Coritiba é absolvido por tumulto envolvendo torcedores no jogo com Figueirense

Francielly Azevedo


O Coritiba foi absolvido, nesta sexta-feira (17), pela Quarta Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pelo tumulto com torcedores no último dia 23 de junho, pela Série B, na partida contra o Figueirense, no Couto Pereira. Em contrapartida, o time catarinense foi multado em R$ 5 mil pela desordem causada. A decisão foi proferida por maioria dos votos e cabe recurso.

Conforme o STJD, o Figueirense não sabia se havia tido a identificação do tumulto, mas com a documentação juntada pelo Coritiba, o advogado Renato Britto sustentou o pedido de absolvição na excludente prevista no artigo 213.” A documentação demonstra tanto a prevenção e repressão e denota que houve a prisão e encaminhamento de quem causou o tumulto. Entrevero entre um torcedor do Figueirense um pouco mais exaltado. A policia paranaense é um pouco enérgica nessas situações”, disse o defensor.

O advogado encerrou citando todo o trabalho realizado pelo Figueirense na prevenção de desordens, tumultos e arremesso de objetos por arte de sua torcida.

Do lado do Coritiba, o advogado Lucas Pedrozo .“Em primeiro lugar a prevenção, o Coritiba trouxe todos os documentos relacionados a segurança para dizer que o Coritiba se preparou para um jogo com 10 mil pessoas e tivemos um público de 6779 mil e 163 seguranças particulares. Havia segurança suficiente para a partida e se vale também do trabalho da PM. A polícia do Paraná sabe identificar os jogos de risco. Com relação aos episódios uma confusão no retorno do segundo tempo e a PM entrou e fez o trabalho dela. A prevenção está demonstrada e neste caso o Coritiba é tranquilo em dizer que a repressão também foi feita. Uma ação perfeita da segurança e da PM ao relato na súmula que diz que não houve mais problemas e a partida sequer foi paralisada”, concluiu.

O Auditor Luis Felipe Procópio, relator do processo, justificou e proferiu seu voto. “Não vejo responsabilidade por parte do Coritiba tendo em vista que foi cometido exclusivamente pela torcida do Figueirense. Absolvo o Coritiba. Discordo da defesa que a excludente não está prevista com a identificação de poucos torcedores. A infração por parte do Figueirense no artigo 213 está clara, mas em razão da baixa gravidade e de ter sido controlada rapidamente aplico a multa de R$ 5 mil”.

Com parcial divergência, o Auditor José Maria Philomeno votou para absolver o Coritiba e aplicar multa de R$ 3 mil ao Figueirense.

O Auditor Alcino Junior acompanhou o relator na íntegra, enquanto o Presidente Luiz Felipe Bulus acompanhou na multa de R$ 5 mil ao Figueirense e divergiu para aplicar também de R$ 5 mil ao Coritiba.

O CASO

No dia 23 de junho, Coritiba e Figueirense empataram em 1 a 1 pela 12ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Durante o duelo, a Polícia Militar do Paraná (PM-PR) precisou utilizar balas de borracha e bombas de efeito moral para conter uma briga de torcedores no jogo entre Coritiba e Figueirense, no Couto Pereira. Um torcedor do time catarinense foi detido e encaminhado para Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe).

As cenas de violência tiveram início no intervalo entre as torcidas na arquibancada do estádio. Torcedores trocaram xingamentos e tentaram derrubar um painel que separava as duas torcidas. A PM agiu e reforçou a segurança no local, formando uma espécie de cordão de isolamento.

Porém, após o início do segundo tempo, torcedores do Figueirense entraram em confronto com policiais. A PM teve que utilizar balas de borracha e bombas de efeito moral para conter os ânimos.

O árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza registrou o ocorrido em súmula. “Informamos que no nosso retorno ao campo de jogo no intervalo da partida, observamos um princípio de tumulto no local destinado a torcida
do Figueirense FC, entre os torcedores do Figueirense e os seguranças da empresa privada contratada pelo Coritiba. Imediatamente houve a chegada do policiamento militar no local que controlou a situação”, escreveu.

Ribeiro de Souza também narrou o uso das balas de borracha. Segundo o árbitro, não houve necessidade de paralisação da partida. “Aos 07 minutos do 2º tempo houve novamente um princípio de tumulto no mesmo local, que necessitou da intervenção da policia militar com uso de artefato explosivo de efeito moral, rapidamente controlada a situação novamente pelo policiamento”, relatou.

Diante do acontecido, a procuradoria denunciou então o Figueirense, responsável pela torcida infratora e o Coritiba, mandante e responsável pela organização e segurança da partida. Os clubes foram inseridos no artigo 213 do CBJD por deixar de prevenir e reprimir desordem. A pena prevista no artigo é de multa que pode variar entre R$ 100 e R$ 100 mil.

**Com informações do STJD**

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.