Turismo dá sinais de recuperação e Foz atrai R$ 3 bi em investimentos

Sinergia entre setor público e iniciativa privada permite à cidade atrair R$ 3 bilhões em investimentos. Itaipu Binacion..

Pedro Ribeiro - 25 de outubro de 2020, 10:00

Nilton Rolim
Nilton Rolim

Sinergia entre setor público e iniciativa privada permite à cidade atrair R$ 3 bilhões em investimentos. Itaipu Binacional está investindo R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura. Confira.

Nem mesmo a pandemia do novo coronavírus foi capaz de frear o surto de desenvolvimento que a cidade paranaense de Foz do Iguaçu vem passando nos últimos anos. Com cerca de R$ 3 bilhões em investimentos públicos e privados em projetos já anunciados ou em andamento, e que irão acontecer entre 2018 e 2023, Foz do Iguaçu se destaca como uma das cidades brasileiras que mais atraem investidores na atualidade.

O jornalista Gilmar Piolla, secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos da prefeitura de Foz do Iguaçu, um dos protagonistas das ações de atração de novos investimentos e principalmente na área de marketing e divulgação das atrações turística da região, conta que os investimentos vão desde a modernização da sua infraestrutura até a ampliação do seu famoso complexo turístico, concessões públicas e ampliação do polo logístico e de serviços. Somente a Itaipu Binacional, revela Piolla, está investindo perto de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura, em parceria com o Governo do Paraná e Infraero.

São investimentos na Ponte da Integração Brasil – Paraguai, que vai ligar Foz do Iguaçu a Presidente Franco, no país vizinho; Perimetral Leste para desviar trânsito de caminhões do centro da cidade; ampliação da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu e duplicação da Rodovia das Cataratas, entre outras obras estratégicas bancadas com recursos da usina binacional.

A esses investimentos se somam os da Infraero, na repaginação do terminal de passageiros do aeroporto, do governo do Paraná em viadutos e trincheiras, além dos investimentos da prefeitura municipal em asfaltamento de ruas, drenagem urbana e demais obras públicas.

“Foz do Iguaçu vive um 'boom'  de investimentos públicos e privados e será a bola da vez no turismo da América do Sul. Nunca houve uma sinergia tão boa entre o poder público e a iniciativa privada, entre a prefeiturap, a Itaipu Binacional, o governo do Paraná e o governo federal”, afirma o secretário Gilmar Piolla.

Segundo ele, “os investimentos da Itaipu Binacional em obras de infraestrutura vão preparar a cidade para se tornar o destino número um do Brasil para turistas estrangeiros ao final da próxima década e para que o Aeroporto se transforme em hub aéreo do Mercosul e países andinos, com voos sem escala para Estados Unidos e países europeus”.

Gilmar Piolla, Secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu (Foto: Cristiam Rizzi) Foz do Iguaçu (Foto: Nilton Rolim)

NOVOS ATRATIVOS

Os novos atrativos e parques aquáticos se destacam por oferecer diversas atrações para toda a família. Nesta semana, o Grupo Dreams inaugurou o seu sétimo atrativo na Terra das Cataratas, o Dreams Motor Show, um misto de museu de motocicletas do estilo Harley Davidson, mesclado com American Bar e espaço de eventos. E deve iniciar nas próximas semanas a construção do oitavo atrativo, o Hollywood Dream Cars. O grupo já começou a construção de um hotel multipropriedade com 360 apartamentos.

O complexo turístico do Marco das Três Fronteiras também vai ser ampliado. A concessionária Cataratas do Iguaçu S/A será responsável pela revitalização da icônica construção do Espaço das Américas, idealizado pelo ex-governador Jaime Lerner 23 anos atrás e que se encontra abandonado. A Prefeitura obteve a cessão onerosa do imóvel com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), que agora será incorporado ao complexo do Marco das Três Fronteiras.

