Indiciamento de presidente do Bradesco influencia cotação do dólar

Mariana Ohde


Confira o boletim de abertura de mercado desta quarta-feira (1), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

Como se esperava, o pregão de ontem foi de forte volatilidade. O dólar iniciou o dia em queda, com os vendidos aproveitando o embalo da desvalorização da moeda americana na véspera. Entretanto, trinta minutos após a abertura, dados de renda e gasto com consumo nos Estados Unidos vieram melhores do que o esperado, valorizando a moeda globalmente e aumentando as apostas de alta de juros por lá em breve. A disputa da Ptax ficou em segundo plano. Porém, à tarde, com o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e de mais dois executivos do banco pela Policia Federal, na Operação Zelotes, mexeu com os ativos brasileiros. Jogou a bolsa para as mínimas e o dólar às máximas, chegando a bater os R$ 3,6354, para fechar em R$ 3,611, alta de 0,92%.

O mês de junho começa com sentimento de aversão ao risco no exterior, em meio a preocupações com a China e Europa após a divulgação dos índices de atividade e industrial da zona do euro, abaixo do esperado, e da China estável, porém com desaceleração dos serviços. Também pesa no exterior a percepção de que o Federal Reserve pode aumentar os juros em breve. Para piorar, o preço do barril de petróleo opera em queda e o dólar valoriza ante a maioria das moedas emergentes. As principais bolsas europeias e futuros americanos operam no negativo.

Aqui, além do exterior, o clima de instabilidade política não dá trégua e aumenta as dúvidas sobre a capacidade da equipe do governo Temer de conseguir colocar o país no rumo da recuperação diante de tanta turbulência. O indiciamento de Trabuco pela PF na Operação Zelotes no mesmo dia em que a Odebrecht e a OAS confirmaram os acordos de delação premiada na Lava Jato deixa o clima pesado em Brasília. Também surge o receio de reviravolta no Senado, com dois senadores pró-impeachment arrependidos e ameaçando trazer Dilma de volta. A agenda traz o PIB brasileiro do primeiro trimestre na abertura dos negócios e nos Estados Unidos o Livro Bege às 15h, que pode dar pistas dos próximos passos do BC americano. O dólar deve seguir em alta diante das incertezas internas e externas.

Confira os dados do mercado em www.slw.com.br

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal