Ex-distribuidor de cartas fatura R$ 780 mil na primeira etapa do Mundial de Poker no Brasil

Francielly Azevedo


Desembarcou nesta quinta-feira, em Curitiba, Rafael Francisquetti, trazendo na bagagem o troféu da etapa brasileira do WPT (World Poker Tour), conquistado na véspera, em Balneário Camboriú – SC. O curitibano de apenas 20 anos desbancou outros 3.385 jogadores para sagrar-se campeão da primeira etapa do WPT realizada na América Latina e, de quebra, faturou o prêmio de R$ 781 mil, depois de três dias de disputas.

“Não tenho palavras. A ficha não caiu. Não tenho o que falar, torneio em nível mundial, sempre quis isso na minha vida como jogador de poker. Estou voltando para Curitiba e daí que vou ver como será a repercussão, porque ainda não sei o que me espera”, declarou.

Envolvido com o poker desde os 14 anos mas jogando profissionalmente apenas a partir de 2017, o novo campeão disse que entrou no torneio sem grandes pretensões, mas foi sentindo o jogo encaixar ao longo da disputa. Entrei com o objetivo de pegar ITM (in the Money – expressão para a zona de premiação de um torneio). Todo jogador entra com esse objetivo, “salvar o torneio”, para recuperar o investimento da inscrição. Depois, começamos a visar chegar no dia 3 e chegamos com tranquilidade. Achei que dava pra chegar quando foi afunilando e, eu bem, e me sentindo confortável jogando no meio de um monte de jogador de alto nível, mantendo o foco e a concentração. O jogo estava encaixando”, disse, citando que a confiança era tanta que ligou para seus amigos e mandou que fossem a Balneário Camboriú acompanhar o dia final, bancados por ele. “E a torcida foi fundamental. Eles me empurraram para essa cravada, botaram pressão nos adversários”, disse

Vivendo do poker

Apesar de ser o esporte que mais cresce em número de participantes no mundo, o privilégio de viver do poker ainda é para poucos. A maioria dos jogadores alia o esporte a suas outras carreiras. Não é o caso de Franciquetti. Mesmo antes de se tornar atleta profissional (especializado nas competições online), neste ano, ele já tinha o poker como atividade principal: foi, por dois anos, dealer do Espaço Poker Curitiba, um dos principais clubes do esporte em Curitiba, onde despertou seu interesse pelo jogo, teve suas primeiras lições e descobriu seu talento.

“Com 14 anos, um amigo me apresentou o poker. Começamos a estudar juntos, escondidos e jogar entre a gente. Quando terminei meus estudos, comecei a trabalhar no Espaço Poker e aí conheci esse mundo de verdade, conheci muita gente e ali ficou claro que era isso que queria para minha vida”, disse. Há pouco mais de um mês, ele deixou a profissão de dealer e ingressou em um time de poker, o The House Poker Team. “E o resultado já apareceu”.

O jogador promete usar parte do prêmio para aprimorar ainda mais seu estilo de jogo. “Vou investir em mim, no meu jogo, no aprendizado no poker e também investir na minha família, e ficar junto com meu time, jogando e aprendendo sempre mais. Esse foi apenas o meu primeiro grande prêmio”.

Quem vai encarar?

Uma das características mais marcantes do poker é a possibilidade de jogadores amadores disputarem os mesmos torneios que os profissionais e, até, vencê-los. E quem quiser carimbar o troféu de Francisquetti tem uma oportunidade já na próxima semana. Ele jogará, em casa, o torneio EPO 300K, do Espaço Poker Curitiba, que começa dia 9 de setembro e distribuirá mais de R$ 300 mil em prêmios. “Estou indo para Foz do Iguaçu, disputar o BSOP (Brasilian Series of Poker) e, na volta, vou jogar o EPO 300k. Quem quiser me desafiar, está convidado. Vamos para o pano”.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.