Instabilidades no governo Temer mantêm dólar em alta

Mariana Ohde


Com mais suspeitas de envolvimento de políticos no esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato e com a repercussão negativa de algumas medidas do governo do presidente interino Michel Temer, como o reajuste dos servidores, os cenários político e econômico voltam a pressionar o dólar neste início de semana. No exterior, dados fracos da economia dos Estados Unidos e as variações do preço do petróleo seguem no radar. Saiba mais no boletim de abertura de mercado desta segunda-feira (6), com o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:

O dólar fechou em forte queda o pregão da última sexta-feira. O decepcionante número de vagas de trabalho criadas nos Estados Unidos em maio – 38 mil, quando as previsões eram de 158 mil – fizeram a moeda americana desvalorizar ante a maioria das divisas fortes e emergentes. Agentes do mercado doméstico de câmbio reduziram suas posições compradas em dólares após a divulgação dos dados fracos da economia americana – prevendo que o FED aumente a taxa de juros somente na reunião de setembro -, as surpresas positivas do PIB brasileiro do primeiro trimestre e da produção industrial de maio, divulgados na semana passada e ambos melhores do que o esperado. Com isso a divisa dos Estados Unidos fechou a semana em R$ 3,5252, baixa de 1,65%.

Após o decepcionante Payroll de sexta-feira, investidores internacionais aguardam com ansiedade os dois discursos da presidente do FED, Janet Yellen, hoje. Qualquer sinal que Yellen possa dar será bem-vindo para ajudar a esclarecer quando o FED irá elevar os juros diante de um cenário tão incerto. As principais bolsas europeias e futuros americanos operam com leve alta, amparados no viés positivo do preço do barril de petróleo. O dólar exibe direções divergentes ante outras moedas.

Aqui, além de monitorar a chairwoman do BC americano, os agentes locais devem digerir novas denúncias da Lava Jato no final de semana, em meio às possibilidades de mais integrantes do governo Michel Temer caírem. A situação é crítica para o advogado-geral da união, Fabio Medina Osório, e para a secretária das Mulheres, Fátima Pelaes, investigada por suspeita de participação em um esquema de desvio de R$ 4 milhões em verbas no Ministério do Turismo.

Ainda há a notícia de que o ministro do turismo, Henrique Eduardo Alves, atuou junto à empreiteira OAS para obter recursos para sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte em 2014. Também no radar dos investidores, estão as declarações do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, de que arrecadou e pagou mais de R$ 70 milhões desviados da estatal para o presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney.

Em meio ao cenário político conturbado, surgem informações de que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, teria sido surpreendido com os reajustes dos servidores, que vão na contramão do seu plano de aperto fiscal. Depois de três quedas consecutivas, o dólar deve abrir em alta diante do cenário político incerto no Brasil.

Confira os dados do mercado em www.slw.com.br

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal