Com Pan-Americano de Ginástica, protocolo de saúde será desafio para o Brasil

Redação

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Após meses de incerteza sobre a realização do Pan-Americano de Ginástica, que originalmente seria sediado nos Estados Unidos, a Confederação Brasileira de Ginástica confirmou, em março deste ano, que o torneio continental será disputado no Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro. Será a última chance de classificação dos atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos de Tóquio. O evento internacional indoor, que acontecerá entre os dias 4 e 13 de junho, será o primeiro de grande porte que o Brasil sediará totalmente em seu território desde o início da pandemia, em março do ano passado.

Com a confirmação do Pan-Americano no país, a organização deverá tomar cuidados redobrados, já que o campeonato é disputado no formato indoor, ou seja, praticado em ambientes fechados. De acordo com o médico do esporte do Hospital Marcelino Champagnat, Pedro Murara, a importância de um protocolo de saúde é fundamental para que não haja um surto de contaminação de Covid-19 entre os atletas e membros das comissões técnicas.

“Os organizadores deverão reproduzir todos os cuidados que a sociedade em geral já tem tomado há mais de um ano, alinhados obviamente à realidade da ginástica, com o uso constante de máscaras, exceto para atletas durante apresentação; aplicação responsável do álcool em gel e o distanciamento social entre as bolhas de convívio. Além disso, deve ser proibido o compartilhamento de equipamentos de treinamento e garrafas de água entre os profissionais, assim como o contato entre atletas de diferentes países, que costuma acontecer quando reunimos diversas culturas em um mesmo evento”, afirma o especialista.

CUIDADOS COM A SAÚDE

Mesmo por se tratar de um grupo que possui um alto preparo físico e uma baixa presença de comorbidades, Murara ressalta que os cuidados do protocolo de saúde precisam ser respeitados integralmente. “A delimitação dos espaços para evitar aglomerações é essencial para que não haja a contaminação pelas gotículas expelidas durante a fala e a tosse”, explica o médico.

Tais precauções já fazem parte da rotina da atleta da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica Individual, Barbara Domingos. Medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, a atleta já presenciou outros eventos no mesmo formato, com cuidado redobrado e bons resultados dentro e fora dos tablados. “Somente neste ano, já viajei para torneios em Sófia (Bulgária), Tashkent (Uzbequistão) e Baku (Azerbaijão). Tendo presenciado cada um deles, acredito que a ginástica já consegue se adequar aos protocolos e eu me sinto segura, pois como atleta, meu corpo é minha ferramenta de trabalho. Além disso, fico feliz de que o Pan-Americano seja na minha casa, no Brasil, ainda mais valendo uma vaga para as Olimpíadas”, comemora a ginasta de 21 anos.

Para os atletas, o cuidado com a saúde começou muito antes da chegada da pandemia mundial. “Nós precisamos estar na melhor forma possível, em todos os sentidos. Por isso, além dos cuidados com a Covid-19, que se tornou a pauta principal da saúde mundial, os atletas vivem uma rotina de cuidados com diversas outras doenças e problemas que podem atrapalhar nosso desenvolvimento e carreira”, conta Barbara.

Neste Pan-Americano, por exemplo, Barbara apostou em um cuidado multifatorial a partir do uso de alinhadores transparentes, que cuidam da saúde bucal da atleta, além de garantir a estética do sorriso para as apresentações. “Como na ginástica nós sempre saltamos e também trabalhamos com aparelhos, como a bola, arco e maça, nossa própria ferramenta de trabalho se tornava um risco, já que, em uma queda ou erro com os objetos, eu poderia me machucar se usasse o tratamento ortodôntico com bráquetes. Sem contar que, esteticamente, o alinhador transparente é ideal durante as apresentações, pois não interfere na expressão facial”, completa a atleta.

“O ideal é que o paciente use os alinhadores 22 horas por dia, retirando somente nas refeições, além de ser transparente e ter um formato mais anatômico, não apresenta risco de ferir a boca e pode ser usado em apresentações de ginástica ou até mesmo em jogos de futebol, por exemplo”, complementa a dentista responsável pelo processo e especialista em alinhadores ClearCorrect, Isabela Shimizu.

Para garantir uma vaga em Tóquio, a aposta da ginasta foi no samba para encantar o público. “Eu venho pra esse Pan com uma série de arco inspirada no samba e, com a vinda da competição para o Rio de Janeiro, me sinto ainda mais inspirada e honrada em buscar essa vaga com um elemento tão brasileiro. E espero poder sambar nos tablados de Tóquio em breve”, finaliza.

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