Voos internacionais só voltam aos níveis pré-pandemia ao final de 2023, prevê Abear

Martha Feldens

voos internacionais pós pandemia pré-pandemia

A retomada do movimento pré-pandemia nos voos internacionais das companhias aéreas brasileiras só deve acontecer ao final de 2023, segundo previsão da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). As restrições de muitos países à entrada de voos originados no Brasil ainda se mantêm e a expectativa do setor é que agora, com a reabertura do mercado norte-americano nesta segunda-feira (8), o movimento internacional chegue a 40% do que era antes da covid. Até a semana passada, esse índice estava em 25%, segundo o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz.

A má imagem do Brasil no exterior por causa da condução do combate à pandemia prejudicou a reabertura dos mercados e ainda há muitos países que não têm qualquer previsão de abrir seus aeroportos para os voos que saem do Brasil. Com isso, segundo Sanoviz, as companhias sofrem duplamente: têm uma baixa receita gerada em dólares e um alto custo fortemente dolarizado.

Entre as companhias brasileiras, a Latam é a que mais sofre com essa restrição aos voos para fora, já que tinha, antes da pandemia, em torno de 50% de seu faturamento ligado aos voos internacionais. Mas mesmo companhias como a Gol e a Azul, segundo o dirigente, também sofrem prejuízos, com malhas internacionais que variavam de 10% a 22% do seu movimento total.

O custo da aviação

Sanoviz explica que 51% do custo da aviação no Brasil é cotado totalmente em dólar. O querosene, combustível usado pelos aviões, fica em torno de 35% a 37% desse custo. E só neste ano, lembra ele, esse querosene já subiu 91,7% no país.

Outros 17% a 18% do custo vêm do leasing das aeronaves, que, segundo Sanoviz, seguem a flutuação do câmbio. 

Ainda assim, diz o dirigente, os preços das passagens estão 18% abaixo dos níveis pré-pandemia. “Claro que se comparados aos preços de junho, eles subiram. Mas ainda estão abaixo”, disse.

Mercado doméstico se normaliza em março de 2022

A previsão da Abear é de que o mercado de voos domésticos, que hoje já atinge 75% do que era na pré-pandemia, chegue aos 100% em março de 2022. 

Sanovicz explica que houve uma mudança no perfil dos viajantes dentro do país. “Vemos um público novo, forte no lazer e menor no corporativo”. Porém, a expectativa é de que os 25% que ainda faltam para chegar aos níveis pré–covid sejam alcançados com a retomada do setor de eventos em todo o país.

 

A jornalista Martha Feldens viajou a São Paulo a convite da Fundação 25 de Janeiro e da Abear

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