Pix deverá ter limite de transação em horários definidos pelo cliente

Fernanda Brigatti - Folhapress

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O Banco Central deve anunciar medidas para aumentar a segurança do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Entre as mudanças previstas, os clientes poderão definir limites de valores que poderão ser movimentados em determinados horários.

O presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira (27) que outras medidas estão sendo analisadas. O anúncio, segundo ele, será em breve.

“A gente deve anunciar em breve um conjunto de medidas para para que as pessoas possam eleger melhor como usar o Pix, bloquear o Pix em horários e coisas desse tipo”, disse. Em seguida, afirmou que não anteciparia as mudanças.

Campos Neto participou de um encontro organizado pelo grupo empresarial Esfera Brasil e pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em São Paulo. O presidente do BC não falou com a imprensa e não detalhou que outras mudanças poderão ser implementadas nas regras do sistema de pagamentos.

Na quinta (26), os bancos encaminharam ao BC um pedido de flexibilização das regras do Pix para dificultar a ação de criminosos.

Depois do lançamento do novo meio de pagamento, em novembro do ano passado, bandidos têm tirado vantagem da facilidade e da rapidez do Pix para aplicar golpes.

A possibilidade de os clientes definirem limites de transparências e pagamentos por meio do Pix é um dos pleitos apresentados pelos bancos à autoridade monetária, segundo apurou o jornal Folha de S.Paulo.

Pelas regras atuais, o limite para transações pelo sistema de pagamentos instantâneos deve ser o mesmo concedido pelo banco para TED (Transferência Eletrônica Disponível). O banco não pode propor aumentar ou reduzir o valor máxima. A iniciativa deve partir do cliente.

A Febraban tem recomendado que os clientes solicitem a redução do limite disponível para transações através do aplicativo ou da internet.

Os bancos também querem negociar limites por canal de transação -com valores diferentes para operações feitas pelo celular, pelo computador ou no caixa eletrônico- e ajustado por horário. Isso permitiria reduzir as quantias máximas nas madrugadas, como já existe para os saques nos terminais.

Campos atribui o número de golpes relatados à retomada das atividades. O retorno de consumidores a bares e restaurantes expôs mais gente a criminosos. Na avaliação dele, o Pix traz elementos extras de segurança e que aumentam as chances de os golpistas serem identificados.

Para Campos Neto, o modelo de funcionamento do Pix favorece o rastreio de eventuais fraudes, pois permite que o destinatário da transação seja identificado mais rapidamente.

“Quando alguém faz sequestro-relâmpago, para obter o recurso, ela tem que transferir para um conta. Ou vai ser uma conta laranja, e temos um conjunto de medidas para combater isso, ou será uma conta da própria pessoa”, afirmou. “E aí vai está registrado quem ela é, onde ela mora.”

De acordo com dados de inteligência do governo paulista, desde de dezembro do ano passado foram registrados 202 crimes no estado de São Paulo nos quais as vítimas relataram o uso do Pix por parte dos criminosos. Eram casos de sequestro-relâmpago e roubos a mão armada.

O presidente do Banco Central disse que aprimoramentos do sistema são naturais e estão sempre em avaliação. Durante apresentação no evento do Esfera Brasil, disse que o PIx melhorou o acesso ao sistema bancário, levando até a abertura de novas contas bancárias.

Ele comparou os recentes relatos de golpes e roubos em que o criminosos usam o Pix com os sequestros-relâmpagos de clientes durante o uso de caixas eletrônicos. “Foram ajustando os limites, os horários [para saques]. A gente entende que faz parte dos aprimoramentos.”

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