Operação mira esquema de adulteração de pescados em Santa Catarina

Mariana Ohde


A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Fugu, com o objetivo de desmantelar um grupo com atuação na Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Santa Catarina.

As investigações apontam evidências de proteção ilícita de empresas do ramo alimentício, além de perseguição a servidores com atuação na área de fiscalização mediante instauração de procedimentos disciplinares e remoções infundadas.

Cerca de 110 policiais federais, com o apoio de fiscais indicados pelo Mapa/Dipoa-Brasília/DF, estão cumprindo 37 mandados judiciais, sendo 20 de busca e apreensão, 12 de busca pessoal e 5 de suspensão cautelar do exercício das funções públicas nos municípios de Florianópolis, São José, Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Blumenau e Jaraguá do Sul, todas cidades em Santa Catarina.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Itajaí. Dentre os servidores afastados estão ocupantes de cargos de direção/gestão na unidade do Mapa em Santa Catarina.

Investigações

A investigação se aprofundou no setor de pescados da região do Vale do Itajaí. Os policiais encontraram documentos que indicam a proteção ilícita de duas grandes empresas contra a implantação de medidas cautelares determinadas pelo Dipoa/Mapa/Brasília/DF.

Estas e outras empresas introduziram no mercado pescados importados da China das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca adulterados quimicamente através de “oversoaking” – adição de água e produtos químicos no interior dos pescados, o que, entre outros efeitos, elevava o peso dos produtos.

A suspeita é de que as importações dos pescados eram desviadas por entrepostos frigoríficos de Itajaí não relacionados à área de pescados, para que, sem a reinspeção adequada ou com conivência de servidor público, ingressassem mais facilmente no país.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação, importação, venda e entrega de produto alimentício adulterado/falsificado/alterado destinado a consumo, crimes contra o direito do consumidor, denunciação caluniosa, constrangimento ilegal, ameaça e falso testemunho.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal