Saiba quanto rende R$ 1.000 na poupança, CDB e Tesouro com a Selic a 10,75%

Com a Selic tendo voltado aos dois dígitos e um aumento do custo de vida estimado em 5,38% para 2022, todos os investimentos mais conhecidos e renda fixa passaram a pagar juros reais.

Folhapress - 06 de fevereiro de 2022, 15:57

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Investimentos em renda fixa ampliaram o retorno após o Banco Central ter elevado a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual na última quarta-feira (2), para 10,75% ao ano.

Para demonstrar de forma simplificada como isso mexe nas aplicações financeiras, Andrew Storfer, diretor de economia da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), simulou o rendimento de R$ 1.000 nos mais conhecidos investimentos conservadores por períodos que variam de seis meses a três anos.

Nos cálculos realizados por Storfer, os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) oferecidos por bancos de médio porte representam as opções mais vantajosas para todas as aplicações com resgate a partir de um ano e um dia.

É depois desse prazo que o desconto do IR (Imposto de Renda) sobre o rendimento cai de 20% para 17,5%. A alíquota ainda recua para 15% para aplicação com mais de dois anos.

Em tempos de taxas de juros nas alturas, os CDBs permitem rentabilidades mais elevadas devido à taxa de rendimento a partir de 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Esse foi o índice considerado na simulação. Esse produto pode pagar taxas de 140% do CDI para investimentos de valores mais elevados.

CDI ou taxa DI é o índice médio dos contratos de empréstimos de curto prazo negociados exclusivamente entre instituições bancárias. Os juros DI considerados na simulação foram de 10,75% ao ano. Apesar de tomar a Selic como referência, a taxa DI flutua diariamente, conforme as expectativas do mercado sobre o crédito.

Nos exemplos calculados pela Anefac, em uma aplicação com mais de 18 meses e um dia, quando o CDB alcança a melhor relação entre rendimento e desconto IR, um valor inicial de R$ 1.000 sobe para R$ 1.150,58. A rentabilidade no intervalo é de 15,06%.

Se esse mesmo valor inicial de R$ 1.000 permanecesse em uma caderneta de poupança por igual período, o poupador faria um resgate de R$ 1.093,96. O rendimento é de 9,4%. O ganho com a poupança é de apenas 62% do obtido por meio do CDB de um banco médio.

Investimento mais popular do país, a poupança oferece o pior retorno entre todas as opções analisadas, apesar de contar com isenção do IR.

O levantamento demonstra, porém, que não é qualquer CDB que garante o maior lucro. O investimento oferecido por grandes bancos é menos competitivo.

Para quem aplica um valor inicial relativamente baixo, como é o caso dos exemplos simulados, a remuneração é de apenas 93% do CDI. Nessas condições, a aplicação perde em rentabilidade para os demais investimentos avaliados, com exceção da poupança.

Para aplicações em intervalos acima de seis meses e abaixo de um ano e um dia, as LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) trazem o melhor retorno.

A remuneração de 90% do CDI considerada na simulação se mostra vantajosa no cenário de curto prazo porque ela é isenta de Imposto de Renda. Outros investimentos em renda fixa mais competitivos, como os CDBs, têm alíquota de 20% para resgates realizados no referido período.

Tesouro Direto Selic e Fundo DI conservador foram as outras opções analisadas.

Ambos ficam atrás quando comparados à rentabilidade dos CDBs de bancos médios e das LCIs e LCAs, mas se mostraram opções vantajosas na comparação com CDBs de grandes bancos e, principalmente, em relação à caderneta de poupança.

Não foram consideradas taxas de administração e custódia para as simulações de Tesouro e Fundo DI.

Todos os exemplos são apenas demonstrativos. Juros e rentabilidade podem variar de acordo com a flutuação das taxas praticados no mercado aberto. O valor investido, o prazo da aplicação, e as condições oferecidas pelas instituições financeiras aos seus clientes também afetam a rentabilidade.

Por optar por aplicações com maior liquidez e mais conservadoras, as simulações realizadas pela Anefac não consideraram investimentos em debêntures incentivadas.

Esse tipo de aplicação também é considerado como sendo de renda fixa. É uma alternativa que costuma oferecer rentabilidade mais elevada quando comparada a aplicações tradicionais, mas também é mais arriscada.

Quem compra esse tipo de título no mercado de capitais está, na prática, emprestando dinheiro para a empresa que emitiu esse papel. Em troca, o investidor recebe juros. A parte arriscada do investimento está justamente na capacidade que a empresa emissora terá de honrar o seu compromisso.

As simulações também não consideram os juros reais, resultado da subtração do índice de inflação da taxa de juros estimada para um determinado período.

Com a Selic tendo voltado aos dois dígitos e um aumento do custo de vida estimado em 5,38% para 2022, todos os investimentos mais conhecidos e renda fixa passaram a pagar juros reais.