Fifa busca solução para Brasil x Argentina, mas datas e Europa são entraves

Folhapress

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Após a suspensão do confronto entre Brasil e Argentina no último domingo (5), válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, em São Paulo, a Fifa estuda uma solução para o duelo entre a líder e a vice-líder do classificatório sul-americano para o Mundial. A saída buscada pela entidade deverá ser diplomática.

A tendência é que a Fifa remarque o jogo e faça com que os pontos sejam decididos em campo. Com isso, desestimularia a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Associação do Futebol Argentino (AFA) de judicializarem o caso, levando a decisão sobre a partida aos tribunais.

Dessa forma, asseguraria um caminho de paz a duas das camisas mais pesadas do futebol para que se classifiquem sem qualquer tipo de interferência à Copa do Mundo no Catar. O time verde e amarelo lidera com 21 pontos, e os alvicelestes têm 15 na segunda colocação.

O Comitê Disciplinar da Fifa instaurou um processo e solicitou, nesta segunda (6), que a CBF e a AFA apresentem, no prazo de seis dias, um relatório com suas respectivas versões e informações sobre os fatos que levaram à suspensão da partida.

Entretanto, o plano de remarcação do jogo encontra alguns entraves, como o calendário apertado e a resistência de clubes europeus para a liberação dos seus atletas às seleções.

Com os adiamentos de jogos das Eliminatórias em 2020 em razão da pandemia, a Fifa precisou remanejar as datas e agendou para os meses de setembro e outubro deste ano rodadas triplas da competição. A próxima rodada dupla será apenas em novembro.

A previsão estipulada no calendário é concluir as Eliminatórias em março do ano que vem. A Copa do Mundo será disputada entre 21 de novembro e 18 de novembro de 2022.

A liberação para as três partidas das Eliminatórias abalou a relação de alguns clubes europeus, especialmente os da Inglaterra, com as confederações nacionais sul-americanas.

O técnico Tite convocou para esta data Fifa nove jogadores que atuam na Premier League, mas eles foram barrados por suas equipes. Já Lionel Scaloni, treinador da Argentina, pôde contar com quatro atletas que jogam no futebol inglês, mas somente na vitória contra a Venezuela. Após a suspensão do clássico com o Brasil, os quatro voltaram aos seus clubes e não enfrentarão a Bolívia, na quinta (9).

Argentina e Brasil estão na lista vermelha criada pelo governo britânico para especificar os países em pior situação no controle da pandemia. Quem passa por esses territórios deve cumprir uma quarentena de dez dias ao desembarcar no Reino Unido, período que tiraria esses jogadores de ação por mais algumas rodadas da Premier League além das que já perderam enquanto defendiam suas seleções.

“O que aconteceu no Brasil x Argentina foi uma das coisas mais extraordinárias que eu vi no futebol em toda a minha vida. É uma bagunça”, afirmou Christian Purslow, CEO do Aston Villa (ING), clube da primeira divisão inglesa que cedeu o goleiro Emiliano Martínez e o meia Emiliano Buendia à seleção argentina.

“Já tivemos uma dificuldade significativa com os jogos das Eliminatórias sul-americanas, portanto entre este mês e outubro espero por um acordo sensato porque ninguém quer ver uma repetição do que aconteceu. Isso faria com que qualquer executivo de clube se sentisse incrivelmente nervoso sobre a liberação de jogadores ao exterior em meio a esta crise”, completou Purslow.

A Fifa obriga que os clubes liberem seus jogadores para datas oficiais (como as Eliminatórias). Com a pandemia, o Conselho de Ética da federação internacional criou exceções por razões sanitárias, como casos de quarentena no retorno de atletas ao país em que atuam por seus clubes.

Em nota à imprensa na segunda-feira, a Fifa disse que irá analisar os relatórios oficiais do confronto entre Brasil e Argentina para realizar uma investigação e antecipou que o procedimento não deverá ter uma resolução ágil.

Gianni Infantino, presidente da entidade que comanda o futebol, classificou o episódio de domingo na Neo Química Arena como “uma loucura” e pediu solidariedade aos clubes e aos governantes diante da crise do coronavírus.

Todos viram o que aconteceu na partida entre Brasil e Argentina, as duas equipes sul-americanas mais gloriosas. Alguns oficiais e a polícia entraram em campo e tiraram jogadores do campo”, afirmou o dirigente, durante reunião da Associação Europeia dos Clubes, na segunda-feira (6). “Isso é uma loucura, mas temos que lidar com esses desafios que se somam com a crise do coronavírus.”

O duelo entre Brasil e Argentina foi interrompido aos 6 minutos do primeiro tempo, depois que agentes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) entraram em campo para ordenar a retirada de quatro atletas argentinos que teriam descumprido normas sanitárias de quarentena ao entrarem no país.

São eles o goleiro Emiliano Martínez, os meias Emiliano Buendia e Giovani Lo Celso e o zagueiro Cristian Romero. Todos atuam em clubes da Premier League.

Após a interrupção do jogo, com os jogadores alvicelestes ainda no vestiário, a Conmebol anunciou a suspensão do duelo.

Imediatamente, a Conmebol informou que cabe à Fifa conduzir o caso. A federação internacional é a responsável pelo torneio, enquanto a confederação sul-americana se responsabiliza apenas pela organização do jogo.

Com base nos relatos do árbitro venezuelano Jesus Valenzuela, a Comissão de Disciplina da Fifa poderá decidir se houve WO por parte dos argentinos, que deixaram o gramado com a presença dos agentes da Anvisa, ou se a partida teve que ser suspensa em razão de “força maior” e, por isso, remarcá-la.

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