Indústria: ritmo de contratações cai 48% no primeiro semestre

Maioria das vagas foi preenchida por homens jovens, com Ensino Médio completo e a remuneração ficou 55% acima do salário-mínimo nacional

Redação - 05 de agosto de 2022, 17:13

Arquivo/Gelson Bampi/Fiep
Arquivo/Gelson Bampi/Fiep

O ritmo das contratações da indústria no Paraná caiu 48% no primeiro semestre de 2022, na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, foram 17.728 novas oportunidades criadas neste ano, contra mais de 33 mil postos de trabalho criados no ano passado.

Mesmo com a desaceleração, a indústria foi o segundo setor que mais gerou empregos no Paraná durante o primeiro semestre de 2022. O setor de serviços puxa a fila, com quase 57 mil vagas criadas no período. Depois da indústria, aparecem comércio (6.702), construção civil (5.970) e agropecuária (2.963).

Para o economista Thiago Quadros, da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), essa desaceleração no setor industrial ocorre devido à forte retomada do setor após o período mais crítico da pandemia.

“Desde o segundo semestre de 2020, a indústria acelerou o ritmo de contratações para dar conta da demanda maior de produção das fábricas gerada pela retomada econômica, situação que se estendeu até o primeiro semestre do ano passado, com quase 20 mil empregos sendo criados somente em janeiro e fevereiro”, explica.

“Agora, os números apontam para uma acomodação no quadro de colaboradores das empresas, já que muitas vagas já foram preenchidas recentemente. Mesmo assim, o saldo é positivo e o setor continua criando oportunidades, porém, com menor intensidade”, reforça.

PERFIL DAS CONTRATAÇÕES DA INDÚSTRIA

O perfil do trabalhador contratado não sofreu muitas mudanças. A maioria, 56%, são homens, 60% jovens entre 18 e 24 anos, e 75% têm Ensino Médio completo. Com o resultado, a indústria emprega atualmente 719 mil pessoas formalmente no Paraná.

A remuneração média dos novos admitidos ficou em torno de R$ 1.876,33, 55% acima do valor do salário-mínimo nacional, em R$ 1.212,00, e superando a média dos valores pagos aos trabalhadores de outros segmentos da economia formal, atualmente em R$ 1.790,00.

Das 24 atividades industriais analisadas pelo Novo Caged, apenas duas acumulam saldo negativo: moveleiro (-620) e fabricação de outros equipamentos de transporte (-29). As que mais contrataram neste primeiro semestre de 2022 foram alimentos (2.827), confecções e artigos do vestuário (2.121), automotivo (1.907), máquinas e equipamentos (1.687) e fabricação de produtos de metal (1.438).

“Linhas de produção de itens à base de carnes e o abate de suínos e aves puxaram o crescimento dos empregos no setor alimentício. Já no automotivo, a fabricação de peças e acessórios foi a que mais contratou. Já a produção de automóveis teve saldo negativo de 28 vagas no período. Também se destaca o setor de máquinas ligadas à atividade agroindustrial, responsável por mais de mil novas admissões no semestre”, avalia o economista da Fiep.

Os empregos se concentraram nas regiões mais industrializadas do estado, como Curitiba (1.212), São José dos Pinhais (1.087) e Cascavel (680), por conta do setor automotivo e de máquinas e equipamentos; Maringá (756), polo de confecções e vestuário; e Francisco Beltrão (573), resultado da forte atuação do setor alimentício. 

As cidades que mais demitiram do que contrataram no primeiro semestre deste ano foram Arapongas (-386), devido ao desempenho do setor moveleiro; Cafelândia (-257), Jaguapitã (-238), Tapejara (-221), e Laranjeiras do Sul (-218).