Atletiba do bem: o lado bom das organizadas

Jordana Martinez


Leopoldo Scremin

Marginalizadas por atos de alguns integrantes que insistem em achar que seu adversário é um inimigo, as torcidas organizadas também têm um lado “humano” que é pouco divulgado. Conversamos com representantes das duas maiores torcidas organizadas do Paraná, para que nos contassem as principais ações que estas associações se envolvem para ajudar o próximo.

A festa é sempre bonita no estádio, mas fora dele o vandalismo é evidente. A cada clássico que ocorre na capital, independentemente do campeonato, a Polícia Militar tem que disponibilizar centenas de soldados e realizar megaoperações para conter os mais alterados, que insistem em encaram o adversário como inimigo. Claro que algumas facções se infiltram para resolver rixas pessoais utilizando a camisa do time. Mas como isto ocorre há muito tempo, e episódios como o de ameaçar jogadores e adversários em redes sociais virou costume, procuramos as diretorias das organizadas para tentar encontrar um “lado bom” nessas agremiações. E não é que encontramos!

Ajudar o próximo também faz parte da missão destas torcidas. Conversamos com Luciano Castilho, Vice Presidente da Torcida Organizada Os Fanáticos, e ele foi enfático ao afirmar:

“Hoje em dia a organizada que não se moldar a este novo sistema está fora. Temos um trabalho que atende aos necessitados através de doação de alimentos, roupas e algumas instituições que mensalmente contribuímos em dinheiro”. Segundo Castilho, o tempo em que “pessoas que brigavam” tinham fama dentro das agremiações acabou. Hoje quem ajuda a torcida e ao próximo tem mais reconhecimento. Destaque para a arrecadação de água potável para as vítimas de Mariana, na qual a organizada enviou mais de quatro mil litros para os sobreviventes da tragédia no interior de Minas Gerais.

A Império Alviverde também não fica atrás quando o assunto é ajudar o próximo. Segundo sua assessoria de imprensa, a torcida se envolve não só com doações, mas também visitando as crianças em instituições como a APAE de Colombo. A interação com as crianças faz a diferença não só para elas, mas para os próprios integrantes da torcida. Arrecadações de roupas e alimentos para moradores de rua (entregues a Fundação de Ação Social-FAS, ou in loco diretamente para os menos favorecidos) também estão na pauta de ações da organizada Coxa Branca.

Vale ressaltar o trabalho voluntário que os integrantes fazem cedendo mão-de-obra em reformas no Pequeno Cotolengo, o qual a organizada atleticana também participa. Louvável a atitude destas agremiações, que sim, infelizmente estão ligadas a violência dentro e fora dos estádios. Mas saber que muitos integrantes, além de animar e embelezar os jogos com festas incríveis, também pensam no próximo, e na medida do possível (e às vezes até do impossível) praticam atos tão nobres, que marcarão para sempre a vida dos mais necessitados.

Este é o lado bom das organizadas, que também merece ser reconhecido.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.