“Estadual é ruim para quem perde” – vibra técnico do Atlético-PR

Roger Pereira


Mais uma vez, o Atlético-PR abdicou de usar sua equipe principal na disputa do Campeonato Paranaense. Briga política com a Federação Paranaense de Futebol, descontentamento com a fórmula do campeonato, problemas de calendário, necessidade de fazer uma pré-temporada adequada e prioridade para as competições nacionais e internacionais foram, não necessariamente nesta ordem, os argumentos utilizados pelo Furacão para manter essa opção.

Mas, desta vez, o clube se preparou. Oficializou um time de aspirantes, que iniciou a preparação em dezembro. Colocou uma comissão técnica específica para trabalhar com esse grupo, dando a ela as condições para disputar o campeonato visando o título. E ele aconteceu, com a melhor campanha, o melhor ataque e a melhor defesa da competição. Para o técnico Thiago Nunes, que comandou a equipe no Paranaense, o título sempre foi o objetivo do grupo.

“Estadual é ruim para quem perde. Quando você dirige o Atlético, você tem que sempre postular o título”, afirmou, para depois dizer estar passando pelo principal momento de sua carreira. “A conquista é mais um marco relevante. Tenho uma trajetória pouco conhecida por vocês mas que já é longa. Me qualifiquei para estar aqui hoje e não ia deixar passar essa oportunidade. Profissionalmente, é o dia mais importante da minha vida”.

Para Thiago Nunes, o grupo de jogadores muito qualificado e a ideia de jogo mantida há anos pelas equipes de base do Atlético foram os fatores decisivos para a conquista. “O que fortaleceu mais a ideia de jogo e os comportamentos coletivos que construiu a forma desse time jogar foram a qualidade técnica dos jogadores que nos foram disponibilizados e uma ideia de jogo já instituída há alguns anos. Tive a missão de dar continuidade ao que vinha sendo feito. O tempo era curto e tínhamos que fazer as ações mais simples possíveis”, disse.

Ele ressaltou a grande campanha do Atlético na competição, chegando invicto até a decisão contra o Coritiba e disse que sonhava com o título na Arena da Baixada. “Que pecado seria uma campanha dessa, irretocável, a gente não conseguir coroar com o título. Então, sonhei sim com essa conquista”, disse.

Rasgando elogios aos jogadores que comandou, o técnico disse que a decisão do clube de não usar apenas jogadores com menos de 23 anos, mas também atletas mais experientes, sem espaço no time de cima ou mesmo contratados apenas para o Paranaense construiu um elenco muito forte. “A combinação que o Atlético fez de ter uma base muito jovem, mas associada com jogadores experientes, nos deu um grupo muito forte e capaz de resolver entre eles quase todos os problemas. Construímos um ambiente muito saudável, principalmente com os que não vinham jogando, que deram um ritmo de treino muito alto. Atletas como Emerson e Pierre, que não jogaram muitos, contribuíram demais para a formação desse time e é por postura como essa que tiveram a carreira vitoriosa que tiveram”, disse.

Segundo Thiago Nunes, todos os jogadores de sua equipe estariam prontos hoje, caso requisitados pela equipe principal. “Claro que já existe um elenco muito forte na equipe principal e quem vai definir quem terá mais ou menos oportunidades é o Fernando Diniz. Essa rotatividade fez muito bem, com atletas nossos subindo para a principal quando necessário e atletas do time principal reforçando nossa equipe para pegar ritmo de jogo, se manterem competitivos e nos ajudando bastante também”.

Sobre seu futuro, ele disse não pretender sair do Atlético no momento, apesar de estar valorizado no mercado. “Neste momento eu não tenho vontade de sair do Atlético. Estou feliz onde estou. Recebi duas propostas de trabalho de equipes de expressão nacional e não aceitei. Quero permanecer no Atlético. Se depender de mim, seguirei como treinador da equipe de aspirantes. Claro que podem acontecer mudanças por conta da velocidade como se mexe o mercado”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal