Pronta para o mercado? Compagas cresce e se reestrutura de olho no futuro

Roger Pereira

A Companhia Paranaense de Gás (Compagas) encerrará o ano de 2018 com resultados animadores. O número de clientes ultrapassa a base de 43 mil unidades e o volume comercializado no período será, na média, 6% maior que o registrado em 2017. No aspecto mercadológico, mais de 4 mil clientes dos segmentos residencial, comercial e industrial iniciaram o consumo de gás natural em 2018. O número é cerca de 15% maior que o total de clientes que entraram para a carteira da Compagas em 2017.

Em entrevista ao Paraná Portal, o presidente da Compagas, Luiz Malucelli Neto destaca que além do crescimento no fornecimento de gás natural a companhia passou por um processo de reestruturação que reduziu custos e a tornou mais eficiente. Na entrevista, o presidente da Companhia afirma que a atual gestão deixou a empresa enxuta e moderna, atrativa para um possível processo de privatização, que ele enxerga ser o caminho natural para a Compagas nos próximos anos. Confira o que disse Luiz Malucelli Neto ao Paraná Portal

Paraná Portal (PP) – Foi um período, de certa forma, curto, esse seu à frente da Compagas, durante o governo Cida Borghetti. Mas o que foi possível fazer? Que companhia o governo Ratinho Junior (PSD) terá a partir de janeiro?

Luiz Malucelli Neto (LMN) – Nossa ideia era deixar uma empresa ainda mais moderna. Encontrei excelentes técnicos, uma equipe muito boa de trabalho, mas viemos focados para fazer uma redução da empresa, até para facilitar uma possível privatização dela, que, na minha cabeça, é o que irá acontecer. Então existe hoje um estudo de restruturação, com enxugamento de gerências, superintendências, para tornar a empresa mais ágil. Ela ainda tem alguns cacoetes do passado, que podem ser melhor administrados. Além disso, quando entramos, havia um problema técnico de faturamento. Cerca de R$ 10 milhões não estavam sendo cobrados de nossos clientes. Isso foi consertado, conseguimos receber todos os atrasados, não tivemos nenhum problema judicial com isso. Na parte comercial, conseguimos importantes clientes novos, como o caso do hospital Pequeno Príncipe, que, inclusive conseguiu ampliar suas alas de atendimento à população, utilizando o espaço que antes era destinado ao armazenamento de gás. Hoje o gás é canalizado, não há risco de desabastecimento e é muito mais seguro para uma instituição de saúde. Também nos tornamos fornecedores de todos os permissionários do Mercado Municipal de Curitiba e também estaremos no novo shopping, o Jockey Plaza.


PP – Esse crescimento tem teto? Qual a capacidade, hoje, da Compagas, para atender novos clientes?

LMN – Não tem teto. Hoje, nós temos aproximadamente 43 mil usuários, numa rede de 820 quilômetros e, dentro da Compagas, cabe uma outra Compagas. Nós poderíamos hoje dobrar esse fornecimento e atingir mais de 80 mil clientes. E é o que estamos fazendo nessa gestão. Eu, pessoalmente, fui fazer esse serviço comercial e procurar novos clientes para trazer para a Compagas. Conquistamos mais de 4 mil clientes, um crescimento 15% maior que o de 2017 e num momento de crise, em que o consumo dos hotéis, dos restaurantes, de diversos estabelecimentos diminuiu.

PP – Qual a vantagem de se investir no gás natural encanado?

LMN – Segurança, limpeza, espaço, meio ambiente, eliminação do risco de desabastecimento, além da economia de praticamente 30% em relação ao GLP.

 

PP – No começo da entrevista o senhor citou que a Compagas está mais ajustada para um possível processo de privatização. Temos um presidente eleito que defende a privatização de tudo o que for possível na estrutura federal e um governador eleito alinhado ideologicamente com esse movimento político. O senhor acha que a privatização é o caminho da Compagas? E é saudável para a empresa ser privatizada neste momento?

LMN – Eu acho que é o caminho natural. Não será hoje e precisará da determinação do governador Ratinho Junior. Mas acredito que essas estatais, com o tempo, todas serão privatizadas. Acho que até a Copel, em um processo mais longo, de mais de 10 anos, também não estará mais nas mãos do estado. O Estado já não consegue arcar mais com essas empresas.

 

PP – E para a saúde da empresa, qual a vantagem e importância de ela deixar de ser controlada pelo Estado?

LMN – Até acho que a Compagas sempre foi muito bem toada pelos ex-presidentes. A Compagás nunca foi cabide de emprego, 98% dos nossos funcionários são concursados. Ela é tocada de forma diferente. E esse foi o norte de nossa administração. Nos tornamos ela o mais ágil possível, acabamos com uma série de regalias e estamos tocando como uma empresa privada. Não fizemos algumas ações porque a lei eleitoral nos impediu. Mas passado esse período eleitoral, estamos estudando um enxugamento, mas que deve acabar ficando para meu sucessor.

PP – Mas por que privatizar uma empresa que tá crescendo, tem potencial para dobrar e está trazendo lucro pro Estado?

LMN – Não tenho o poder de privatizar a empresa, existem três sócios e o sócio principal é o governo através da Copel, essa política de futuro será ditada pelo novo governo. Mas, na minha opinião cabe ao futuros governantes administrarem as ações básicas do estado, saúde, educação, segurança com competência e as empresas como a Compagas deixar para iniciativa privada. Até porque ela vale um bom dinheiro no mercado.

PP – O país vive um novo momento em sua relação com o poder e com as empresas públicas, no pós-lava jato. Em questão de transparência, de austeridade, de governança corporativa, no que a Compagas avançou?

LMN – Fizemos de tudo para que a transparência prevaleça dentro da empresa. Reduzimos a frota 40%, fizemos convênio com o táxi, que é mais barato a não imobiliza nada. Os diretores devolveram os cartões corporativos. Estamos devolvendo um andar do prédio em que estamos sediados, o que dará uma economia de R$ 1 milhão por ano em aluguel. Na reestruturação, conseguimos deixar a companhia do tamanho que a gente queria, e isso gerou uma economia de R$ 7 milhões ao ano. Uma reestruturação que deixa a empresa no ponto de equilíbrio perfeito, tornando-a bastante atrativa para o mercado.

PP – E o que não foi possível fazer e fica de mais urgente para o teu sucessor?

LMN – Eu fiz um ofício à Casa Civil para que nós consigamos baixar a taxa de remuneração da Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná)  , que eu acho um absurdo. O ano que vem, vamos pagar quase R$ 5 milhões à Agepar. Então, fica esse alerta ao próximo governo. Nada contra a Agepar, mas esse número não tem cabimento. Ela se torna quase que um dos principais sócios da Compagas, sem risco nenhum. Apontamos R$ 670 mil com o valor justo a ser cobrado pela Agepar. Esse, para mim, seria o desafio mais urgente. De resto, seguir com a reestruturação continuar ampliando a rede, prospectar novos clientes.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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