Sem clube há seis meses, Thiago Larghi fica admirado com Athletico e nega oferta do Coritiba

Vinicius Cordeiro

Thiago Larghi foi uma das três maiores revelações de técnicos do futebol brasileiro no ano passado. Ao lado de Tiago Nunes, no Athletico, e Maurício Barbieri, ex-Flamengo e demitido pelo Goiás ontem (21), ele fez um bom trabalho no Atlético Mineiro, mas acabou sendo demitido em outubro.

Já se passaram seis meses desde então, quando deixou o Galo com um aproveitamento de 55,10% – foram 49 jogos, 23 vitórias, 12 empates e 14 derrotas.

O comandante de 38 anos foi à Europa, onde passou pela Espanha e Itália, e fez um curso Licença Pró da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Agora, busca uma nova oportunidade no futebol brasileiro.

Em entrevista ao Paraná Portal, ele comentou que Athletico e Cruzeiro são os clubes brasileiros que apresentam o melhor futebol nesse início de ano, destacando o trabalho de Tiago Nunes e elogiando o meia Tomás Andrade, seu ex-jogador no Galo. Ele também negou a suposta oferta para assumir o Coritiba após a demissão de Argel Fucks, em fevereiro.

Além disso, ele comentou sobre assumir um clube durante o ano, a postura dos dirigentes na avaliação dos treinadores e como gosta que sua equipe jogue.

Confira a entrevista com Thiago Larghi:

Como você está desde a demissão no Atlético-MG? O que dá para avaliar do seu trabalho em Belo Horizonte?

Foi uma saída que eu não esperava. Estávamos o Brasileiro inteiro dentro do G6, uma campanha boa, era o ataque mais positivo, estávamos a quatro pontos do sétimo (colocado). O time com padrão de jogo, com time titular definido. Tínhamos uma certa estrutura. Entendo que futebol brasileiro tenha os imediatismos e nem sempre as diretorias têm a segurança de manter o trabalho e optaram pela troca.

O que você fez nesse período? 

Eu fui para a Europa. Antes ainda tive o curso da CBF. Fiz alguns estágios, no Barcelona e na Fiorentina, conversei com alguns treinadores e me atualizei de alguma forma. Troquei informação. O que eu fiz, o que deu certo e o que eles vinham fazendo lá. Foi bastante proveitoso e interessante, principalmente na Espanha.

O que mais te chamou a atenção lá?

Eu vi a clareza com que eles (Barça) entendem o jogo e conseguem colocar isso na prática. Obviamente eles têm um plantel que permite isso. É um clube que tem um estilo muito bem definido e essa clareza é muito importante. A partir do momento que você sabe o que você quer, você vai corrigindo alguns detalhes e não muda tudo, recomeçando. Essa é a parte ruim. O importante é sempre estar melhorando pequenas coisas dentro de uma ideia. Lá é uma sequência de muitos anos.

Thiago Larghi no Atlético Mineiro. Foto: Bruno Cantini / Flickr Atlético

Uma das propostas que você chegou a conversar foi o Coritiba? Seu nome foi bastante comentado por aqui. 

O que houve foi a imprensa que me procurou. Vi só especulação e manifestação da torcida, a do Coritiba conversando com a do Atlético Mineiro. Nada oficial chegou para mim e nem para quem me representava na época.

Eu sigo me preparando. Aconteceram algumas propostas, mas alguns trabalhos que eu e minha família e empresário eu preferi não pegar. Outros chegamos a conversar, mas não aconteceram. Sigo me preparando, sigo me capacitando e estudando para fazer uma campanha boa no próximo trabalho onde eu tiver a oportunidade.

Muito se fala da importância de terminar o ano em um clube e fazer o planejamento para o ano seguinte. Te incomoda ter que assumir uma equipe no meio do caminho?

O sucesso pode ser alcançado, sim. É fácil olhar para o ano passado e ver que o Felipão e o Tiago Nunes deram continuidade e foram campeões. Eu acho que o que depende mais é da estrutura do clube, o elenco e encaixar. Eu estou aberto para fazer um bom trabalho nesse ano. É para isso que eu venho me preparando.

A sua troca foi um exemplo de imediatismo dos clubes do futebol brasileiro. O trabalho estava sendo bem feito, mas houve a mudança por alguém com mais bagagem e que pudesse servir como um escudo maior para a diretoria. Como você enxerga essa postura dos dirigentes?

Não é uma coisa muito boa. A clareza daquilo que se quer para um trabalho, como o modelo de jogo e a montagem do elenco, tem que estar vinculada aquilo que se pretende e à cultura do clube.

Tem que enxergar o dia a dia e o desempenho, não só o resultado. Quando a diretoria for capaz de enxergar melhor o processo, a chance do resultado é maior.

Muito se discute sobre o estilo de jogar, futebol ofensivo e reativo. Como você gosta de ver sua equipe atuando? 

O futebol permite diferentes estilos e não acho que exista um modelo melhor. Você pode fazer um ataque e marcar para ganhar ou fazer 30 ataques e fazer três, quatro gols e também vencer. Acho que deve existir um respeito à cultura local, ao clube, com o que a torcida se identifica. Se o torcedor gosta de um futebol ofensivo, acho que temos que trabalhar em função disso.

Eu tenho gosto por ter o controle do jogo, ter protagonismo e a posse de bola. Acho que é um futebol mais atrativo. O importante é também conseguir fazer isso sendo vencedor. O Tiago Nunes no Athletico deu uma sequência ao trabalho que vinha sendo desenvolvido e deu uma objetividade necessária para chegar nos resultados. Isso que eu acredito. Ter eficiência naquilo que se propõe, então depende de cada caso.

Você citou o Tiago Nunes. Nas coletivas, ele sempre ressalta que fala a verdade para conquistar a confiança dos jogadores e ter uma relação saudável. Como você geralmente lida com os atletas?

Com transparência, clareza naquilo que se quer, naquilo que você pretende do jogo. Você consegue ter autoridade sem ser autoritário. Essa foi a minha maneira de dirigir o Atlético, com muitos jogadores experientes que a gente soube conduzir em uma boa. Eles se interessaram pelo trabalho. É com trabalho, conceito e transparência nas relações. O mundo pede isso.

O Athletico ganhou destaque nacional depois da vitória por 3 a 0 sobre o Boca Juniors. Para você, o Athletico pratica o melhor futebol do Brasil no momento?

Tenho acompanhado o Athletico. A partida contra o Boca foi espetacular. Acho que o Brasil todo ficou admirado com o futebol desempenhado. Dentro da proposta ofensiva, acho que sim. É uma equipe que tem bastante controle do jogo. Temos outras equipes como Cruzeiro, que tem uma eficiência muito grande dentro de outro modelo, mas que também tem um futebol interessante.

O Tomás Andrade foi seu jogador no Galo e agora veio ao Athletico para ser o principal meia do time. Qual o potencial do Tomás, o que ele pode agregar ao Athletico? 

O Tomás é um jogador com bastante qualidade técnica. Tem uma dinâmica boa. Claro que ainda é jovem, pode ser melhor e render mais, ser mais objetivo. Transformar a capacidade que ele tem em resultado. Acho que ele está em boas mãos, falando do Tiago, que é um excelente profissional, quanto o clube, que tem uma excelente estrutura. Tem uma oportunidade muito grande de dar uma sequência e que ele pode ter muito sucesso aqui no Brasil.

Tomás Andrade marcou um dos gols do Furacão na goleada por 4 a 0 sobre o Jorge Wilstermann na Libertadores. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

 

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