Reeleito em Curitiba, Greca afirma que resultado das urnas é reconhecimento

Angelo Sfair e Vinicius Cordeiro

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Reeleito prefeito de Curitiba neste domingo (15), com 59% dos votos válidos, Rafael Greca (DEM) afirma que o resultado das urnas reflete o reconhecimento dos cidadãos. Citando a pandemia do coronavírus, ele avalia que 2020 foi um ano singular, culminando em uma campanha difícil.

“É com imensa alegria que eu assumo, pela terceira vez, a obrigação de carregar comigo todas as necessidades, todas as potencialidades, todas as energias, todas as alegrias e também todas as dores da nossa amada Curitiba”, comemorou.

Rafael Greca criticou a postura de parte dos adversários, e disse que foi alvo de desaforos. “Foi um ano singular. Nós fomos fustigados por uma pandemia. Foi uma campanha difícil, com adversários que usavam o desaforo na proporção da sua ausência de argumentos”, avaliou o prefeito reeleito.

“Curitiba, em quatro anos, será ainda melhor, mais bonita e mais justa do que a que temos hoje. E vamos oferecer cada dia desse novo mandato pra que a proposta da inovação triunfe”, celebrou, ao lado de apoiadores.

O prefeito Rafael Greca iniciará, em 2021, o terceiro mandato à frente da Prefeitura de Curitiba. Além da gestão 2016-2020, o engenheiro também conduziu a capital do Paraná entre 1993 e 1996.

A vitória foi confirmada às 19h41, mais de duas horas depois da primeira parcial divulgada. Em nota, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) afirmou que houve lentidão no processo da soma dos votos e assegurou que o atraso não teve qualquer relação com o vazamento de dados pessoais de servidores e nem mesmo tentativa de ataque cibernético registrada pela manhã.

Pela parcial, Goura (PDT) aparece na segunda colocação, com 13,26% dos votos válidos, e Fernando Francischini (PSL), apontado no início da corrida eleitoral como principal adversário de Greca, é o terceiro coloocado, com 6,26% dos votos.

Vitorioso, Greca teve a campanha marcada pela ausência nos debates e por ter contraído a covid-19. No final de setembro, por causa da doença, ele desenvolveu uma pneumonia leve, mas se recuperou em poucos dias e retomou as funções na prefeitura.

Rafael Greca votou no Colégio Júlia Wanderley, no bairro Batel, às 9h da manhã. Ele passou a tarde em casa e, após comparecer ao TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral), comemorou a vitória em seu comitê, na Vila Hauer.

No entanto, a celebração deve durar pouco. Curitiba tem aumento recorde nos casos confirmados de coronavírus. Ontem (14) foi o tercaeiro dia seguido com mais de 700 confirmações, marca jamais registrada nesta pandemia. Ao Paraná Portal, o diretor do Centro Epidemiológico da SMS (Secretaria Municipal da Saúde), Alcides de Oliveira, atribuiu a alta ao “fator feriado” no início do mês e disse que a prefeitura não deve restringir as atividades por enquanto.

ELEIÇÃO EM CURITIBA É MARCADA POR FOLGA DE GRECA E ALTERNÂNCIA NA SEGUNDA COLOCAÇÃO

Rafael Greca, que voltou ao partido Democratas em 2019, foi favorito do início ao fim das Eleições 2020. Por causa da aliança feita com o governador Ratinho Junior (PSD), viu dois adversários fortes – Ney Leprevost (PSD) e Luciano Ducci (PSB) – desistirem da corrida eleitoral.

Nesse cenário, Greca foi apontado o favorito ao cargo de prefeito de Curitiba da primeira à última pesquisa eleitoral.

O momento crítico da corrida eleitoral foi quando o adversário Fernando Francischini (PSL) fez uma série de acusações à atual administração. Greca foi acusado de favorecer familiares em contratos das obras no asfalto da cidade, desviar dinheiro da prefeitura e desapropriar terrenos da própria família com recursos do PAC 2 (Plano de Aceleração do Crescimento), do governo federal, em projeto contra enchentes.

O deputado estadual chegou a protocolar, no MPF (Ministério Público Federal), representação contra Greca por improbidade administrativa. A estratégia não deu certo e Francischini, até então apontado como segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, acabou perdendo a colocação para Goura (PDT), deputado estadual.

Em entrevista coletiva, Greca afirmou que a campanha dos adversários foi medíocre.

GRECA TEVE COVID-19 DURANTE CAMPANHA E FUGIU DE DEBATES

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Greca deixando o hospital após ter se recuperado da covid-19. (Divulgação)

Rafael Greca e a primeira-dama, Margarita Sansone, foram diagnosticados com covid-19 no dia 22 de setembro. Eles foram internados em um hospital de Curitiba cinco dias depois. O prefeito teve uma pneumonia leve, enquanto Margarita desenvolveu a doença de forma moderada.

Contudo, a recuperação de Greca aconteceu em três dias. Ele foi atendido pelo médico Clóvis Arns, presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e consultor da Secretaria Municipal da Saúde durante a pandemia de covid-19. Apesar da alta, Greca ficou em repouso domiciliar durante alguns dias antes de voltar à prefeitura.

Enquanto estava internado, o Paraná Portal elaborou uma linha do tempo e apurou que Greca passou a fazer exames para covid-19 após um encontro presencial com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Os dois se reuniram no dia 12 de setembro, quatro dias antes de o parlamentar testar positivo para a doença.

Além disso, a linha do tempo do Paraná Portal destacou que Greca já sabia que estava infectado quando divulgou que não participaria do único debate da TV aberta, promovido pela Band, na eleição em Curitiba.

Ao justificar a ausência, Greca preferiu não revelar que estava infectado. Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que o ambiente da emissora não estava “de acordo com as normas de segurança sanitária, com as distâncias respiratórias necessárias”.

Em nota, a Band rebateu e afirmou que cumpriu todos os protocolos. O ambiente de 128 m², que contou com divisórias de acrílico entre os púlpitos, foi elogiado pelos demais candidatos.

Todavia, a ausência nos debates foi uma estratégia de Greca, que não participou de nenhuma conversa pública com qualquer outro candidato e cancelou entrevistas pré-agendadas com outros veículos de comunicação.

QUEM É RAFAEL GRECA

(Geraldo Bubniak / AGB)

Rafael Greca é formado em engenharia e funcionário aposentado no Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba).

Começou a trajetória política em 1982, quando foi eleito vereador pelo PDS. Posteriormente, no início dos anos 90, migrou para o PDT com Jaime Lerner, então prefeito da capital paranaense e padrinho político do engenheiro. Em 1992, Greca foi eleito prefeito de Curitiba pela primeira vez.

Depois do seu primeiro mandato, filiou-se ao PFL (atual DEM) e foi escolhido como ministro do Esporte e Turismo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Após a passagem pelo governo federal, migrou para o PSDB. Em 2012, foi derrotado por Gustavo Fruet no primeiro turno das eleições para a Prefeitura de Curitiba.

Em 2016, foi candidato pelo PMN e venceu Ney Leprevost, no segundo turno, com 53,25% dos votos. No ano passado, retornou ao Democratas e agora comemora a reeleição com folga.

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