Informática, eletrônicos e veículos são indústrias com dificuldade de atender clientes

Eduardo Cucolo - Folhapress

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Praticamente 7 em cada 10 indústrias dos segmentos de informática, eletrônicos e ópticos, veículos e metalurgia enfrentam dificuldade de atender à demanda dos seus clientes, devido à falta de insumos para a produção.

O número é parte da terceira pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre o tema, que foi divulgada nesta sexta-feira (8). Os levantamentos anteriores foram realizados em outubro e novembro de 2020.

Segundo a CNI, o segmento de informática, eletrônicos e óticos se destaca negativamente, com aumento no percentual de empresas com dificuldade, de 42% em novembro de 2020 para 69%.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirma que a desestruturação das cadeias produtivas ainda é resultado do cancelamento de compras e redução de estoques ocorrido no início da pandemia, no ano passado. A retomada da economia no segundo semestre de 2020, segundo ele, não foi acompanhada no mesmo ritmo por todas as empresas o que gerou dificuldades nos diversos elos da cadeia.

Além disso, a desvalorização do real tornou as exportações mais atrativas e redirecionou parte do fornecimento de matérias-primas, insumos e produtos finais ao mercado internacional. “O resultado foi um aumento ainda mais acentuado de preços e uma dificuldade ainda maior de obter os insumos e matérias-primas”, afirma o presidente da CNI.

No geral, 45% das empresas da indústria têm dificuldade de atender à demanda, uma queda em relação aos 54% verificados na pesquisa anterior. Entre os 26 setores de atividade da Indústria de Transformação considerados no levantamento, em 13 pelo menos 50% das empresas tinham dificuldade para atender parte de sua demanda. Eram 19 em novembro.

Entre os que tiveram melhora, a CNI destaca os segmentos de bebidas e de minerais não metálicos. Em novembro de 2020, 55% das empresas de bebidas tinham dificuldade de atender à demanda, percentual que caiu para 32%. No segmento de minerais, recuou de 67% para 45%.

A demora na normalização das cadeias produtivas foi um dos fatores citados pelo Banco Central para justificar o amento da taxa básica de juros em março. Segundo o BC, esses problemas pressionaram custos de produção e geraram um choque de demanda.

Ainda de acordo com a pesquisa, 73% das empresas da indústria geral e 72% das empresas da construção encontram dificuldades em obter insumos e matérias-primas produzidos no Brasil. Eram 75% e 72% em novembro. Destacam-se os segmentos de móveis (91%), limpeza e perfumaria (86%) e vestuário (85%).

Em novembro, 51% das empresas esperavam uma normalização da questão dos insumos no primeiro trimestre deste ano. Agora, 70% esperam uma regularização até o final do terceiro trimestre.

Em relação a insumos importados, 65% das empresas que compram matérias-primas do exterior enfrentam problemas de abastecimento, mesmo pagando mais caro pelos produtos. Em alguns setores, a questão afeta mais de 80% das empresas: borracha, móveis, madeira, equipamentos de transporte e de informática, eletrônicos e ópticos.

A CNI ouviu 1.782 empresas, sendo 739 pequenas, 615 médias e 428 grandes, nas indústrias de transformação e extrativa, além de 436 empresas na construção, de 1º a 12 de fevereiro.

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