O que dá para comprar com a proposta de reposição de Ratinho Júnior?

Fernando Garcel

A proposta apresentada pelo governador Ratinho Júnior (PSD) prevê reposição de 0,5% aos servidores a partir de outubro, o que representa cinco reais a mais na folha de pagamento para cada mil que o funcionário público recebe por mês. O valor está longe dos 4,94% referentes a data-base das perdas com a inflação no último ano que motivaram a deflagração da greve no dia 25 de junho.

Segundo o movimento grevista um professor que recebe R$ 2.872,71 por mês acumula perdas de R$ 6,5 mil ao ano. O cálculo é simples e leva em conta os salários congelados menos a inflação de 17% acumulada no período. A partir de outubro, com a proposta, o professor irá receber R$ 14,36 a mais. Com esse valor, o servidor consegue comprar:

  • 3,6 litros de gasolina com o valor do litro a R$ 3,90; ou
  • 1,3 quilos de costela bovina; ou
  • 4 quilos de feijão; ou
  • 5 quilos de arroz

Um soldado da Polícia Militar que recebe R$ 3,6 mil acumula perdas de R$ 8,3 mil por ano e terá R$ 18 a mais na folha de pagamento. O policial poderá comprar:

  • 4,6 litros de gasolina com o valor do litro a R$ 3,90; ou
  • 6 litros de leite integral; ou
  • Quatro passagens de ônibus em Curitiba; ou
  • Dois sanduíches clássicos do McDonalds em promoção (e sobra R$ 3,10)
Os dados são da ferramenta Menor Preço, do Programa Nota Paraná.

 


GREVE PERMANECE

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Foto: Divulgação/FES

O Fórum de Entidades Sindicais (FES), que coordena a greve, rechaçou a hipótese de ceder ao governo e a proposta foi recebida como uma afronta ao movimento. Com uma defasagem salarial de 17%, resultado de quatro anos de vencimentos congelados, os servidores estaduais pediam ao menos o reconhecimento da data-base com reposição da inflação dos últimos 12 meses, calculada em 4,94%.

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Servidores das áreas da educação, segurança, saúde, agricultura e abastecimento estão aderindo ao movimento pelo direito à data-base.

As classes policiais, impedidas por lei de deflagrar greve, manifestaram um sentimento de traição por parte do governo. As categorias esperavam que o governo apresentasse uma proposta de parcelamento que levasse em consideração a defasagem de 17%, acumulada desde 2016, e não apenas da inflação dos últimos 12 meses.

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PROJETO ENVIADO À ALEP

Foto: Sandro Nascimento/Alep

O projeto de lei assinado por Ratinho Júnior foi enviado à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ontem e formaliza a proposta de 0,5% em outubro e o pagamento parcelado de 1,5% a partir de março de 2020; 1,5% a partir de janeiro de 2021 e 1,5% a partir de janeiro de 2022. As duas últimas parcelas ficam condicionadas ao crescimento mínimo de 6,5% e 7%, respectivamente, da receita corrente líquida em relação ao ano anterior.

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Na justificativa do texto, o Executivo afirma que os reajustes representam um grande esforço para assegurar os direitos do funcionalismo público sobre seus vencimentos, mesmo diante das dificuldades no cenário econômico atual. Ainda na justificativa, o Governo do Estado reafirma o compromisso em promover a valorização profissional dos servidores para o desempenho das suas funções, porém reforça a postura de responsabilidade frente aos desafios existentes nas finanças pública do Paraná.

A proposta segue para a análise inicial da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, para as demais Comissões permanentes da Alep antes de seguir ao plenário para votação.

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