Polícia aguarda documentos para investigar caso de estelionato em jogo do Corinthians

Victor Duarte Faria

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A PC-PR (Polícia Civil do Paraná) aguarda a chegada de documentos vindos do Mato Grosso do Sul para começar a investigar uma denúncia de estelionato relacionada ao amistoso entre Corinthians e Londrina, realizado no dia 7 de julho, no Estádio Regional Willie Davids, em Maringá (PR). A empresa que aparece na documentação do jogo — Bianchi & Cia. — alega ter sido usada de maneira ilegal por um dos organizadores da partida, Fabiano Ribeiro Rodrigues. Por isso, a empresa registrou um B.O. (Boletim de Ocorrência) para que a polícia apure os fatos.

A Delegacia de Estelionato e Acidentes de Trânsito de Maringá, entretanto, ainda aguarda a documentação do caso chegar de Campo Grande (MS), onde o BO foi registrado. Com o material em mãos, os agentes devem investigar a denúncia sobre estelionato e falsidade ideológica. A expectativa é que todos os documentos cheguem ao município do noroeste paranaense na semana que vem.

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Aluguel do estádio foi realizado em nome da empresa Bianchi & Cia. (Reprodução/Arquivo Pessoal)

A empresária Sandra Bianchi, proprietária da Show Business Travel (nome fantasia de Bianchi & Cia), destacou que conhece Rodrigues desde a infância e que tinha relações profissionais e de amizade com o empresário que atua na área de eventos, sobretudo na venda de passagens aéreas para espetáculos musicais.

“Eu comecei a tomar notificações da prefeitura de Maringá para pagar taxas e impostos, mas eu nunca estive em Maringá e nunca fiz serviços para a cidade. Conversei com os auditores e eles me disseram que a locação do estádio da cidade estava no meu nome. Expliquei que eu não tinha feito absolutamente nada, mas não me escutaram. Foi quando decidi fazer o B.O. e fazer a aferição das assinaturas, porque eu tenho certeza que não assinei nada”, destacou a empresária, em entrevista ao Paraná Portal.

O chefe de gabinete da Prefeitura de Maringá, Domingos Trevisan, destacou que a empresa fez um requerimento solicitando a utilização do Willie Davids. A prefeitura de Maringá encaminhou o valor padrão de cessão do espaço, que é de R$ 3.399 e recebeu a contra proposta de receber cinco toneladas de alimentos.

“Fizemos as contas e seria muito mais vantajoso receber os alimentos e repassar para o Provopar. O acordo foi de 5 mil quilos, mas acredito que arrecadamos quase 7 mil quilos porque, além dos pontos de venda fixo dos ingressos, ainda houve arrecadação na porta do estádio. Nós da prefeitura aguardamos, inclusive, garantias do empresário e só fechamos o acordo quando foi publicado nas agendas oficiais dos sites de Corinthians e Londrina que o jogo seria realizado em Maringá”, explicou ao Paraná Portal.

Segundo Trevisan houve ainda uma diferença na arrecadação de ISS que deveria ter sido colhida um dia antes do jogo. Como o valor não foi pago, a prefeitura notificou a empresa que respondia pela documentação da partida: Bianchi & Cia. O chefe de gabinete destaca que, como o evento de fato ocorreu, o valor deveria ser pago de qualquer forma.

“Eu vi uma movimentação de um pessoal que, inclusive, disse que já tinha o dinheiro separado. O valor do ISS é de aproximadamente R$ 20 mil e que, como não foi pago por aqui, foi cobrado para a empresa que estava registrada. A prefeitura não abre mão dessa verba que lhe é devida”, disse.

Sandra Bianchi ressaltou que, após a aferição das assinaturas, vai entrar com um processo de danos morais contra a Prefeitura de Maringá pois, a administração da cidade aceitou documentos dela sem nenhum tipo de procuração ou validação e agora faz cobranças que, no ponto de vista dela, são indevidas.

A prefeitura de Maringá disse que, de acordo com a nova legislação referente à desburocratização, não é mais necessário cobrar reconhecimento de firma ou qualquer outra documentação para esse tipo de negociação.

“Tem contrato social da empresa dela, cópia da identidade e uma série de outros documentos. Tem tudo. Pela lei da desburocratização, sancionada pelo presidente Bolsonaro, não somos mais obrigados a exigir reconhecimento de firma de nenhuma empresa. Vale o que está ali e foi entregue. Se outra pessoa usou de má-fé, que responda por isso. Eu tenho toda a documentação da empresa dela que esse rapaz entregou”, afirmou Trevisan ao Paraná Portal.

OUTRO LADO

O outro empresário envolvido no caso, Saulo Sérgio Magalhães Batista, disse que recebeu com surpresa a denúncia. Apesar de ter sido ele o intermediário entre a FPF (Federação Paranaense de Futebol) e a Show Business Travel, ele destaca que ficou responsável apenas com a parte técnica de alocação dos clubes.

“Eu fiquei responsável apenas pela logística dos clubes, como hotel e horários. O Fabiano cuidou de toda a parte comercial, divulgação e mídias em geral. Não tenho nada a ver com o que foi tratado entre o Fabiano e a dona da empresa”, ressaltou.

Procurado pela reportagem, Fabiano não respondeu às mensagens enviadas e tampouco respondeu ou retornou as ligações.

O QUE DIZEM OS CLUBES

Como a partida estava sob responsabilidade de terceiros, nenhuma das duas equipes teve participação na venda de ingressos, havendo apenas um cachê acordado antes da realização da partida. O Londrina publicou uma nota oficial para explicar a situação:

“No evento realizado no Estádio Willie Davids, em Maringá, nossa equipa principal foi a convidada da partida. O mando de campo não foi da nossa equipe alviceleste. Nosso torcedor ficou no setor visitante (…). Assim como à ocasião do jogo contra a equipe paulista, relembramos que a partida em questão foi organizada por investidores. Tais investidores inclusive ficaram à cargo da administração da renda do jogo. Em nenhum momento, o LEC [Londrina Esporte Clube] atuou nessa demanda”.

A equipe do Corinthians disse que não iria se manifestar sobre o caso. Apesar disso, a assessoria do clube disse ao UOL Esportes que Fabiano havia pago o cachê do clube antes da partida. Em 2014, o mesmo empresário havia prometido o pagamento de R$ 750 mil ao clube paulistano, em um jogo na Arena Pantanal (em Cuiabá) e quitou apenas 25% do que havia sido acordado, o que acarretou uma briga judicial entre eles.

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