Maioria dos mercados já voltou a importar carne brasileira, segundo Maggi

Mariana Ohde


O Brasil já conseguiu reabrir a maioria dos mercados que havia imposto restrições às carnes brasileiras, disse o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), no encerramento da XXXIII Reunião Ordinária do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), em Buenos Aires.

As medidas restritivas se deviam à repercussão internacional da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, em investigação de frigoríficos. Na Argentina, Blairo Maggi reuniu-se com ministros da Agricultura da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.

“Ainda há alguns mercados fechados no Caribe, mas, ontem, a Jamaica também reabriu e, em seguida, Barbados fez o mesmo”, comentou o ministro. “Assim, sucessivamente, vão sendo retiradas as últimas restrições”, acrescentou, ressaltando que a investigação é sobre condutas de pessoas e não sobre a qualidade das carnes brasileiras.

Maggi reafirmou que houve equívoco na forma de divulgação da operação e lembrou que o Ministério da Agricultura enviou aos mercados todos os esclarecimentos solicitados, sempre com muita transparência. “O Brasil deu as devidas explicações não só aqui no CAS, mas no mundo inteiro.”

“Todos os países importadores têm o direito de ser mais seletivos e investigativos, para ter mais certeza sobre o que estão recebendo. Não reclamamos disso, porque cada país deve manter a sua legislação e a sua segurança.”

A importação foi suspensa temporariamente e a fiscalização reforçada por ao menos 50 países, além da União Europeia. Nas últimas semanas, 34 países voltaram a importar a carne brasileira, entre eles a China. Jamaica e Barbados foram os mais recentes – a reabertura foi anunciada nesta quinta-feira (6).

Recuperação

As vendas de carnes bovina, suína e de frango para o exterior cresceram em março. Segundo dados divulgados na segunda-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços, houve alta de 4,4% nas vendas ante março de 2016 segundo o critério da média diária, que leva em conta o valor negociado por dia útil. O valor total exportado subiu 9% no mesmo período.

Separadamente, as exportações da carne bovina foram as únicas a registrar queda no mês. Houve recuo de 6,1% em relação a março de 2016, segundo o critério da média diária.

Também houve queda de 1,7% na vendas de carne bovina, levando-se em conta o valor total exportado em todo o mês de março, que ficou em US$ 404 milhões ante US$ 411 milhões em março do ano passado.

Já as vendas de carne suína e de frango cresceram, levando-se em conta tanto a média diária (alta de 43,2% para a suína e de 7% para a de frango) quanto o valor total exportado em março, comparando-se com o mesmo mês do ano passado (alta de 39,4% nas vendas de carne suína e de 11,74% nas de frango).

Tendência

O diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do ministério, Herlon Brandão, disse que já havia uma “tendência” de queda nas exportações da carne bovina desde o início deste ano, antes de a operação da PF ser deflagrada.

Segundo Brandão, de janeiro a março, as vendas externas do produto caíram 5,1% pela média diária em relação ao primeiro trimestre do ano passado (de US$ 18,7 milhões para US$ 17,2 milhões). O valor total exportado caiu 1,99% no mesmo período (de US$ 1,104 bilhão para US$ 1,082 bilhão).

Impacto

Logo após a Operação Carne Fraca, o ministério chegou a detectar queda na média diária exportada de todas as carnes, mas, segundo Brandão, a situação foi superada.

“Notamos uma menor média diária na quarta semana [de março], logo após a operação. A média exportada, que vinha se mantendo em US$ 60 milhões diários, ficou próxima de US$ 50 milhões. Essa média menor pode ter denotado alguma cautela do mercado, mas não impactou”, disse Brandão.

Para ele, os danos causados pela descoberta de fraudes na produção e comercialização de carnes foram revertidos. “O governo conseguiu reverter todos os principais mercados: União Europeia, Egito, Irã, Japão, Coreia do Sul. A análise é que o pior passou. Foi um susto, mas notamos que rapidamente os embarques se normalizaram e ainda se encerrou o mês com crescimento na exportação de carnes”, declarou Brandão, em entrevista para a divulgação dos dados da balança comercial de março.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal