Especial Paraná Bowl X: O melhor do Sul do mundo

Leopoldo Scremin - Especial para o Paraná Portal

Quem diria que uma reunião entre amigos no longínquo 2003 se transformaria na equipe mais vencedora do Sul do Brasil no futebol americano.

Pois é, se tornou.

O começo foi no Parque Barigui e o “morador mais famoso” daquele ponto turístico de Curitiba deu nome ao time. O “Jacaré” virou “Crocodiles” e além de dominar o futebol americano em âmbito estadual, o “Croco” ganhou o país,  com sua história sendo confundida com o próprio esporte no Brasil.

Em 2008 ainda não havia sido realizada nenhum partida com todos os equipamentos no país, eram disputados torneios sem equipamentos (off pads) ou apenas com capacetes (helmets). Já existiam vários times no Brasil, mas os primeiros a organizar e realizar uma partida oficial foram os curitibanos Barigui Crocodiles e Curitiba Brown
Spiders. A data, 25 de outubro, ficou marcada e hoje é comemorada como o “FABRDay”.


“Lembro-me do público que foi imenso por se tratar de um primeiro jogo”, contou Adan Rodriguez em abril de 2016, recebedor do Crocodiles. “Foi um grande marco para o futebol americano nacional, nos doamos muito, desde o preparo do evento, preparar o campo e ainda jogar.”

No mesmo ano o ainda Barigui Crocodiles foi o primeiro time a realizar um amistoso internacional, contra o Emperadores, do Uruguai, mas foi em 2009 que o Croco começou a marcar sua história campeã.

CONQUISTANDO O ESTADO E O BRASIL:

O Crocodiles participou da primeira edição do Torneio Touchdown, embrião do campeonato brasileiro. Oito equipes representavam sete cidades do Brasil, e, depois de se sagrar campeão da Divisão Sul, perdeu nos playoffs para o Rio de Janeiro Imperadores.

Chegou dezembro de 2009 e com ele a primeira edição do Campeonato Paranaense. Com seis equipes disputando o campeonato, coube a Crocodiles e Brown Spiders protagonizarem o primeiro Paraná Bowl da história. Vitória do Croco por 15 a 7. Começava ali uma caminhada vitoriosa inigualável no Sul do Brasil.

“Como a Federação só surgiu em março de 2009, nós só conseguimos organizar um campeonato em dezembro”, conta Adan Rodriguez, o popular “Ochonueve”. “Foi em formato de torneio, com jogos sexta, sábado e domingo. Vencemos os três jogos. O primeiro contra o Hurricanes, depois vencemos o Ponta Grossa Tigers, até a final contra o Brown Spiders. Foi um jogo muito bacana, pois tinham 4 câmeras ao vivo, um guindaste filmando, enfim, foi muito legal ganharmos este primeiro Paraná Bowl.”

Em 2010 0 Crocodiles novamente venceu o Paraná Bowl, desta vez derrotando o Foz do Iguaçu Black Sharks. Na primeira edição do Campeonato Brasileiro, chamada ainda de Liga Nacional. Novamente o Crocodiles venceu a Conferência Sul e pela primeira vez chegou ao Brasil Bowl, na primeira edição do mesmo.

Em Embu das Artes, local da grande final, o Crocodiles teve seu primeiro embate com uma equipe que se tornaria um de seus maiores rivais, o Cuiabá Arsenal. A derrota serviu de aprendizado, e, além disso, começou a chamar a atenção de um clube de futebol tradicional. Ninguém menos que o Coxa.

SURGE O CORITIBA CROCODILES!

Em uma parceria inédita, o Coritiba Football Club e o Barigui Crocodiles se uniram e surgiu o Coritiba Crocodiles. Agora o famoso emblema de um crocodilo dividia o espaço no uniforme com o emblema do Coritiba. Veio o terceiro título estadual, novamente em cima do Brown Spiders, mas o campeonato nacional daquele ano iria marcar a história não só da equipe, mas também do esporte no Brasil.

No dia 10 de dezembro de 2011 o Estádio Major Antônio Couto Pereira entrava para a história do esporte nacional (mais uma vez), afinal, o recorde de público pra uma partida de futebol americano acabara de ser batido. Mais de 7 mil torcedores – um número inacreditável para o esporte na época – fizeram a festa no Couto. A partida ficou empatada em 7 a 7 até o final, quando o Fluminense Imperadores marcou o touchdown da vitória. Ali, mais uma vez, o Crocodiles fazia história no esporte nacional, mesmo perdendo o título nacional.

Mas nem só de títulos estaduais se faz uma equipe gigante, e, em 2012, todos pensavam que finalmente havia chegado a hora do time vencer o Brasil Bowl. Antes, no Paraná Bowl IV, vitória em cima do Curitiba Predadores. Novamente venceu a Conferência Sul e novamente encontrava o Cuiabá Arsenal no Brasil Bowl.

