Paes e Crivella disputam segundo turno no Rio de Janeiro

Italo Nogueira - Folhapress

Paes e Crivella disputam segundo turno no Rio de Janeiro

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) vai enfrentar seu sucessor no cargo, Marcelo Crivella (Republicanos), no segundo turno da eleição para a capital do Rio de Janeiro.

Com 99,97% das urnas apuradas até as 23h01, Paes aparece com 37,01% dos votos válidos, e Crivella, 21,90%. O atual prefeito superou a concorrência das deputadas Martha Rocha (PDT), com 11,30% até aqui, e Benedita da Silva (PT), com 11,27%.

Os dois candidatos que permanecem na disputa superam, assim, as operações policiais de que foram alvos às vésperas do início da campanha. Ambos também disputam graças a liminares concedidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que suspenderam os efeitos de condenações do TRE-RJ que os tornavam inelegíveis.

O candidato do DEM larga com ampla vantagem sobre o atual prefeito no segundo turno, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no sábado (24). Na simulação de segundo turno que se confirmou nas urnas, Paes tinha 57% da preferência do eleitorado, contra 22% de Crivella.

Pesa contra o candidato do Republicanos uma altíssima taxa de rejeição, que chegava a 62% no sábado. Crivella deve reforçar a aposta na vinculação de sua imagem à de Jair Bolsonaro, como fez ao longo do primeiro turno, a fim de garantir os eleitores que apoiam o governo do presidente (28% na capital, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira).

A tendência é que Paes obtenha o apoio dos principais adversários, incluindo PT e PDT. A oposição a Bolsonaro vê um eventual fracasso de Crivella como uma forma de impor derrota ao presidente em seu colégio eleitoral.

O ex-prefeito deve centrar sua campanha na comparação entre a sua administração e a do atual prefeito, mal avaliada. Deve apostar na imagem de bom gestor.

“O Rio não pode mais arriscar, não pode mais errar”, disse Paes ao votar pela manhã.

Crivella, por sua vez, apontará um suposto caos financeiro deixado por Paes como a causa de problemas em sua gestão, bem como destacar casos de corrupção na administração do adversário.

“Bom gestor é quem escolhe secretário que não rouba e não é preso”, afirmou Crivella ao votar, em referência ao ex-secretário de Obras da gestão Paes, Alexandre Pinto, que confessou ter recebido propina e implicou o ex-prefeito no esquema de corrupção.

Também concorreram na disputa o deputado Luiz Lima (PSL), a deputada Renata Souza (PSOL), o economista Eduardo Bandeira de Melo (Rede), o vereador Paulo Messina (MDB), a deputada Clarissa Garotinho (Pros), a ex-juíza Glória Heloiza (PSC), o economista Fred Luz (Novo), Cyro Garcia (PSTU), Suêd Haidar (PMB) e Henrique Sominard (PCO).

A campanha eleitoral na cidade começou tendo como marco operações policiais que atingiram os dois que chegam ao segundo turno.
Paes foi alvo de busca e apreensão em razão de uma acusação por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral pela prática de caixa dois na eleição de 2012 com recursos da Odebrecht. Ele se tornou réu e responde pelos supostos crimes na Justiça Eleitoral.

Crivella, por sua vez, também sofreu buscas em sua casa e gabinete numa investigação sobre um suposto esquema de cobrança de propina dentro da prefeitura. Ainda não há denúncia nesse caso.

O atual prefeito também sofreu um revés no TRE-RJ no início da campanha ao ser condenado por conduta vedada a agentes públicos na campanha de 2018.

A Justiça entendeu que ele convocou funcionários da Comlurb (empresa pública de limpeza urbana) para ato de pré-campanha de seu filho Marcelo Hodge Crivella, candidato a deputado federal -ele não foi eleito.

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados por conduta vedada.

Condenação pela mesma infração recai sobre Paes em decisão do TRE-RJ de 2017. Os desembargadores viram irregularidade no fato do deputado Pedro Paulo (DEM) ter apresentado em 2016 como programa de governo para a Prefeitura do Rio de Janeiro o resultado de uma consultoria contratada pelo próprio município durante a gestão Paes.

Paes obteve uma liminar no TSE para concorrer em 2018. O tribunal ainda não julgou o mérito do recurso. O relator do processo, ministro Luiz Felipe Salomão, disse que manifestará seu voto após a eleição.

Crivella também obteve uma decisão provisória para concorrer. O relator do caso do atual prefeito, ministro Mauro Campbell, já manifestou seu voto a favor da manutenção da candidatura do atual prefeito.

Neste cenário, Martha tentou se apresentar como uma terceira via. A mistura de nome de urna com a referência a delegada e as pautas de esquerda, porém, não foi suficiente para atrair votos de eleitores progressistas ou próximos do bolsonarismo.

A pedetista tentou ameaçar a polarização entre Paes e Crivella, mas os ataques que sofreu dos dois ao longo da campanha frearam sua evolução.

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