Reflexos da Carne Fraca: BRF anuncia fechamento de unidades para levantar R$ 5 bi e pagar dívida

Francielly Azevedo


A empresa de alimentos BRF, alvo da Operação Carne Fraca, anunciou nesta sexta-feira (29) que pretende arrecadar pelo menos R$ 5 bilhões com um plano de reestruturação operacional e financeira da companhia. Estão previstas as vendas das unidades da empresa na Europa, Tailândia e Argentina. O plano também abrange a venda de ativos imobiliários e não operacionais, e de participações minoritárias em empresas. No fim do primeiro trimestre, a dívida líquida da BRF somava R$ 14 bilhões.

“O ponto de partida desse plano é a decisão da empresa de focar suas operações no mercado doméstico brasileiro, na Ásia e no mercado muçulmano”, diz a nota. Em relação a venda das unidades na Europa, Tailândia e Argentina a empresa ressaltou que o fato não exclui a exportação para esses mercados.

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a companhia também informou que dará continuidade no plano de reestruturação fabril, que adéqua a produção de acordo com a demanda de mercado, com a melhor gestão de estoques de matéria prima.  “Em andamento desde março deste ano, a iniciativa incluiu readequação nas linhas de produção, férias coletivas e a redução de cerca de 5% do quadro de funcionários nas operações fabris no Brasil”, diz o comunicado.

A BRF também destacou que vai reduzir o número de vice-presidências de 14 para 10, divididas em três grandes áreas.

BRF NA OPERAÇÃO CARNE FRACA

Entre 2012 e 2015, um frigorífico do Paraná e dois de Goiás ligados à BRF Brasil Foods teriam omitido a presença da bactéria Salmonella em carne de frango para garantir a exportação do produto. Entre os países consumidores estavam a China, África do Sul e a Rússia. Nesses países, a tolerância à presença da Samonella é quase zero, diferente do Brasil que, por causa da produção em grande escala, estima e aceita que até 20% das mercadorias tenham presença da bactéria. As fraudes teriam ocorrido somente em produtos destinados ao mercado externo.

1ª fase

Na primeira fase, iniciada em março de 2017, foram cumpridos 309 mandados judiciais, 27 pedidos de prisão preventiva e 11 de prisão temporária, em seis estados mais o Distrito Federal. A Polícia Federal investigou cerca de 30 frigoríficos por depoimentos e escutas telefônicas. Segundo as investigações, os funcionários ofereciam propinas por certificados de qualidade adulterados.

A JBS, dona da Friboi e Seara, e a BRF, proprietária da Sadia e Perdigão, estavam entre as empresas envolvidas na operação.

2ª fase

Batizada de Antídoto, a segunda fase foi deflagrada em maio de 2017. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Goiás. O principal alvo era Francisco Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Assis foi gravado conversando sobre a destruição de provas da Operação.

3ª fase

Batizada de Trapaça, a terceira fase da Carne Fraca foi deflagrada no último mês de março, focada exclusivamente na BRF. Foram cumpridos 11 ordens de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão em unidades da companhia.

As investigações apontaram que cinco laboratórios e setores de análises da BRF fraudavam resultados de exames entre 2012 e 2015 com conhecimento de executivos da empresa. A denúncia teria sido feita por uma ex-funcionária que processou a companhia.

Foram presos o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e o ex-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior.

Previous ArticleNext Article
Avatar
Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.