Eleições 2020: Veja o que Paulo Opuszka pretende fazer se eleito prefeito de Curitiba

Redação

paulo opuszka, candidato, prefeito, curitiba, candidatos prefeitura curitiba, candidatos a prefeito de curitiba, eleições, eleição, eleições 2020.jpg

Paulo Opuszka é candidato a prefeito de Curitiba pelo PT nas Eleições 2020. Ao Paraná Portal, ele falou sobre o que pretende fazer caso seja eleito, abordou suas principais propostas e como pretende agir durante o pós-pandemia.

1. Por que o senhor acredita que deve assumir a Prefeitura de Curitiba?

Paulo Opuszka: Um olhar para a cidade que temos hoje deixa evidente que é preciso mudar de direção. O atual prefeito tem governado para uma elite e não para o conjunto da população de Curitiba. Como advogado e professor sempre tenho a oportunidade de conhecer diferentes realidades, diferentes necessidades dos curitibanos. Após me formar em Direito eu decidi atuar junto aos sindicatos e aos trabalhadores, dali me especializei em cooperativismo popular e depois em economia solidária. E essas experiências foram fundamentais para a minha percepção de mundo. Elas se somam às experiências do delegado Pedro Filipe no que propomos para Curitiba.

À frente da administração municipal iremos priorizar pessoas e áreas até então ignoradas. Acreditamos que é fundamental olhar para as periferias, pois melhorias nessas regiões acarretam benefícios para toda a cidade. Temos o objetivo de diminuir o abismo entre privilegiados e excluídos. As pessoas que vivem nas periferias precisam de emprego, de renda, de acesso a bens e serviços. Os filhos dos homens e mulheres dessas localidades têm de ter acesso a educação e precisam, de fato, ter perspectivas. Não é apenas falar em colocar todos na escola, por exemplo. É fazer com que essas crianças sonhem, planejem um futuro que pode, sim, ser diferente daquele que seus pais tiveram. Um futuro que mostre a elas: olha, você pode estudar, trabalhar, continuar estudando se quiser.

Acredito que devo assumir a prefeitura de Curitiba porque tenho um olhar para o conjunto da população. E é isso é importante as pessoas entenderem: melhorar a vida de alguns não significa piorar a de outros. Em hipótese alguma. Quero que as chances que eu tive de estudar, de me desenvolver profissionalmente, sejam as chances de todos. Que as pessoas possam escolher seus destinos e não que tenham de aceitar o ciclo que é imposto a elas. E para alcançar essas mudanças que propomos, vamos adotar um modelo de gestão que converse com todos os setores.

Acredito muito que, no momento em que uma pessoa é eleita, ela deve assumir que representa aqueles que depositaram a confiança nela e também os que não a escolheram. Isso é democracia. Não se pode ter à frente da prefeitura alguém que priorize seus interesses particulares. A cidade precisa cuidar de todos e de todas.

2. Quais são os principais desafios que o senhor deverá enfrentar no caso de ser eleito?

Paulo Opuszka: Curitiba vem assistindo um sucateamento de diversas áreas. Creio que os desafios mais imediatos nos são dados pela situação que o mundo atravessa que é a de enfrentamento da pandemia e de como os governos locais têm lidado com a situação. Isso, evidentemente, afeta o período pós-pandemia. Vemos diversas áreas com problemas claros. A economia e a recuperação de empregos é um dos que mais preocupa já que vemos as pessoas perdendo empregos, micro e pequenas empresas fechando suas portas, pessoas voltando a passar fome, sem nenhuma perspectiva de renda, sem acesso a moradia e a bens e serviços que deveriam ser ofertados a todos.

Além disso, há a questão da educação. Estamos às vésperas de voltarmos às aulas presenciais, mas ainda não sabemos de que modo isso vai afetar nossas crianças, de que forma isso se desdobrará. Do mesmo modo, as aulas virtuais não englobam todos.

Quando a pandemia chegou, muitos ficaram em casa para se proteger, mas o trabalhador, que é quem faz a máquina girar, teve de ir pra rua e tem sido vítima não apenas da doença, mas de tudo o que veio com ela. Vimos crescer o número de pessoas que pegam uma bicicleta e vão entregar comida nas casas dos que podem trabalhar em casa, mas quantas vezes nos perguntamos se esse trabalhador está amparado? Se ele tem o que comer? Sugiro que as pessoas conversem com essas pessoas, vão se surpreender quando ouvirem que alguns passam o dia com água.

Some-se a isso a crise hídrica que atinge a cidade. A falta de chuvas evidencia um descaso das últimas administrações. Estamos no século XXI, não podemos vender a ideia de que apenas as mudanças climáticas são responsáveis pela falta d’água nas casas dos curitibanos. Não. Falta água, mas porque também faltou planejamento.

3. Destaque suas principais propostas para resolver os problemas que o senhor acredita que a cidade possui?

Paulo Opuszka: Defendemos ações emergenciais que promovam a recuperação e a geração de renda, assim como a retomada da economia. Vamos recriar a Secretaria Municipal do Trabalho e Renda como condutora de trabalhos nessas áreas. Dentro da proposta de economia solidária e da recuperação do poder de compra dos curitibanos, vamos instituir o Renda Curitibana. Trata-se de um programa nas linhas do Bolsa Família e da Lei 10.835/2004 – do então senador Eduardo Suplicy-, sob a perspectiva da realidade local. A intenção é que, a partir de recursos municipais, a cidade possa ofertar aos cidadãos que fazem parte do Cadastro Único federal, uma complementação de renda. Para que a Renda Curitibana se concretize sem afetar a sustentabilidade das contas públicas, os moldes do projeto serão apresentados e discutidos junto à Assembleia Legislativa.

