Conheça Professora Elizabeth, candidata a prefeita de Ponta Grossa neste segundo turno

Jorge de Sousa

Conheça Professora Elizabeth, candidata à prefeita de Ponta Grossa neste segundo turno

Ponta Grossa decide neste domingo (29), quem será a primeira mulher a vencer uma eleição para prefeita na história do município dos Campos Gerais. Mabel Canto (PSC) e Professora Elizabeth (PSD) serão protagonistas deste bate-chapa.

No primeiro turno, a deputada Mabel Canto fechou a apuração com 37,27% dos votos válidos (61.702 votos), enquanto Professora Elizabeth ficou com 31,15% dos votos válidos (51.565 votos).

Para auxiliar os cidadãos de Ponta Grossa neste segundo turno, o Paraná Portal entrevistou as duas candidatas sobre as motivações, apoios e os primeiros atos em caso de vitória neste domingo.

QUEM É PROFESSORA ELIZABETH?

Professora Elizabeth é a atual vice-prefeita de Ponta Grossa na chapa de Marcelo Rangel (PSD), sendo a candidata apoiada pela máquina pública nessa eleição.

“Eu acredito que toda minha experiência de vida faz parte dessa composição que não é só estrutural, mas conjuntural também, que fazem com que eu acredite que possa ser a prefeita. Eu estive por 106 dias como prefeita nas ausências do prefeito e a experiência foi muito enriquecedora”, explicou a candidata.

Elizabeth Schimdt teve sua primeira experiência na vida pública em 2000, quando foi candidata a vice-prefeita na chapa de Carlos Tavarnaro, derrotada naquele pleito por Péricles de Holleben Mello (PT).

“Eu enquanto vice-prefeita já estou fazendo história. Fui a primeira a se candidatar, a primeira a se eleger e assumir o mandato. Eu acredito que isso já foi preponderante para a abertura de caminhos, que eu recebi das minhas antecessoras, de pessoas nas quais eu me espelhei para mostrar que política também é coisa de mulher”, continuou Professora Elizabeth.

A candidata ainda destacou que pretende tomar como um dos primeiros atos em caso de vitória a implantação de novas ferramentas para o empreendedorismo, em especial para o microempresário.

“Fazer com que essas pessoas que tiveram que ir para a informalidade possam voltar como MEI (microempreendedor individual), tendo crédito no Programa de Microcrédito e no Programa Descomplica para diminuir burocracia para as pessoas”, completou Professora Elizabeth.

Confira abaixo na íntegra a entrevista com Professora Elizabeth:

O que a motivou a deixar as salas de aulas e entrar na política, agora disputando a Prefeitura de Ponta Grossa?

Eu fui professora por muitos anos e eu professora de sociologia na universidade (UEPG). A sociologia é a ciência que estuda a sociedade. Então eu sempre queria levar aos meus alunos a importância do comprometimento de todas as pessoas para transformar a sociedade. Não era simplesmente apontar o erro dos outros e ficar aqui de fora apontando ou aplaudindo sem fazer nada. Que a gente tinha que ter compromisso.

Eu sempre gostei muito da política e participei de partidos de políticos desde muito jovem. Em 2000 eu fui candidata a vice-prefeita e algo que simplesmente me alçaram. Era uma contingência muito difícil na cidade à época, porque tinha uma polarização entre dois candidatos e a gente foi uma terceira via, que sabíamos que seria apenas para possibilitar esse caminho. Depois fui suplente da Nitis Jacon (PSDB) ao Senado em 2002 e em 2014 eu fui candidata a deputada federal. Nesse meio tempo eu fui secretária de cultura e secretária de cultura e turismo e entre 2015 e 2016 eu fui secretária de administração e de direitos humanos do prefeito Marcelo Rangel. E aí também tive o grato convite de ser a candidata à vice na chapa junto com ele no segundo mandato e fomos vitoriosos. Agora estou eu aí nessa corajosa empreitada.

Como você avalia sua experiência como vice-prefeita e como ela pode auxiliá-la em caso de vitória?

Eu acredito que toda minha experiência de vida faz parte dessa composição que não é só estrutural, mas conjuntural também, que fazem com que eu acredite que possa ser a prefeita. Só em pensar que no início do século passado as mulheres estavam lutando para poderem votar e agora estão lutando para serem votadas, isso é extraordinário na minha vida. Eu sempre fiz muitas palestras e atividades sobre a contribuição da mulher e eu estive operando em todo lugar que você imagina. Enquanto professora, eu também sou rotariana de longa data, assim como meu pai, sempre me dediquei muito às entidades sociais. Eu sou a fundadora da Sociedade Hípica de Ponta Grossa, eu sou fundadora do Conselho da Comunidade Ligado a Vara de Execuções Penais, todas as áreas que eu me envolvi fizeram a construção da pessoa que eu sou.

E é essa pessoa que está sendo candidata à prefeita, com esse comprometimento com a cidade e com a experiência e responsabilidade colocada à disponibilidade das pessoas. Ser vice-prefeita até 31 de dezembro me fez estar muito mais perto das questões que envolvem a gestão pública e eu adoro o que eu faço. Eu estive por 106 dias como prefeita nas ausências do prefeito e a experiência foi muito enriquecedora. Em especial, na época da Greve dos Caminhoneiros, o prefeito estava em Curitiba pegando um avião para o exterior e aí as pessoas diziam “como o prefeito abandonou a cidade nesse momento” e nesse período eu criei um comitê de crise e unimos as forças de segurança no período. E quando me perguntaram, eu disse que o prefeito é uma prefeita e que fez várias coisas no período. O preconceito é enorme e eu estou enfrentando preconceitos de todos os tipos, mas já estou acostumado e tenho que me impor, tem que colocar e se dar o respeito.