O jogo aconteceu em Cuiabá e a viagem foi muito desgastante para a equipe. Mesmo assim, após estar perdendo no primeiro tempo, o Crocodiles conseguiu a virada abrindo 13 pontos de vantagem sobre o Arsenal. Porém, quando faltavam poucos minutos para o fim o Arsenal virou o jogo para 31 a 23. Era o terceiro vice-campeonato nacional consecutivo do Crocodiles.

Mas ao invés de desanimar, o Crocodiles cresceu – como um grande campeão – e evoluiu. No estadual venceu seu quinto título consecutivo, novamente derrotando o Brown Spiders. Mas o alvo do “Croco” era o campeonato brasileiro, e, depois de mais uma vez vencer de forma invicta a Conferência Sul, chegava aos playoffs com sede de
vingança.

O Crocodiles derrotou os conterrâneos Predadores de olho na outra partida das quartas de final, afinal, todos esperavam uma semifinal contra o seu algoz, Cuiabá Arsenal. Mas eis que surge o São José Istepós, de Santa Catarina, no caminho dos mato-grossenses. E depois de derrotar o time catarinense nas semifinais, o Crocodiles tinha o João Pessoa Espectros como adversário no Brasil Bowl IV. Um detalhe preocupava a equipe, o jogo seria na Paraíba.

Com o estádio Teixeirão lotado e um calor assombroso mesmo jogando a noite, o Crocodiles entrava em campo com uma missão: trazer o título brasileiro inédito para Curitiba.

Missão cumprida! Depois de uma viagem longa e cansativa, o time Coxa-Branca não deu a menor chance aos adversários! Ao fim do primeiro tempo a vantagem era de 16 a 0, e, mesmo com a reação do time paraibano, o Crocodiles se manteve na frente vencendo por 23 a 14. Nem o melhor “roteiro hollywoodiano” poderia contar uma
história tão sensacional de superação. O Crocodiles após três vice-campeonatos conquistava o Brasil. O Coritiba Crocodiles era o campeão brasileiro de futebol americano!

Mas nada é tão bom que não possa melhorar! Depois da vitória em 2013 veio à responsabilidade de se manter no topo. Primeiro o Paranaense, que foi conquistado de forma difícil, com vantagem de apenas um ponto contra o “novato” Paraná HP. Depois veio o nacional, que tinha uma grande quantidade de equipes do Nordeste e poucas
do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O motivo deste esvaziamento: o Torneio Touchdown – que concorria com o campeonato realizado pela CBFA – era “patrocinado” por uma empresa do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulinha, que prometia pagamentos altos para quem disputasse o seu campeonato (mas isso é assunto para outro artigo).

O Crocodiles venceu a sua Conferência novamente e chegava ao Brasil Bowl pela quinta vez. O adversário novamente era o João Pessoa Espectros, do quarterback Rodrigo Dantas (melhor do Brasil na época), mas dessa vez o Coxa jogava em casa, no bom e velho Couto Pereira.

Novamente o estádio encheu para ver o Crocodiles em um Brasil Bowl, porém, o torcedor Coxa que estava no estádio sofreu muito em um dos jogos mais emocionantes da história do esporte no Brasil.

Depois de abrir o placar o Crocodiles sucumbiu ao jogo dos paraibanos, chegando a estar perdendo por 17 a 3. A torcida silenciou no Couto, mas três jogadas foram fundamentais para o título.

Primeiro o Crocodiles recuperou a bola e conseguiu um touchdown, com Adan Rodrigues recebendo belo passe, quando faltavam menos de 6 minutos para o fim.

Com 17 a 10 no placar a torcida começou a incentivar, aos gritos de “eu acredito”. Veio o Espectros para o ataque, mas em uma falha, com menos de dois minutos para o fim, deu a chance que o Crocodiles precisava.

Com a posse da bola e na linha de 20 jardas, coube a Lucas Mullet correr para marcar o touchdown de empate, com menos de um minuto no relógio. Ali todos sabiam que o Crocodiles não perderia mais. PRORROGAÇÃO!

Pelas regras do FA Brasileiro a prorrogação é semelhante a do College americano. Cada time tem uma posse alternada próxima a end zone, linha de touchdown. E este é o maior momento do futebol americano paranaense: Rodrigo Dantas com a bola após o snap, e ele, MUITO pressionado pela defesa do Crocodiles, precisa lançar rápido, e, em uma jogada maravilhosa é interceptado por Fernando Alves, que segura à bola e praticamente consolida a vitória! O Crocodiles, depois de estar perdendo por 17 a 3 faltando 6 minutos para o fim precisa de “apenas” uma pontuação para vencer.

E ela veio através do Alexandre, full back da equipe, em uma foto que “viralizou” e que faz qualquer um que estava presente no Couto Pereira se emocionar só de vê-la. O Coritiba Crocodiles, dentro de casa, na maior virada do futebol americano brasileiro de todos os tempos, se tornava BICAMPEÃO BRASILEIRO!

E por toda esta história contada até agora vem o título deste artigo. O Coritiba Crocodiles se tornou sem nenhuma dúvida o maior campeão do Sul do Mundo, quando falamos em futebol americano!

Veio 2017 e o heptacampeonato. Dessa vez mais fácil que no ano anterior. O Paraná HP tinha uma campanha superior, mas não “durou” o primeiro quarto do Paraná Bowl VII, quando o Crocodiles abriu 14 pontos de vantagem.
Em busca do “tri-nacional”, o Coritiba Crocodiles colocou mais uma vez seu nome na história do futebol americano brasileiro, desta feita, na Arena Pantanal, como maior público da história do Brasil para o esporte. O adversário era seu algoz de outrora, Cuiabá Arsenal, na semifinal do campeonato brasileiro. Mas desta vez, para mais de 16
mil pessoas nas arquibancadas, o Crocodiles vencia e chegava a mais um Brasil Bowl (participou de todas as primeiras seis edições).

Foi justa a vitória do João Pessoa Espectros, nos últimos segundos, afinal, o time paraibano vinha de duas derrotas para o Crocodiles no Brasil Bowl. Jogo de gigantes e o Crocodiles saiu de cabeça erguida.

RENASCIMENTO:

Mas 2016 não foi muito bom para o Crocodiles. Primeiro veio sua primeira derrota em um Paraná Bowl, competição qual nunca havia perdido. Depois veio a derrota na final da Conferência Sul da Superliga Nacional para o Timbó Rex, que posteriormente venceria o Brasil Bowl. Aquilo começou a promover mudanças na equipe.

Veio 2017 e um revés ainda mais doloroso. Depois de fazer ótima campanha no Estadual, o Crocodiles perdeu na semifinal para o Brown Spiders e pela primeira vez na história ficava de fora de um Paraná Bowl. Aquilo acendeu a luz de alerta, e, atletas antigos começaram a assumir o comando técnico da equipe. O resultado foi uma grande evolução.

Veio o campeonato nacional unificado, e, em uma partida perfeita, o Crocodiles eliminou o até então campeão brasileiro e considerado a melhor equipe do país, Timbó Rex, dentro de sua casa. Na final da Conferência Sul, outro jogo longe e mais uma vitória, desta vez em cima do Santa Maria Soldiers. O Coritiba Crocodiles estava de volta!

Na semifinal enfrentou o Sada Cruzeiro Futebol Americano, que apoiado pela patrocinadora contratou alguns dos melhores jogadores do Brasil. No Couto Pereira o Crocodiles se impôs desde o primeiro quarto, mostrando que dinheiro não compra tradição.

A partida foi dramática, pois depois de abrir o placar com touchdown de Adan Rodriguez e marcar um field goal de Leonardo Rebello, o Crocodiles sofreu o empate no fim do jogo. A jogada derradeira e que trouxe a derrota ao Crocodiles foi em um fumble sofrido por Drew Banks, quarterback da equipe. A derrota foi dolorosa, mas para todos que assistiram foi a “final antecipada” do Brasil Bowl de 2017.

PARANÁ BOWL X:

O Coritiba Crocodiles se classificou em primeiro de sua divisão, com 100% de aproveitamento. O único touchdown sofrido foi para o Curitiba Lions, na primeira rodada. Depois vieram vitórias, até enfrentar o Brown Spiders na semifinal.

O tradicional jogo mostrou um Crocodiles muito forte, tanto o ataque, quanto na defesa e principalmente nos “times especiais”. O kicker Leonardo Rebello marcou um field goal de 53 jardas, pouco mais de 48 metros de distância da trave.

No final o Coritiba venceu por 40 a 11, se credenciando para o seu oitavo título.

Na equipe coxa-branca ainda permanecem alguns veteranos que fizeram história com a equipe, como os “selecionáveis” Rocha, Delmer Zoschke, Adan Rodriguez, Bruno Santucci (que ficou parado por mais de um ano devido a contusão), Cleverson Freitas, Henrique Pucca, Fernando Zimmer e mais tantos outros.

O quarterback norte-americano Drew Banks também chama a atenção, assim como Fernando Alves, Leonardo Tomadon, Guiné, Alexandre (que marcou o touchdown histórico em 2014) e Athos Daniel, ex-Brown Spiders e considerado um dos melhores recebedores desta nova geração.

SERVIÇO:

O Paraná Bowl X acontece no próximo domingo, 10 de junho no Complexo Esportivo Brown Spiders (Rua Suécia, 1042 – Tarumã). Além do jogo entre Paraná HP e Coritiba Crocodiles, o evento contará com food truks, apresentação das cheerleaders, música e a narração e comentários de dois profissionais da ESPN, Renan do Couto e Antony
Curti.

Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente a R$ 15,00 na IFriends Digital (Av. República Argentina, 955 cj 02 sobreloja), Venice Gastropub (Rua Dr. Lauro Wolff Valente 43 loja 2 – Portão) e New England Hamburgers & Beers (Rua Nilo Peçanha 99 – São Francisco), Sport America (Rua Augusto Stresser, 1501). Na hora outro preço.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook