Polícia indicia por injúria racial torcedor que xingou zagueiro do Coritiba

Francielly Azevedo


O Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil, indiciou por injúria racial o torcedor que xingou o zagueiro Márcio, do Coritiba, por meio de uma rede social. O rapaz, de 18 anos, foi identificado, prestou depoimento e assumiu a autoria da postagem.

“Ele foi indiciado por injúria racial e nós encaminhamos à justiça um caderno investigatório com todas as diligências realizadas. A pena que ele pode pegar, de acordo com o parágrafo 3º do artigo 140 do Código Penal, é de um a três anos de reclusão e multa”, explicou Demétrius Gonzaga de Oliveira, delegado do Nuciber.

O delegado também comentou a reação de Márcio diante da agressão. “Para o atleta é algo extremamente forte, magoou, machucou e causou um efeito negativo. É necessário que as pessoas entendam que a internet não é uma terra sem leis, que a polícia está atenta e coibindo qualquer prática dessa natureza. O racismo é inadmissível no século XXI”, ressaltou.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (6), o técnico Marcelo Oliveira disse que o jogador tratou do tema de forma mais geral entre os colegas e que está mais calmo em relação ao assunto.

“Eu acho que é um absurdo, que já deveria ter sido eliminado de vez esse tipo de preconceito. O Márcio está tranquilo, embora seja tão grave, nós estamos no Brasil e o futebol é reflexo do próprio país, então acaba permitindo esse tipo de coisa. O que deve ser feito é uma punição severa, porque os dias de hoje não permitem esse tipo de coisa”, finalizou.

O caso

As ofensas aconteceram em agosto, por meio do perfil “Coritiba M1L GR4U”, o torcedor fez uma postagem na qual usava expressões “afrodescendente de merda”.

Na ocasião, Márcio registrou boletim de ocorrência e se manifestou pelo Instagram, utilizando a #nãoaoracismo.

O clube também se manifestou lamentando o episódio, republicando uma imagem de 2015. Naquela temporada, atletas gravaram um vídeo declamando a música de Gabriel, O Pensador, “Lavagem Cerebral”, que é uma crítica a sociedade racista que persiste em praticar a discriminação, não apenas racial, mas de todos os gêneros. A letra diz “Racismo, preconceito, discriminação em geral é uma burrice coletiva sem explicação”.

 

Denúncias

O Núcleo de Combate aos Cibercrimes do Paraná é pioneiro no país. A unidade foi a primeira instalada para realizar essas investigações.

Segundo o delegado, a Segurança Pública trabalha, principalmente, para minorar os reflexos que essas ofensas causam nas vítimas. Além disso, os criminosos não são anônimos atrás da tela do computador.

“As pessoas devem denunciar para que isso não se repita. Isso não pode acontecer, as pessoas não podem acreditar que podem fazer o que bem entenderem para injuriarem e denegrirem a imagem das pessoas usando a rede mundial de computadores, pensando que nada vai acontecer”, garantiu.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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