Temor de guerra na Europa volta a balançar mercados

Com as tensões Rússia-Ucrânia voltando a atingir o mercado financeiro, economias emergentes saem na frente dos países mais desenvolvidos

Folhapress - 14 de fevereiro de 2022, 15:54

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 Investidores preocupados com a possibilidade de uma guerra na Europa levaram os principais mercados de ações do planeta a operar no vermelho na manhã desta segunda (14). A Bolsa de Valores brasileira e de outras economias emergentes subia ligeiramente, indicando manutenção da busca global por ativos baratos em meio às baixas nos países desenvolvidos.

 Às 11h49, o Ibovespa subia 0,24%, a 113.850 pontos. O dólar recuava 0,62%, a R$ 5,2120. Bolsa e câmbio ainda refletem o grande volume de investimentos de estrangeiros no mercado brasileiro, que passou de R$ 30 bilhões em janeiro. Bolsas da Argentina, Peru e México também avançavam 0,12%, 0,43% e 1,20%, respectivamente.

 Na Europa, os principais indicadores do mercado acionário estavam em forte queda. A Bolsa de Londres, Paris e Frankfurt perdiam 1,48%, 2,45% e 2,21%, nessa ordem. O índice Euro Stoxx 50, que acompanha 50 grandes empresas da região, afundava 2,37%.

 Nos Estados Unidos, os principais índices oscilavam na abertura. O S&P 500, referência do mercado americano, cedia 0,25%. O Dow Jones, o mais tradicional indicador da Bolsa de Nova York, caía 0,63%. As ações de empresas de tecnologia negociadas na Nasdaq subiam 0,17%, indicando uma tímida recuperação em relação à semana passada.

 A abertura do mercado americano, porém, começava melhor do que as negociações de índices futuros indicavam nas primeiras horas do dia. Houve algum alívio após o governo de Vladimir Putin ter dado sinais de estar disposto a uma solução diplomática ao Ocidente.

 A Ásia teve um início de semana negativo, com destaque para a queda de 2,23% da Bolsa de Tóquio. Na China, o principal índice das empresas listadas em Xangai e Shenzhen caiu 1,08%.

 O mercado global de ações foi sacudido na tarde da última sexta (11) pelo alerta do governo americano sobre a iminência de uma invasão da Ucrânia pela Rússia.
Um conselheiro da segurança nacional da Casa Branca disse que a ofensiva militar russa pode ter início antes mesmo do fim dos Jogos de Inverno de Pequim, em 20 de fevereiro.

 Os principais índices de ações negociadas em Nova York passaram a operar em forte queda após o alerta, o que interrompeu uma tentativa de recuperação em Wall Street. Na quinta (10), o mercado dos Estados Unidos já tinha sido afundado em pessimismo devido à divulgação de um indicador de inflação pior do que o esperado.

 Frente a este cenário de risco e tensão, os preços do petróleo mantêm o patamar mais elevado desde 2014, apesar de algumas oscilações. A Rússia é uma das principais produtoras de óleo e gás natural, sendo responsável por parte expressiva do abastecimento da Europa.

 "Sabemos que um potencial conflito pode reduzir a cadeia de abastecimento global", diz Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora.
Para o mercado de ações do Brasil, a crise na Europa deixa o horizonte incerto. Por um lado, a elevação do preço do petróleo pode valorizar ações de petroleiras brasileiras, como é o caso da Petrobras. Por outro, o combustível mais caro pode acelerar a inflação em todo o mundo e, em particular, nos Estados Unidos.

 O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e outros bancos centrais já discutem elevar suas taxas de juros para combater uma onda inflacionária mundial.
Caso os juros americanos subam além do esperado, a valorização razoável dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos tende a atrair investidores que neste momento estão aportando em mercados emergentes, como o brasileiro. Isso tornaria o dólar mais caro e pressionaria ainda mais a inflação por aqui.
O barril do petróleo Brent, referência mundial, era negociado a US$ 94,04 (R$ 488,82), uma alta de 0,37%.