A recuperação econômica, é importante que se diga, será debatida em conjunto com os micro e pequenos empresários, afinal, eles estão sendo atingidos mais fortemente pela crise. Também defendemos uma cooperativa municipal de microcrédito que forneça capital básico a microempreendedores individuais e microempresas. Acreditamos que isso é um elemento importante na retomada da geração de emprego e renda.

Curitiba tem pontos fracos no planejamento urbano que são a moradia e a regularização fundiária. Só no CIC, para termos uma ideia, são cerca de 30 mil pessoas em condições de moradias precárias. Mas as últimas gestões priorizaram isso? Não. Focaram em bairros já infraestruturados e lá priorizaram recapeamento de asfalto, substituição de lâmpadas e coisas assim. Propomos a criação da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano que elabore um Plano Municipal de Habitação, defina projetos prioritários e de que forma os recursos serão aplicados. Propomos destinar pelo menos 2% do orçamento municipal para a habitação porque enfrentar esse problema não é apenas discurso, precisamos de recursos compatíveis com as mudanças propostas. Vamos implantar o Programa Moradia Primeiro, que tem como beneficiários os moradores de rua.

Outro ponto importante é a questão do transporte urbano. Desde a licitação de 2010 temos visto as passagens aumentarem de valor sem que a qualidade dos serviços acompanhem isso. Uma das ações imediatas que propomos é revisar os contratos de concessão e a adoção de um novo modelo já que os contratos vencem em 2025. Também vamos instituir um planos de gratuidade e de tarifas diferenciadas para estudantes e para a população de baixa-renda. Ainda sobre a mobilidade, vamos criar um aplicativo metropolitano baseado no cooperativismo. Assim, driblamos a uberização e ofertamos aos trabalhadores melhor remuneração e garantias trabalhistas e previdenciárias.

Lançaremos o Pacto pela Água. A ideia é, por exemplo, garantir investimentos necessários nas obras de ampliação do sistema de captação de água; distribuir caixas d’água para famílias de baixa renda; garantir às famílias beneficiárias de programas de transferência de renda o acesso à tarifa social; e preservar nascentes e mananciais.

Também temos um olhar especial para a educação e todos que estão envolvidos nessa área. Vamos revogar o Pacotaço do Greca e restabelecer os direitos de servidores que tiveram seus planos de carreira congelados. Nossa administração adotará políticas que valorizem os profissionais da área, que os remunerem adequadamente e que permitam o desenvolvimento e a qualificação profissional desses trabalhadores.

4. Como o senhor pretende trabalhar junto aos governos estadual e federal na administração da cidade?

Paulo Opuszka: Muitas vezes prefeitos, governadores e governo federal estão em lados opostos no espectro político. Acredito que ao ser eleito a pessoa leva consigo seus ideais e propostas, mas não governa para si nem para os seus. Pelo contrário, governa para todos. Isso é o que chamamos de democracia e que conquistamos a tão duras penas. À frente da prefeitura o principal dever é fazer o melhor para os cidadãos de Curitiba e é isso que nos move. Pretendemos manter o bom diálogo com as demais esferas do poder público, sempre levando nossas propostas e ouvindo a experiência dos colegas vereadores, secretários e equipes técnicas, assim como as demandas da sociedade. É no município que as coisas acontecem e é importante resgatar isso para que as pessoas entendam que o direito que começa nas cidades, as demandas das cidades, por mais micro que sejam, servem de mola propulsora para as políticas mais amplas.

5. O que o senhor fará para gerar empregos e renda já que os próximos anos deverão ser difíceis devido aos impactos da pandemia?

Paulo Opuszka: Em nosso plano temos algumas propostas, algumas citadas anteriormente. Além delas, apostamos na economia solidária, enquanto política pública, como forma de combate à desigualdade já que promove o desenvolvimento sustentável. Isso é fundamental em um momento no qual o modelo vigente coloca em pólos opostos o crescimento econômico e a equidade e a justiça social. Sabemos que a crise tende a aprofundar as diferenças e isso, como já vimos e estamos vendo, não beneficia ninguém.

Também pensamos o desenvolvimento dos bairros de acordo com suas vocações. Defendemos isso porque compreendemos o município como organizador e incentivador da produção, mas também como um grande consumidor. Por isso, é fundamental trabalhar esses conceitos em conjunto. Queremos fomentar a indústria local para gerar empregos e riqueza na cidade e na região. Com isso a gente pode tirar aquele custo que é embutido nos produtos e que diz respeito à logística do transporte. Precisamos produzir tudo? Certamente não, mas muita coisa pode ser produzida aqui e isso fará a roda girar e trazer crescimento sustentável para nossa cidade.


Para acompanhar o candidato, siga Paulo Opuszka no Facebook e no Instagram.

Previous ArticleNext Article