Ministério fecha três frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca

Mariana Ohde

carne exportação

Três frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca, deflagrada no dia 17 de março, pela Polícia Federal (PF), vão perder as licenças para funcionar. Dois deles são do Paraná: o Peccin Agroindustrial, em Curitiba, e os frigoríficos da Central de Carnes, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. A Carne Fraca apura um esquema de fraude nas fiscalizações dos estabelecimentos.

Irregularidades de ordem econômica

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, foram recolhidas, pela força-tarefa criada no Mapa, 302 amostras de produtos, de forma preventiva.

“Recolhemos 302 amostras de produtos, fizemos de modo preventivo. Desse total, 31 amostras, ou seja, 10,2% indicam algum problema de ordem econômica. Não necessariamente fraude, mas a não observância de algumas questões técnicas, como, por exemplo, o excesso de amido na salsicha ou excesso de água no frango, e isso não coloca em risco a saúde pública em nenhuma hipótese”, explica.

As 31 amostras com problemas de ordem econômica referem-se a embutidos, onde foi encontrado ácido sórbico, conservante proibido em salsichas e linguiças. Esses produtos saíram dos frigoríficos Souza Ramos, no município de Colombo, no Paraná, e já foram recolhidos. Foi comprovado ainda excesso de amido em salsichas produzidas pelo frigorífico Peccin, de Curitiba e de Jaraguá do Sul (SC). Também foram encontrados problemas de ordem econômica na produção de frango com excesso de água, processado pela unidade da BRF de Mineiros, em Goiás, e pelo Frango DM.

Risco à saúde

Das 302, oito amostras (2,6%) tiveram pequenos problemas, mas capazes de afetar a saúde pública. Dessas oito, sete tiveram confirmada a presença de salmonella e uma de estafilococos. Todas as amostras foram enviadas para análise em unidades do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) do Ministério da Agricultura.

O consumidor poderá identificar esses produtos pelo SIF impresso na embalagem.

Das oito análises de produtos que apresentaram possível risco à saúde pública, sete laudos se referem a hambúrgueres contaminados por Salmonella, produzido pelo frigorífico Transmeat (SIF 4644), dono da marca Novilho Nobre, distribuída no Paraná. Essa linha de produção da empresa foi fechada e os lotes do produto recolhidos no dia 23 de março. Os produtos serão obrigatoriamente descartados e destruídos, sob supervisão de técnicos do Mapa.

Também foi constatada a presença da bactéria Estafilococus Coagulas Positiva na linguiça cozida produzida pelo Frigorífico FrigoSantos (SIF 2021) e o reolhimento preventivo e interdição da linha foram determinados ainda nesta quinta-feira (6).

De acordo com o Ministério da Agricultura, não foram reportados problemas de saúde pelo consumo desses produtos, mas tanto a salmonella quanto os estafilococos podem causar vômito e diarreia.

Cancelamento do SIF

O Mapa iniciou o procedimento para cancelar o SIF dos frigoríficos Peccin (SIFs 825 e 2155) e do Central de Carnes (SIF 3796), ambos no Paraná.

“Outros frigoríficos também poderão ter o registro cassado, na medida em que nossas auditorias avancem. Todos os que erraram terão de pagar pelo erro. Não importa se são grandes ou pequenas empresas”, alertou Novacki.

Irregularidades

Força-tarefa

O Mapa vai intensificar a fiscalização e antecipar o calendário de auditorias nas empresas investigadas. Já estão sendo realizadas ações em Pernambuco, Bahia, Tocantins, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

As equipes de fiscalização nesses estados terão rodízio com troca de posições e até possíveis substituições de superintendentes. “Queremos que essas auditorias nos deem a situação real de como estão funcionando os serviços de inspeção em cada estado. Todos os resultados serão divulgados e compartilhados com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal”, garantiu.

“Também por determinação do ministro Blairo Maggi, todos os indícios de crime, seja contra a saúde pública ou de ordem econômica, serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Federal para devidas providências. Nós, no Mapa, estamos limitados à esfera administrativa, cabendo à Justiça e à Polícia Federal investigar, prender, processar e condenar”, observou Novacki.

Mercado

Para reconquistar a confiança dos mercados e mostrar a robustez do sistema de fiscalização de produtos de origem animal do Brasil, o secretário-executivo irá viajar, entre os dias 17 e 27 de abril, para se reunir com autoridades dos governos do Irã, Egito e Argélia. Em maio, o ministro Blairo visitará a China, Hong Kong, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Europa para intensificar as negociações com importadores da carne brasileira.

Respostas

 

A Transmeat esclarece que as próprias normas de inspeção federal estabelecem que, em produtos que contêm carne suína, há a possibilidade da presença de salmonella. A presença da bactéria, segundo o próprio ministério, não oferece risco a saúde do consumidor. O produto deve ser comido cru.

A empresa encomendou análises em diferentes laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura para checar se o produto é adequado para consumo.

 

A defesa da Peccin afirmou, em nota, que essa medida de cancelar a inscrição no SIF da empresa é mais um dos exageros descabidos que marcam essa operação policial.

A empresa Central de Carnes esclareceu que,o pedido de cancelamento do SIF foi feito pela própria empresa no dia 30 de março. Tal baixa foi solicitada pelo fato da empresa não concordar com decisões tomadas pelo ministério. A Central Carnes afirmou que as decisões da pasta colocaram a empresa em situação complicadíssima no âmbito financeiro, forçando inclusive uma demissão em massa.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal