Produção industrial sobe 3,9% em 2021, mas não retoma nível pré-pandemia

Ao longo de 2021, a produção industrial passou a sinalizar perda de fôlego no país, mesmo com o processo de reabertura da economia

02 de fevereiro de 2022, 10:42

José Paulo Lacerda/CNI
José Paulo Lacerda/CNI

A produção industrial brasileira acumulou alta de 3,9% no ano de 2021, informou nesta quarta-feira (2) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Mesmo com o resultado positivo no ano, o indicador não conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia. Em dezembro, ficou em nível 0,9% inferior ao de fevereiro de 2020.

No último mês de 2021, a produção industrial subiu 2,9% na comparação com novembro, apontou o IBGE. No mês anterior, havia registrado estagnação (0%), o que interrompeu sequência de cinco meses consecutivos de queda. O desempenho de dezembro veio acima das estimativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 1,6% frente a novembro.

O IBGE também informou que, em relação a dezembro de 2020, a produção das fábricas caiu 5%. Nesse recorte, as estimativas de analistas sinalizavam retração de 5,9%. Ao longo de 2021, a produção industrial passou a sinalizar perda de fôlego no país, mesmo com o processo de reabertura da economia após restrições maiores para frear a Covid-19.

A escassez de insumos ainda é apontada como um problema que atinge parte das fábricas. O ramo automotivo está entre os mais afetados pela situação. A falta de componentes é associada à pandemia, que desalinhou cadeias produtivas globais. Para complicar o quadro de dificuldades, a escassez tem sido acompanhada pelo aumento de preços. Em 2021, a inflação de mercadorias usadas pela indústria acumulou alta de 28,39%, de acordo com o IPP (Índice de Preços ao Produtor).

O avanço foi o maior já registrado na série histórica, iniciada em 2014. O IPP, outro indicador do IBGE, mede a variação dos preços na porta de entrada das fábricas, sem o efeito de impostos e fretes. Analistas também consideram que a escalada da inflação para o consumidor brasileiro e a renda do trabalho em queda representam mais um obstáculo para a recuperação das fábricas. Em conjunto, os dois fatores dificultam a compra de bens industriais por parte das famílias.