Atletiba da biometria causa filas e revolta torcedores

Francielly Azevedo


A estreia do cadastramento biométrico em toda a Arena da Baixada causou revolta em torcedores, na manhã deste domingo (10), na partida entre Atlético-PR e Coritiba, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Durante o clássico Atletiba, algumas pessoas só conseguiram acesso ao estádio já no fim do primeiro tempo.

Quem chegava ao local e não possuía a identificação era encaminhado ao setor de cadastramento. A fila só chegou ao fim por volta dos 37 minutos do primeiro tempo.

Em entrevista a Rádio Transamérica, os torcedores relataram o caso e demonstraram indignação.

“Chegando lá não deixaram entrar porque meu afilhado é menor de idade, aí tivemos que vir para cá”, disse um deles.

“Uma bagunça no estádio, uma bagunça da diretoria. O que eles estão fazendo com o torcedor é uma vergonha, torcedor não é palhaço”, reclamou outro.

 

Biometria

O Atlético foi o primeiro clube paranaense a implantar o sistema. O reconhecimento biométrico já funcionava no setor das torcidas organizadas, agora todos os torcedores que acessarem a Arena precisarão passar pelo processo de identificação.

A torcida alviverde também teve que fazer o cadastramento. As compras dos bilhetes aconteceram exclusivamente pela internet. No momento em que o torcedor adquiriu o ticket ele passou seus dados e o sistema, integrado em tempo real com a Celepar (Base de Dados do Estado do Paraná), informou se ele já possuía biometria.

O torcedor não identificado biometricamente precisou emitir um voucher e se dirigir até a Arena da Baixada para fazer o cadastramento.

Polêmica

A adesão ao convênio criou uma polêmica pela perda do direito dos sócios emprestarem seus cartões quando não puderem comparecer aos jogos. Antes da biometria, o proprietário do “smart card” tinha a possibilidade de ceder o cartão dele para outra pessoa, com a biometria isso não ocorre com facilidade.

Nas redes sociais, alguns sócios anunciaram o desligamento do clube, após a impossibilidade de compartilhar o cartão.

Todas as cadeiras que são de associados devem ter um beneficiário exclusivo. Na prática, o torcedor que tem mais de uma cadeira no mesmo nome, teve que cadastrar outro usuário para utilização dos demais lugares e, assim, só esta outra pessoa pode usufruir da cadeira.

Caso o torcedor precise substituir o beneficiário, precisa esperar um prazo de 180 dias, ou pagar uma taxa extra.

Cadastramento

O cadastramento biométrico foi idealizado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP), o Instituto de Identificação do Paraná, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e a Celepar. O objetivo é identificar por meio de biometria os torcedores em estádios e espectadores de grandes eventos.

O sistema funciona de maneira simples: com sinal verde e vermelho. Caso a catraca sinalize que a pessoa não pode entrar no local, a Polícia Militar é acionada para verificar o motivo pelo qual o cidadão foi impedido.

São barrados aqueles indivíduos que já cometeram algum delito e têm dívidas com a Justiça e , por isso, estão impossibilitados de frequentar estádios.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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