Impeachment deve ditar os rumos do dólar nesta semana

Mariana Ohde


Confira o boletim de abertura de mercado desta segunda-feira (29), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

O pregão da última sexta-feira foi marcado pela forte volatilidade no mercado financeiro internacional, em especial no câmbio, com as atenções voltadas exclusivamente para os eventos nos Estados Unidos. A divulgação da segunda estimativa do PIB do 2º trimestre e o sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan estavam na agenda de indicadores. O PIB veio dentro do esperado, porém abaixo da primeira estimativa, já o sentimento do consumidor caiu em agosto. Entretanto, o evento mais aguardado era o discurso da presidente do FED, Janet Yellen, no simpósio de Jackson Hole. Yellen começou o discurso forte evidenciando que os argumentos para a alta de juros nos EUA se fortaleceram nos últimos meses. O dólar subiu rapidamente ante todas as moedas. Porém, ao longo de sua fala, o tom mais ameno e a cautela para uma política monetária apertada foram se dissipando e a moeda americana voltou a cair. Reverteu sinal e chegou a operar abaixo dos R$ 3,20, na mínima em R$ 3,19. Mas quem surpreendeu mesmo foi o vice-presidente do BC americano, Stanley Fischer, que, no início da tarde, sinalizou que o aperto monetário nos Estados Unidos pode contar com duas altas de juros em 2016, incluindo uma elevação na reunião de setembro. As consequências foram imediatas, o dólar disparou, as bolsas reverteram para o negativo e o preço das commodities despencou. Aqui, o dólar fechou cotado em R$ 3,2683, avanço de 1,19%.

Os agentes financeiros internacionais iniciam a semana ainda ecoando os discursos da presidente e do vice-presidente do FED, com a possibilidade de alta nos juros americanos. Com isso, as principais bolsas europeias e futuros americanos operam em queda, o preço do petróleo cai e o dólar segue valorizado ante a maioria das moedas fortes e emergentes. A semana ainda reserva dados importantes do mercado de trabalho americano a partir de quarta-feira, com a divulgação do PAYROLL na sexta-feira, um dos indicadores de maior peso para avalição do BC americano para subir juro. Aqui, os holofotes se voltam para Brasília, onde segue o julgamento do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Porém, desta vez com a presença da petista, sem o poder de reverter o cenário que aponta para sua saída. Após 109 dias de seu afastamento, é provável que Michel Temer assuma, nesta semana, definitivamente, a Presidência e, a partir daí, as cobranças do mercado financeiro por sinais efetivos do ajuste fiscal tendem a aumentar. Mesmo antes da saída de Dilma, o governo interino tem tido dificuldade em conseguir apoio no Congresso e ainda não conseguiu maioria na Câmara para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional 241, que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior, principal item da agenda do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Diante de uma semana repleta de eventos e indicadores de primeira grandeza, com o dólar fortalecido no exterior, a moeda norte-americana deve abrir a sessão com viés de alta.

Acompanhe os dados do mercado em www.slw.com.br

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Repórter no Paraná Portal
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