Coritiba não conquista acesso para a Série A em 2018 e orçamento cai em 2019

Vinicius Cordeiro


O torcedor do Coritiba sofreu em 2018. O Alviverde não conseguiu o acesso à elite do futebol brasileiro, mesmo com o maior orçamento de R$ 35 milhões – o maior da Série B. O Goiás, que subiu em quarto lugar, tinha o segundo maior valor, de R$ 25 milhões. O resto dos times, inclusive o campeão Fortaleza, CSA e Avaí, que também subiram, tinham apenas R$ 6 milhões.

Além do abismo orçamentário, o Coxa deixou a desejar no comando e o presidente Samir Namur acabou correndo risco de sofrer impeachment. Depois da turbulência e vários movimentos nos bastidores do Alto da Glória, o dirigente eleito em dezembro de 2017 acumulou erros nesta temporada. O mais grave foi em relação ao futebol. Ele chegou a declarar, em sua campanha eleitoral, que uma derrota em clássico não o faria demitir o treinador escolhido por ele mesmo. Não foi o que aconteceu.

Coritiba foi campeão da Taça Dionísio Filho com Sandro Forner, mas o técnico não sobreviveu. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Com Sandro Forner no cargo de técnico, o Coritiba venceu a Taça Dionísio Filho, o primeiro turno do Paranaense 2018. Os resultados foram satisfatórios – quatro vitórias, três empates e uma derrota. Porém, o rendimento caiu de maneira brusca no segundo turno e o time colecionou quatro derrotas e apenas um triunfo, terminando na lanterna do Grupo A.

Na final do Estadual, venceu o rival Athletico por 1 a 0, com gol de falta do meia Julio Rusch, o destaque do time até então. Na volta, o Rubro-Negro aplicou 2 a 0 e acabou ficando com a faixa de campeão.

Forner não sobreviveu à primeira rodada da Série B e foi demitido com 43% de aproveitamento após 20 jogos. Todo o projeto de ter utilizado as categorias de base do clube foi jogado fora.

Eduardo Baptista não teve sucesso no Coritiba. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Para seu lugar, Eduardo Baptista foi contratado e também não deu os resultados esperados. Nesse período, o volante Simião e o atacante Alecsandro ainda foram afastados do elenco principal, mas pouca coisa mudou de fato. O aproveitamento foi de 48,14% – seis triunfos, oito empates e quatro derrotas em 18 duelos. Curiosamente, a demissão dele resulta também nos desligamentos de Augusto de Oliveira e Pereira, diretor e gerente de futebol, respectivamente.

A reformulação deixou o departamento de futebol em aberto por três meses. Entre Forner e Baptista, o ex-meia Tcheco foi o responsável por assumir, interinamente, a equipe. Nos oito jogos, ele somou três vitórias, um empate e quatro derrotas, totalizando um aproveitamento de 41,66%. Tcheco foi importante: declarou que o Coxa precisava de um profissional para gerir o futebol e assimilava o perigo do time lutar contra o rebaixamento para a Série C.

Tcheco não conseguiu convencer a diretoria alviverde. Foto: Divulgação Coritiba

A diretoria procurou o velho ‘fator novo’ e encontrou Argel Fucks. O treinador de 44 anos acabou o ano agradando os dirigentes coxa-brancas, mas acabou com o aproveitamento parecido ao de Eduardo Baptista (48,48%). Argel admitiu que faltava qualidade ao elenco.

Argel seguirá como treinador do Coxa em 2019.
Foto: Geraldo Bubniak/AGB

No ano inteiro, apenas dois jogadores se destacaram: Wilson e o atacante Guilherme Parede, artilheiro alviverde no ano com 12 gols. Aos 34 anos, o goleiro capitão alviverde terminou a temporada com cinco bolas nas redes, o terceiro maior goleador do time. Pode parecer brincadeira, mas chegou ao ponto da torcida ter mais esperanças de Wilson marcar do que os próprios atacantes.

Os números são resultados de uma série de fatores: o time não encaixou em nenhum momento. Faltou um meio campo consistente e mais criativo para favorecer o sistema ofensivo. De quebra, as atuações afastaram o torcedor do Couto Pereira. Na vitória contra o Goiás, pela 36ª rodada, apenas 1.129 torcedores estiveram no estádio alviverde – o pior público da temporada.

Na última rodada, 0 Coxa venceu o campeão Fortaleza por 1 a 0 com um público de 1.567 pagantes. No time titular, Argel improvisou o atacante Pablo na lateral direita e foi ele quem cruzou para Alecsandro marcar o gol do triunfo, de cabeça. Após a partida, o treinador revelou que utilizou o jogador pelo setor por ele ter o melhor cruzamento do elenco e que falou para Pablo mudar definitivamente sua posição.

Contratado no início do ano, Pablo é um bom retrato dos erros de contratação do Coxa. É um atacante, mas vive uma fase ruim que insiste em permanecer. Aos 26 anos, ele não faz gol desde o dia 10 de novembro de 2015. No dia 31 de dezembro, ele completará 1.146 dias sem balançar as redes.

2019

Rodrigo Pastana é o responsável pelo departamento de futebol do Coritiba. Foto: Geraldo Bubniak – AGB
Ainda em novembro, o presidente Samir Namur apostou na experiência de Rodrigo Pastana, um dos responsáveis pelo acesso do Paraná em 2017 depois do clube amargar uma década na Segundona. Já que a cota de televisão será de R$ 6 milhões para o Alviverde, não haverá margem para erros.
Até agora, o clube do Alto da Glória só confirmou um reforço: o lateral Felipe Mattioni, de 30 anos. Ex-Juventude, ele teve passagens por Boa Esporte, Veranópolis, Grêmio e também na Europa, onde esteve no Milan, da Itália, Everton, da Inglaterra, além de Mallorca e Espanyol, da Espanha.
O lateral Conrado, do Oeste, o meia Alan Mineiro, do Vila Nova, e o atacante Elton, do Figueirense, também interessam e estão em processo de negociação. Por outro lado, o lateral Leandro Silva acertou sua ida ao América-MG e o meia Alisson Farias está próximo de fechar com o Sport.
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