Essa eleição em Ponta Grossa irá colocar a primeira mulher como prefeita na cidade. Como a deputada encara essa oportunidade e se, na sua visão, isso pode abrir espaço para o aumento de candidatas mulheres no município e no estado?

Eu acredito que eu enquanto vice-prefeita já estou fazendo história. Fui a primeira a se candidatar, a primeira a se eleger e assumir o mandato. Eu acredito que isso já foi preponderante para a abertura de caminhos, que eu recebi das minhas antecessoras, de pessoas nas quais eu me espelhei para mostrar que política também é coisa de mulher, que não existe diferença de gênero na competência em qualquer área, não só na política. Então é benéfico no que se refere a abertura de caminhos, inclusive se pode notar que diversas mulheres foram eleitas prefeitas, três somente na nossa região.

Em Ponta Grossa, tivemos três vereadoras eleitas, enquanto na última magistratura tínhamos apenas uma e em toda história apenas sete tiveram mandato. Então isso estimula as pessoas a pensar naquilo que eu acredito, que as políticas públicas existem porque todas as pessoas da cidade, incluindo as mulheres, querem a melhor saúde, educação, segurança e tudo mais para seus queridos. Então na área política, realmente o que interessa é essa competência e essa capacidade de aliar as pessoas e fazer com que essas pessoas sejam integradas. Eu tenho esse perfil de agregar e não desagregar, fazer com que todos se voltem para o mesmo objetivo. Isso é algo do caráter das pessoas, indiferente se seja homem ou mulher.

Eu sempre digo que um homem ou mulher político não tem diferença nenhuma, precisam ter caráter, honestidade, responsabilidade, trabalho e compromisso para fazer com que a política seja bonita e como ela é na teoria, porque a ciência política é muito bonita, o problema é quando se coloca em prática e eu estou fazendo minha parte para colocar o melhor que posso para mudar o que tem de ranço na política. Eu não fiz acordo com ninguém e nem vendi meu caráter por tempo de acordo de TV e mesmo assim estou no segundo turno.

Mesmo já tendo disputado outras eleições, é possível colocar a candidata dentro do grupo de novos nomes na política paranaense. Como a senhora avalia a importância da renovação dentro da política?

É importante e deveria acontecer naturalmente. Os grupos geralmente eles querem novos nomes, pessoas novas, pessoas que tenham possibilidade de projeção futura. Aí comigo, parecia ser algo natural por eu ser a vice e aí teve um momento que eu disse não, porque minha família não queria que eu fosse candidata, mas hoje estou aqui e sinto a aceitação, receber 51 mil votos é muita coisa, é espetacular. As pessoas acreditando, dizendo que estavam comigo, mesmo comigo quase não pedindo votos, as pessoas ofereciam os votos para mim pela minha história de vida. E isso me deu muito ânimo e me fez que tinha a possibilidade de vencer essa eleição. Durante todo esse período, eu recebi da maioria dos partidos políticos vieram me convidar para entrar no partido e ser a candidata à prefeita deles. Isso me deu uma honra enorme, porque é uma caminhada, é uma história de vida que a gente vai construindo e que as pessoas vão te fortalecendo no fim da história.

Como a candidata avalia o peso na campanha em receber o apoio do atual prefeito e do governador do Paraná?

Eu vou ser eleita prefeita de Ponta Grossa com o apoio de todas essas personalidades e da maioria da população que acredita e vê como Ponta Grossa historicamente era brigada com o governador. Ponta Grossa não aparecia no mapa do Paraná, era apenas uma cidade próxima de Curitiba. Hoje com esse alinhamento, em oito anos a cidade deu uma guinada. A cidade não é mais a mesma, nós estamos no mapa do Paraná e do Brasil. Ponta Grossa é importante para o Paraná, se vamos bem o estado vai bem também. Além do partido, tem essa questão de garantia que Ponta Grossa vai avançar cada vez mais. Eu não estou brigada com o governador, ele veio aqui me trazer apoio. Fui até ele pedir obras de asfalto aqui na cidade. Então tem uma importância enorme para a cidade conseguirmos esse apoio e as pessoas enxergarem isso. Nós precisamos continuar crescendo, porque em pouco tempo Ponta Grossa teremos mais de 500 mil habitantes e com isso cresce todas as possibilidades e as dificuldades e nós temos que ter esse grupo de apoio para nos ajudar.

Se eleita no próximo dia 29, quais serão suas prioridades à frente da Prefeitura de Ponta Grossa?

Dia 2 de janeiro, porque no dia 1 de janeiro vai ser a posse de saia e farda com o Capitão Saulo, nós vamos começar a distribuir tarefas e serviços aos secretários, que ainda não sei quem são, para que realmente a nossa cidade se fortaleça cada vez mais na industrialização e no pós-pandemia, que irão receber medidas prioritárias. Porque as pessoas esperam de um governante a capacidade de fazer acontecer as mudanças para avançar sempre. Temos que garantir em primeiro lugar a manutenção da esperança, sustentar a vida e dignidade com muito emprego. Porque as pessoas querem asfalto na porta de casa, escola para todo mundo e inovação na saúde. Por isso, as primeiras ações também terão foco no empreendedorismo, fazer com que essas pessoas que tiveram que ir para a informalidade possam voltar como MEI, tendo crédito no Programa de Microcrédito e no Programa Descomplica para diminuir burocracia para as pessoas. Meu compromisso é garantir que nossa cidade cada vez mais se torne inteligente e preparada para o futuro, sendo maior, melhor e mais humana.

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