A Itaipu Binacional está finalizando as obras de revitalização do antigo mercado da Cobal, na Vila A, para transformá-lo no primeiro mercado público de Foz do Iguaçu. Previsão de inauguração é no primeiro semestre do próximo ano. Ao lado do mercado da antiga Cobal, Itaipu também está construindo um parque que terá pista de caminhada e ciclovia com mais de cinco quilômetros de extensão.

LOJAS FRANCAS

Foz do Iguaçu também aposta no turismo de compras como chamariz para a retomada das atividades no pós-pandemia. A instalação de lojas francas em cidades gêmeas de fronteira, na divisa terrestre com outros municípios de países vizinhos, é autorizada pela Receita Federal, que estipulou a cota de 300 dólares por mês, por CPF, para moradores e turistas. A autorização está baseada na Lei Federal nº 12.723, de 9 de outubro de 2012, e nas instruções normativas e portarias da RF, além de legislação estadual e municipal correlatas.

Além da cota de compras de 300 dólares nos free shops locais, turistas e moradores de Foz do Iguaçu e região terão direito a outra cota complementar no valor de 500 dólares quando atravessarem a fronteira com a Argentina e o Paraguai. Seis lojas estarão prontas até o final do ano e outras dezenas estão em estudo.

PROTOCOLOS SANITÁRIOS

Para a retomada das atividades do turismo, a secretaria de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu, em parceria com o Sebrae-PR, criou uma certificação dos atrativos, meios de hospedagem, restaurantes e demais estabelecimentos para atestar o cumprimento dos protocolos sanitários instituídos para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Mais de 200 estabelecimentos já receberam o Certificado de Responsabilidade Sanitária juntamente com o selo de Ambiente Protegido. A certificação tem se destacado como um diferencial do destino para resgatar a confiança do público regional e nacional, mostrando que Foz do Iguaçu é um destino responsável e seguro no enfrentamento da pandemia.

LITORAL E ILHA DO MEL

O que Foz do Iguaçu mostra vem acontecendo também em outras regiões do Estado. No litoral, obras na Ilha do Mel e em vários balneários mostram que o turismo será uma das principais alavancas para o crescimento, desenvolvimento e principalmente geração de emprego e renda.

No Paraná, as empresas do governo que promovem o setor do turismo, em parceria com instituições de apoio a empresários e as próprias empresas que atuam na área, não cruzaram os braços esperando a pandemia passar. Seguiram recomendações do governador Ratinho Junior, que priorizou ações agressivas ao setor, antes mesmo do aparecimento da trágica doença que já vitimou mais de 180 mil brasileiros. “A retomada do turismo representa geração de emprego e renda em todo o Estado”, pontua o governador.

A meta é recuperar a economia no setor a partir do turismo regional, com viagens de até de 200 quilômetros dentro do próprio Estado, principalmente nos segmentos ecoturismo, aventura e rural. Estes pontos fazem parte da cartilha de ações da Paraná Turismo que tem, como forte aliado, a TV Turismo, que além de descobrir novas atrações, também faz uma divulgação maciça em todo o Estado e fora dele.

Para recuperar o setor, foi feito uma aliança de trabalho envolvendo a Paraná Turismo, Invest Paraná e Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, em parceria de instituições representativas dos setores público e privado, que fazem parte do Conselho Paranaense de Turismo (Cepatur) e, ainda, das Instâncias de Governança Regionais (IGR’s) das 14 regiões turísticas do Paraná.

Ilha do Mel (Foto: Arnaldo Alves/ANPr)

DESTINOS NA ROTA

“Durante o isolamento social e o fechamento do comércio, trabalhamos incansavelmente para proporcionar uma retomada do turismo em todas as regiões do Estado. Queremos garantir que os destinos turísticos do Paraná entrem na rota dos paranaenses, dos brasileiros e dos estrangeiros, como foi determinado pelo governador", afirmou o secretário do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes.

