Caixa notifica Corinthians por atrasos em pagamento da arena

Camila Mattoso - Folhapress

Corinthians - Caixa - Itaquerão

O Corinthians recebeu nesta quinta-feira (12) uma notificação extrajudicial da Caixa Econômica Federal informando a execução de uma dívida no valor de R$ 500 milhões pela obra do Itaquerão. O banco alega que clube não está cumprindo os termos do contrato de financiamento para a construção da arena utilizada na abertura da Copa do Mundo de 2014.

As informações foram divulgadas pelo Corinthians em nota no seu site. No texto, a agremiação se diz surpresa com a ação do banco.

“Um acordo preliminar de adequação do contrato ao fluxo de caixa efetivo da arena havia sido negociado há quase um ano, mas ficou suspenso pela perspectiva da iminente troca de comando da Instituição, à espera da orientação da nova gestão. Desde então, os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo”, diz trecho do comunicado.

O Corinthians afirma, ainda, que poderá entrar na Justiça contra a Caixa.

“Se a CEF (Caixa Econômica Federal) escolheu trocar a rota da negociação pela do confronto, não cabe ao clube outro recurso senão defender na Justiça seus direitos.”

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou à reportagem que não há perseguição ao clube na execução de garantias do estádio.

“Em termos gerais, a Caixa é um banco estatal, que se tiver garantia e não houver renegociação, tem que executar. Para não executar uma garantia, qualquer que seja, em uma operação em que a Caixa deixou de receber é que é preciso ter uma ótima justificativa. Não tem perseguição nenhuma. Isso serve para qualquer caso, qualquer cliente. De maneira natural e tranquila, inclusive seguindo os ritos jurídicos”, afirmou Guimarães.

“E, como em qualquer caso, estamos 100% abertos para uma renegociação. Se houver uma discussão de novo, podemos interromper a execução. Não estou falando em caso específico, estou falando em casos gerais”, completou.
Não há um valor oficial divulgado para a construção do Itaquerão, mas as estimativas são de cerca de R$ 1 bilhão, somando o financiamento com a Caixa Econômica Federal e a dívida com a Odebrecht.

Comissão no conselho deliberativo do clube produziu em agosto relatório sobre a construção da arena. Questionado sobre a situação da dívida com a Caixa, o diretoria disse que os pagamentos estavam em dia. A notícia da execução do banco estatal surpreendeu os conselheiros que estavam na comissão.

“A diretoria não apresentou comprovante dos pagamentos porque havia negociação com a Caixa. Mas eles asseguraram que estava tudo em dia e isso foi colocado no relatório”, disse o conselheiro Romeu Tuma Júnior.
Em fevereiro deste ano, o Corinthians estimava ter pago R$ 125 milhões da dívida com a Caixa, mas ainda dever R$ 425 milhões. Os números foram divulgados pelo diretor financeiro do clube, Matias Romano Ávila.

“Durante o ano, são oito meses que pagamos R$ 6 milhões, de março a outubro, e quatro meses de R$ 2,5 milhões, de novembro a fevereiro”, disse ele.

No mês passado, o presidente Andrés Sanchez comunicou ao conselho deliberativo do clube ter costurado um acordo referente à dívida com a Odebrecht, construtora da arena. A empresa alegava ter R$ 800 milhões a receber.

O Corinthians contesta o valor cobrado pela empreiteira. Alega que partes da obra da arena não foram feitas. A construtora diz que entregou tudo o que estava previsto no orçamento. O acordo alinhavado prevê que a Odebrecht saia da administração do estádio e receba cerca de R$ 160 milhões do clube.

Parte do pagamento deste montante seria feito com o saldo das CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) que o clube ainda dispõe. Ainda restam 1.692 certificados, num montante que pode chegar a R$ 110 milhões.

Corinthians e Odebrecht devem buscar o aval do juiz responsável pela recuperação judicial, João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências da Justiça de São Paulo, para firmar o acordo. Isso diminuiria o risco de os credores da empresa contestarem o negócio. Mesmo assim, em caso de falência da companhia, o acordo poderia ser desfeito.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DO CORINTHIANS:

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que enquanto finalizava negociações com a Caixa para um reperfilhamento do financiamento da Arena – processo iniciado nos primeiros dias da atual gestão – foi surpreendido por uma notificação extrajudicial alegando que diversos procedimentos prescritos pelo atual contrato não estariam sendo cumpridos.

Esta mudança de atitude não encontra respaldo na realidade dos fatos. Um acordo preliminar de adequação do contrato ao fluxo de caixa efetivo da Arena havia sido negociado há quase um ano, mas ficou suspenso pela perspectiva da iminente troca de comando da Instituição, à espera da orientação da nova gestão. Desde então, os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo.

Além dos ajustes financeiros, a Caixa requeria a implantação de procedimentos administrativos com os quais o clube esteve sempre de acordo e cuja implementação dependia, como depende, de procedimentos dentro da Caixa até hoje não especificados definitivamente.

Assim, tanto no plano financeiro como no administrativo, o clube sempre se pautou por total transparência quanto à sua atuação operacional e subordinação inconteste a um processo de pagamentos compatível com a realidade financeira do mercado esportivo atual.

Como não houve interrupção do diálogo e tudo caminhava para um acordo mutuamente vantajoso, não há como compreender o gesto intempestivo, que sequer foi previamente comunicado à agremiação.

Ao contrário de inúmeras outras arenas que receberam da mesma linha de financiamento, o clube nunca repudiou sua dívida nem deixou de dialogar com o repassador destes recursos, a CEF, quando dificuldades transitórias se interpunham. Se a CEF escolheu trocar a rota da negociação pela do confronto, não cabe ao clube outro recurso senão defender na Justiça seus direitos.

O clube continua aberto a voltar à mesa de negociação, se a Caixa optar por prosseguir a trajetória amigável que juntos vínhamos construindo até aqui.”

Previous ArticleNext Article