Economia pós-coronavírus: Governo cria grupo com ministérios sem Mandetta

Ricardo Della Coletta - Folhapress

ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fala à imprensa

O governo criou nesta terça-feira (14) um grupo de trabalho para discutir diretrizes para a retomada das atividades afetadas pelo novo coronavírus.

De acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União, o grupo terá representantes de 16 ministérios. Porém, não foi aberta vaga para o Ministério da Saúde, comandado por Luiz Henrique Mandetta.

Farão parte do colegiado, coordenado pela Casa Civil os ministérios:

  • Relações Exteriores;
  • Defesa;
  • Economia;
  • Infraestrutura;
  • Agricultura;
  • Minas e Energia;
  • Ciência e Tecnologia;
  • Meio Ambiente;
  • Turismo;
  • Desenvolvimento Regional;
  • Controladoria Geral da União;
  • Secretaria Geral;
  • Secretaria de Governo;
  • Segurança Institucional;
  • Advocacia-Geral da União;

QUAIS SÃO AS ATRIBUIÇÕES DO GRUPO?

Entre as atribuições listadas pelo grupo de trabalho estão a proposição de “ações estruturantes, atos normativos e medidas legislativas para a retomada das atividades afetadas pela Covid-19 em âmbito nacional”. A articulação com estados, municípios e empresas para a elaboração de propostas com a mesma finalidade; e a discussão de medidas da infraestrutura com foco em obras públicas e parcerias com o setor privado.

Também consta na lista de atribuições a elaboração de políticas para a redução de disparidades regionais causadas pelo novo coronavírus, para a destinação de emendas parlamentares e para garantir a cadeia de suprimentos e do setor energético.

Por último, o grupo deve também propor ações de desburocratização de procedimentos administrativos, entre eles a simplificação de procedimentos relativos à criação e extinção de empresas.

Segundo a assessoria da Casa Civil, o grupo de trabalho será constituído no âmbito do comitê de crise que monitora o combate à doença no Brasil. O comitê é coordenado pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto -a pasta da Saúde faz parte dessa estrutura.

“O grupo de trabalho de vários ministérios vai consultar órgãos ad hoc e coordenar as ações estruturantes e estratégicas para a recuperação e retomada do crescimento econômico do país e do bem-estar da sociedade brasileira”, disse a pasta.

Interlocutores ouvidos pela reportagem argumentam que “não faria sentido” retirar pessoas da Saúde no momento para compor o comitê, uma vez que o objetivo, dizem, é discutir medidas de longo e médio prazo para a retomada da economia.

MANDETTA ENTROU EM LINHA DE CHOQUE COM JAIR BOLSONARO

Principal rosto da reação à Covid-19 no Brasil, Mandetta entrou em linha de choque com o presidente Jair Bolsonaro, que pressiona para que ele peça demissão do cargo.

O desconforto do presidente com seu auxiliar aumentou no domingo (12), com a entrevista concedida pelo titular da Saúde à rede Globo.

Na ocasião, Mandetta disse que os brasileiros não sabem se devem seguir as orientações do ministério (favorável ao isolamento social) ou de Bolsonaro (que é crítico de medidas como o fechamento de comércios).

A entrevista afetou inclusive o apoio que Mandetta detinha junto à cúpula militar do Palácio do Planalto, que vinha atuando para evitar sua saída da Esplanada dos Ministérios.

Para a cúpula fardada, Mandetta fez um confronto público com seu superior, não obedecendo à hierarquia do cargo, e reacendeu um conflito que havia diminuído de temperatura.

Com o diagnóstico de que Mandetta perdeu um apoio de peso, o presidente avaliou, de acordo com deputados bolsonaristas, ter sido aberta uma nova brecha para intensificar a estratégia de pressioná-lo a pedir exoneração. Ao forçá-lo a se demitir, Bolsonaro quer evitar que Mandetta saia do governo com a imagem de mártir.

Segundo assessores presidenciais, a ideia é que, a partir desta terça-feira, o ministro seja escanteado de reuniões, não participe de decisões do governo e que seja dado mais espaço a quem lhe faz um contraponto público.

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