Segundo a área de marketing da Paraná Turismo, a necessidade de refletir sobre um plano de retomada era iminente, uma vez que o setor no Estado vinha em franca ascensão. Até outubro de 2019, o Paraná era o segundo com o maior crescimento turístico do Brasil (5,4%) superando, inclusive, a média nacional (1,5%). Também houve um aumento de 23% de empresas que aderiram ao Cadastur, cadastro de prestadores de serviços turísticos, o que representa 1.183 novas empresas registradas em 2019. Além disso, o Paraná marcou presença em pelo menos 30 eventos do setor.

O turismo movimentou no País cerca de R$ 930 bilhões em 2019, além de gerar, até o início da pandemia, cerca de 25 milhões de empregos no Brasil. Os dados traziam otimismo para 2020. No entanto, em março, o início da pandemia atingiu o turismo em cheio, trazendo duras consequências ao trade de forma praticamente indiscriminada, desde os guias de turismo até as companhias aéreas.

DESTINO MORRETES

Morretes, terceiro destino turístico do Paraná, também vem experimentando melhorias no setor com a abertura de hotéis, pousadas, resorts e restaurantes. Depois de sete meses paralisada, a cidade passa a receber um grande número de visitantes nos finais de semana. A maioria é de curitibanos que deixam o confinamento em seus lares para curtir um pouco da natureza e desfrutar do prato típico, o barreado, servido nas dezenas de restaurantes da cidade. A volta do trem de turismo também aqueceu o setor de turismo local.

FATURAMENTO DO SETOR

O faturamento do setor de turismo no Brasil foi de R$ 70,4 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2020, resultado que representa uma redução de 33,6% em comparação a igual período de 2019. O levantamento, divulgado hoje (21), é da Fecomercio-SP, baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No período analisado, o resultado negativo do setor foi puxado principalmente pela queda nas viagens aéreas (retração de 68,8%) e pelos serviços de hospedagem e alimentação (diminuição de 43,2%). Atividades culturais, recreativas e esportivas também apresentaram redução relevante, de 33,3%, de janeiro a agosto de 2020.

O setor do turismo já acumula uma queda de R$ 182,86 bilhões em seu faturamento desde o início da pandemia de covid-19, estimou hoje a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) após a divulgação dos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O tombo na atividade do setor já resultou no fechamento de 446 mil empregos formais. A CNC o faturamento real do setor de turismo tombará 37,2% neste ano, com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia apenas no terceiro trimestre de 2023.

REABERTURA DA PONTE 

No Paraná, com as ações do governo, o setor já começa a dar sinais de recuperação e a cidade que mede esta temperatura é Foz do Iguaçu, um dos principais destinos do turismo no Brasil. A reabertura da Ponte da Amizade na fronteira entre o Brasil e o Paraguai soma força à campanha “Vem pra Foz”, desenvolvida por Itaipu Binacional e parceiros.

A avaliação é de Neuso Rafagnin, presidente do Sindhotéis (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares Foz do Iguaçu e Região). O dirigente destaca que agora a cidade reúne as condições essenciais para aquecer a indústria do turismo, em especial a hospedagem e gastronomia (estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte).

“São medidas que renovam nossas esperanças e nos enchem de força para retomada do turismo. Durante a pandemia, ficou evidenciada a importância de Ciudad del Este para Foz do Iguaçu e vice-versa. As duas cidades dependem fortemente uma da outra”, afirma o presidente do Sindhotéis.

Segundo ele, é preciso destacar que o turismo de compras é um dos grandes chamarizes para vinda de visitantes tanto quanto os atrativos iguaçuenses. A expectativa é de que já nos próximos dias os meios de hospedagem e gastronômicos retomem, ao menos em parte, o movimento de hóspedes e clientes.

A entidade reconhece e agradece a campanha “Vem para Foz” desenvolvida pela Itaipu Binacional, porém chama a atenção para que outras ações sejam implementadas para assegurar movimentação nos meses que restam neste ano e para o primeiro semestre de 2021. “Juntos, vamos vencer os desafios deste ano”, completa.