PIB cresce 1% e reforça que país saiu da recessão

Roger Pereira

MARIANA CARNEIRO, NICOLA PAMPLONA, MAELI PRADO E TAÍS HIRATA
RIO DE JANEIRO, RJ, BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A economia brasileira deixou a recessão para trás e cresceu 1% no ano passado.
O resultado mostra uma recuperação após o mergulho de quase 8% em 2015 e 2016.
Mas os números do quarto trimestre do ano decepcionaram: analistas do mercado financeiro e o próprio governo estavam mais otimistas e esperavam que o PIB crescesse 1,1%. No último trimestre do ano, a previsão era de alta de 0,4%, ficou em 0,1%.
Para analistas, embora abaixo do previsto, o número divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que a retomada se consolidou. Mas ainda levará tempo para recuperar o terreno perdido.
No início de 2017, o PIB (Produto Interno Bruto) já reagia, graças à safra recorde de grãos. Segundo o IBGE, o agronegócio teve o melhor ano desde 1996 -início da atual série históricas- e cresceu 13%.
Na esteira das exportações, beneficiados por preços mais altos, também seguiram o petróleo e minério de ferro.
Nos meses seguintes, o consumo saiu do vermelho e também o investimento, a indústria voltou a produzir. O estímulo veio de um contexto de taxas de juros cadentes, inflação em declínio e maior circulação de dinheiro na economia com a liberação do FGTS e do FAT.
Carro-chefe da demanda, o consumo das famílias cresceu 1% no ano. No quarto trimestre, porém, desacelerou e ficou estagnado (0,1%), limitado por uma taxa de desemprego elevada e o crédito caro e lento.
Já o investimento, que havia despencado 30% na recessão, reapareceu no terceiro trimestre e cresceu 2% no quarto trimestre, número bastante positivo. Na média do ano, porém, teve queda de 1,8%, ficando no vermelho pelo quarto ano consecutivo.
Com isso, a taxa de investimentos (em proporção do PIB) ficou em 15,6%, o mais baixo patamar desde 1996.
Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro, da FGV, nota que apesar da recuperação, a sensação de melhora não chegou às pessoas.
“Houve uma desinflação importante. O que dificulta é o mercado de trabalho; a taxa de desemprego ainda está muito elevada”, diz. “Entendo o mau humor, o governo está em meio a um ajuste fiscal e os Estados investem em segurança e saúde.”
A indústria teve um ano positivo. As fábricas (indústria de transformação) cresceram 1,7% -primeira alta depois de três anos de queda. Mas, no cômputo geral, o setor ficou estável no ano. Isso se deve à renitente crise da construção civil, que caiu 5% no ano passado. A retração do setor já dura quatro anos.
RECUPERAÇÃO ACELERA, DIZ GOVERNO
O governo comemorou o resultado do PIB e ponderou o fato de nem todos os indicadores serem estimulantes. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que os investimentos, apesar de caírem ao pior nível da história, mostraram recuperação no último trimestre.
O ministro da Fazenda afirmou que mesmo a construção civil, setor que mais demorou para mostrar sinal de recuperação, ficou positivo no último trimestre.
“Sair de uma queda do PIB de 3,5% em 2016 para a alta de 1% em 2017 é um avanço grande; mostra que a economia está acelerando”, disse Meirelles.
Sobre o fato de a alta do PIB ter vindo um pouco abaixo do esperado pelo mercado, Meirelles frisou que a expectativa da equipe econômica era de uma alta de 1%.
O presidente Michel Temer disse, em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que o resultado representa esperança para o futuro do país.
Para Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico, o resultado ficou dentro da expectativa do governo, e muito acima do esperado há um ano.
“Ficou muito acima do que analistas esperavam no início do ano passado, quando esperavam 0,2%, 0,3%. Então mostrou que todo o mundo errou, e ainda bem que todo mundo errou”, afirmou Mansueto.
Em nota, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que o crescimento se deve, em grande parte, à implementação de reformas, como a trabalhista e a instituição do teto de gastos, além da estabilização da economia, com inflação e juros mais baixos.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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