2018: o ano da afirmação do Athletico no futebol brasileiro

Vinicius Cordeiro


2018 foi especial para o Athletico. Além da mudança no nome e do título estadual, o clube se sagrou campeão da Copa Sul-Americana. Com 94 anos de história, a última conquista de expressão do Furacão foi em 2001, quando triunfou no Campeonato Brasileiro.

O inédito título internacional coloca a equipe em outro patamar no âmbito nacional, mas o sucesso rubro-negro se passa muito por Tiago Nunes. Foi ele quem começou a temporada no comando técnico do time de aspirantes. Com a mesma postura de ignorar o Campeonato Paranaense, o Athletico colocou seu time principal para treinar com o técnico Fernando Diniz. A ideia era enraizar o estilo de jogo do comandante, com posse de bola e movimentação, em todas as categorias do clube.

Ninguém mais no Brasil consegue privar o seu elenco principal para ficar sob treinamentos durante o Estadual. Enquanto isso, os aspirantes  agradavam em campo. Nunes colocou os jovens e funcionou: o goleiro Caio, Zé Ivaldo, Léo Pereira, Renan Lodi, Bruno Guimarães, João Pedro e o experiente Ederson deram resultado, também orientados pelos experientes Emerson Silva e Pierre. Apesar da eliminação para o Rio Branco, nos pênaltis, durante o primeiro turno (Taça Dionísio Filho), a equipe conquistou a Taça Caio Júnior e derrotou o rival Coritiba para se sagrar campeão regional.

‘Era Diniz’

No time principal, Fernando Diniz sobreviveu nas fases iniciais da Copa do Brasil e Sul-Americana. Chegou a 10 jogos de invencibilidade, jejum interrompido quando o Palmeiras (que viria a se tornar campeão brasileiro) foi à Arena da Baixada e derrotou os mandantes por 3 a 1. O confronto levantou a dúvida se as ideias diferentes do treinador com aquele nível de plantel conseguiria competir com os grandes elencos do Brasil – vale lembrar que o time de Diniz empatou por 0 a 0 com o Grêmio, campeão da Libertadores e sob comando de Renato Gaúcho, em um dos duelos mais elogiados do torneio nacional. A partir dali, Diniz começou a perder o elenco.

Tentando fazer ajustes e reencontrar os resultados, o recém anunciado treinador do Fluminense fez diversas improvisações e mudanças na equipe, mas não funcionou. O péssimo aproveitamento ficou escancarado no empate sem gols contra o rival Paraná, pior time da Série A 2018. Durante os 90 minutos do clássico, o Athletico chutou uma única vez ao gol paranista. Não demorou para o time chegar ao penúltimo lugar do Brasileirão.

Fernando Diniz não disputou o Estadual com o time principal. Foto: Miguel Locatelli/CAP

Na fase do declínio, o presidente do Conselho Deliberativo Mário Celso Petraglia declarou que o Athletico poderia cair para a Série B, mas que Fernando Diniz não seria demitido. Apesar da afirmação polêmica, o mandatário rubro-negro não conseguiu ceder a pressão da torcida, diretoria e imprensa.

A contragosto, Petraglia se reuniu com Diniz e acertou a saída do treinador durante a parada para a Copa do Mundo. Ele deixou o time com um aproveitamento de 34%. No total, foram cinco vitórias, sete empates e nove derrotas em 21 jogos.

O cargo foi assumido interinamente por Tiago Nunes. Nos três primeiros jogos, foram dois empates e uma derrota – incluindo a eliminação na Copa do Brasil. Mas a partir do triunfo por 2 a 0 sobre o Peñarol, as coisas mudaram. O time de Diniz, que exagerava na troca de passes e mal chutava ao gol adversário se transformou e passou a ter características marcantes da história do clube.

Apesar da manutenção do jogo construído desde a defesa, incluindo o passe com o goleiro Santos, o futebol atleticano passou a ser mais vertical, com uma defesa mais sólida e ataques rápidos. Como se diz, o grupo de atletas ‘se fechou’ com ele. Ainda com status de interno, Nunes e sua comissão responsabilizavam seus atletas pelas vitórias. Uma relação mútua, algo distante do que havia com Diniz em seu declínio.

Tiago Nunes foi o grande responsável pelo sucesso atleticano na temporada. Foto: Geraldo Bubniak /AGB

O tempo passou e o Athletico saiu da briga contra o rebaixamento ao mesmo tempo que via a possibilidade de chegar ao título sul-americano. O time ficou perto de conquistar uma vaga para a Libertadores via Brasileirão, mas chegou forte à decisão da Sula.

Em um jogo emocionante, o clube ficou perto de ficar com o vice – assim como aconteceu na Libertadores 2005. Entretanto, o pênalti perdido pelo meia Barrera, camisa 10 do Junior Barranquilla, na prorrogação da final fez o Athletico ressurgir no duelo e conquistar a taça.

2018 foi um ano inesquecível para o clube, quando existiu uma afirmação jamais vista. Agora, o torcedor fica no aguardo de uma campanha digna da equipe na Libertadores do ano que vem, além de brigar no topo da tabela do Brasileirão.

Para isso, Tiago Nunes deve se reinventar. Ele já perdeu duas peças essenciais na temporada. Raphael Veiga retornou de empréstimo ao Palmeiras e Pablo, o artilheiro do time no ano com 18 gols em 51 jogos, acertou sua transferência para o São Paulo. Além disso, o técnico ainda pode perder o lateral Renan Lodi e o volante Bruno Guimarães.

Wellington, Bruno Guimarães, Raphael Veiga, Renan Lodi e Pablo comemoram gol na Arena. Foto: Geraldo Bubniak /AGB

Inicialmente, o Athletico deve analisar se existem jovens com potencial para assumir algum protagonismo no time principal. Após isso, o clube deve ir ao mercado em busca de reforçar suas carências.

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