Na ACP, há muito mais do que uma situação de bate-chapas

Bate-chapa à presidência da Associação Comercial do Paraná. Jornalista Aroldo Murá faz uma análise da atual e gestões antigas da entidade

Redação - 10 de junho de 2022, 11:35

Foto/Divulgação
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Aroldo Murá

No fundo, com as futuras eleições, escondem-se desencontros entre o atual presidente, Camilo Turmina, e líderes de grande importância da entidade

A Associação Comercial do Paraná prepara-se para ter um bate-chapa na próxima  eleição da nova diretoria, situação que não ocorria há muitos anos. Duas Chapas estão montadas, segundo se noticia. Uma delas, situacionista, com as bênçãos do atual presidente. A outra é cheia de pesos-pesados, antigos presidentes da ACP, como Gláucio Geara, Eduardo Guy de Manuel, Edson Ramon. São nomes que, sabe-se, não partilham o mesmo espaço de Camilo, exceção, claro, a “obrigatórias” manifestações institucionais essenciais.

“Bate-chapas” ocorreram, com grande repercussão na comunidade dos comerciantes de Curitiba, nos anos 1980/90. Eram tempos do antológico Carlos Alberto Pereira de Oliveira, cuja passagem pela ACP confunde-se com a própria associação cujo patrono é o histórico Barão do Cerro Azul. Carlos Alberto, particularmente nos anos 1980, foi um dos líderes empresariais paranaenses cuja palavra era essencial para a formação da opinião pública, sendo ele uma frequente presença na mídia estadual.

Capo (Carlos Alberto Pereira de Oliveira) conhecia os escaninhos do empresariado de Curitiba e, honrado em todos os sentidos, fazia da ACP um motivo de vida, uma causa pública. Foi astro de raro brilho na vida comercial de Curitiba. Dentre suas mais relevantes ações está a consolidação do SPC, essencial para avaliação empresarial do crédito de pessoas físicas e jurídicas. É uma das melhores fontes de renda a apoiar a ACP. Tem apenas uma rival, o Serasa.

NA ACP, MUITO MAIS DO QUE BATE-CHAPAS

Turmina é apontado como “muito operoso, exemplar defensor do comércio da cidade”, conforme AHH, que pede anonimato, personagem que tem sua vida associada à ACP ao longo de decênios. Mas as opiniões contrárias, fortemente críticas a Camilo Turmina, foram se avolumando até gerar o quadro atual,  com uma chapa de Oposição ao atual presidente. Oposição que assim se apresenta, não se disfarça.

Os cerca de 80 funcionários da ACP estariam vivendo “sob sobressaltos”, diante do que um deles classifica a este site, e que consistiria “numa rede de controle dos quadros funcionais da casa”. Para alguns deles, a simples menção de nomes de antigos presidentes – como Geara e Ramon – é motivo para que o empregado entre numa espécie de limbo. Ficaria, então, a caminho de “futura” demissão, o que, convenhamos, não é nada apreciável nos dias de hoje.

Alguns dos antigos presidentes, geralmente arredios a falar fora do seu grupo oposicionista, vão mais adiante: condenam  o que classificam “radicalismo político” de Camilo”, situação desconfortável num momento em que o país teria de liberar-se do dualismo Lula-Bolsonaro.

Voltaremos ao assunto, também ouvindo a opinião do presidente da ACP