Agricultura no Paraná, Alexandre Bastos, também participou do debate e reforçou as mudanças anunciadas pela pasta para combater a corrupção nas fiscalizações. “Será feito um rodízio entre fiscais e empresas fiscalizadas para evitar qualquer tipo de correlação entre servidor e empresa que possa não atender as expectativas do Mapa e da sociedade”.

O Ministério da Agricultura ainda não divulgou um balanço oficial dos impactos da operação Carne Fraca no setor.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal