Você lembra? Há 20 anos, Coritiba eliminou o Flamengo na Copa do Brasil

Pedro Melo

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Coritiba e Flamengo iniciam a disputa da terceira fase da Copa do Brasil nesta quinta-feira (10), às 21h30, no estádio Couto Pereira. Essa é a quarta vez que os dois times se enfrentam na competição nacional e o Coxa levou a melhor uma vez. A classificação aconteceu nas quartas de final em 2001, em uma equipe com Evair, Enílton, Reginaldo Nascimento, Allan Aal, entre outros.

No jogo da ida, o Coritiba saiu atrás, mas virou a partida no Couto Pereira e venceu por 3 a 2. Já na partida de volta, o Flamengo saiu na frente, mas um gol de bola parada ‘calou’ o Maracanã e colocou o Coxa na semifinal pela primeira vez na história.

O autor do gol no Maracanã foi o zagueiro Allan Aal, hoje técnico do CRB. Em entrevista ao Paraná Portal, o treinador lembrou do momento histórico há 20 anos e ressaltou que o Coritiba não teve medo de enfrentar o Flamengo. “Foi um momento inesquecível, tanto que 20 anos depois nós estamos falando dele. Maracanã, um estádio monumental, contra o Flamengo, com jogadores consagrados e Zagallo como treinador”, disse.

“Nós não éramos os favoritos, mas lutando como uma equipe grande que é o Coritiba e sem medo de enfrentar o Flamengo. Era uma quarta-feira à tarde, com estádio cheio. Sabíamos que seria um jogo difícil, mas a nossa equipe estava muito unida e encaixou muito bem o Ivo Wortmann. Facilitou muito não só pelo gol que fiz, mas pela confiança e encaixe tático que a gente tinha, além da presença de um jogador acima da média que é o Evair”, acrescentou Aal.

ESQUEMA COM TRÊS ZAGUEIROS

O Coritiba de 20 anos jogava em um esquema com três zagueiros – Danilo, Allan e Reginaldo Nascimento -, considerado pelo então zagueiro como inovador. Foi com a formação do 3-5-2 que a seleção brasileira conquistou o título da Copa do Mundo no ano seguinte.

“Uma equipe que se encaixou taticamente com as peças que a gente tinha. Era uma inovação de sistema, com três zagueiros e dois alas mesmo – Juliano, um meia-atacante de origem que jogava pela direita, e Fabinho, um meia-atacante que jogava pela esquerda. Esse sistema surpreendeu muita gente e fez que a gente fizesse grandes jogos. Nós saímos da Sul-Minas com o vice-campeonato, fomos eliminados na semifinal do Paranaense com gol no último minuto do Paraná e chegamos à semifinal da Copa do Brasil eliminando grandes equipes”, lembrou o então zagueiro.

No jogo do Maracanã, o técnico Ivo Wortmann escalou o Coritiba com Marcelo Cruz; Danilo, Allan e Paulo Roberto; Juliano, Reginaldo Nascimento, Messías, Mabília e Fabinho; Evair e Enílton. Anderson Cruz, Marquinhos e Alexandre Pinho entraram durante a partida.

CAMPANHA DO CORITIBA TERMINOU NA SEMIFINAL

Após eliminar o Flamengo, o Coritiba caiu na semifinal para o Grêmio, que ganhou a Copa do Brasil de 2001. Allan Aal lembrou das chances perdidas nas duas partidas e ressaltou que o Coxa poderia chegar ao título. “Nós enfrentamos o Grêmio na semifinal e saímos até na frente com gol de falta do Anderson. A equipe do Grêmio era qualificada, a gente sabia da dificuldade, mas teve algumas infelicidades – eu saí machucado no começo do jogo e perdemos chances que não podíamos perder”, falou.

“Depois, no Couto Pereira, perdemos duas, três chances que poderíamos mudar o cenário da partida, mas, infelizmente, não chegamos à final. Tínhamos a consciência plena que poderíamos disputar a final da Copa do Brasil e o título. A nossa equipe estava muito consistente. A gente lamentou, ficou triste, mas com a consciência que deu passo muito importante na reconstrução do Coritiba, principalmente no cenário nacional”, complementou o hoje treinador do CRB.

A semifinal de 2001 foi uma das melhores campanhas do Coritiba na Copa do Brasil. Apenas as campanhas de 2011 e 2012, quando o Coxa chegou à final e perdeu para Vasco e Palmeiras, respectivamente, foram melhores.

O QUE O CORITIBA DE 2021 PODE APROVEITAR DO CORITIBA DE 2001?

Segundo o ex-zagueiro, o Coritiba de 2001 tinha muita vontade para enfrentar qualquer adversário. E é justamente isso que o time de duas décadas pode usar de trunfo para eliminar o Flamengo novamente. “Eu vejo que o principal trunfo que o Coritiba pode ter hoje em dia é essa vontade que a gente tinha. Nós tínhamos uma união muito grande, mas uma vontade muito grande, independente do adversário. O Evair sempre falava que tínhamos que jogar de igual para a igual, mas a vontade precisava ser maior que a deles. Isso marcava a identidade da nossa equipe”, declarou.

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