Paraná tem ano para esquecer, Operário faz história e Londrina bate na trave outra vez

Vinicius Cordeiro


Em divisões diferentes, Paraná, Operário e Londrina fizeram campanhas distintas em 2018, mas vão se encontrar na Série B de 2019. O Tricolor nem chegou a brigar pela permanência na Série A e foi rebaixado com seis rodadas de antecedência. Já o Tubarão chegou perto do acesso à elite do futebol brasileiro, enquanto o Fantasma se sagrou campeão da Série C.

Confira a retrospectiva do ano de cada um dos clubes:

Ano para esquecer

Sem chegar perto de disputar as finais do Campeonato Paranaense e eliminado pelo Sampaio Corrêa na Copa do Brasil, o Paraná tinha como meta lutar pela permanência na Série A. Entretanto, fez uma das piores campanhas da história do Brasileirão. Em 38 jogos, perdeu 23, empatou 11 e venceu apenas quatro partidas. A diferença técnica para os outros 19 clubes foi tão grande que o time paranista quebrou diversos recordes negativos.

O principal deles foi a maior sequência sem triunfos: foram 18 jogos sem vencer – o maior jejum da história do Brasileirão. Curiosamente, o América-MG foi o único freguês paranista, perdendo as duas partidas por 1 a 0. Os mineiros perderam no primeiro turno na Vila Capanema, mais precisamente no dia 22 de julho. Já o returno, o Coelho foi derrotado dentro da Arena Independência no dia 10 de novembro. Ou seja, foram 111 dias sem sentir o sabor de uma vitória.

Com o péssimo desempenho da equipe, a torcida paranista se distanciou e registrou quatro dos cinco piores públicos do Brasileirão. O pior deles foi no empate por 1 a 1 com o Vitória, quando apenas 931 pagantes estiveram no estádio. Já 1.140 pessoas viram o time perder para o Atlético Mineiro por 1 a 0, enquanto 2.228 pagantes foram ao estádio se despedir da Série A no empate por 1 a 1 com o Internacional. Por fim, o quinto pior público (2.239 pagantes) estiveram presentes em mais um empate por 1 a 1, desta vez contra a Chapecoense.

Com a torcida desanimada, a partida contra o Vitória registrou o pior público da Série A. Foto: Geraldo Bubniak /AGB
Os erros da diretoria e do diretor de futebol, Rodrigo Pastana, foram notórios. Empatado com o Sport, o sistema defensivo foi o segundo pior do torneio nacional – foram 57 gols tomados. Apenas o Vitória, com 63, superou.
No meio campo foi quem apareceu o único destaque do time. Aos 18 anos, Jhonny Lucas ganhou suas primeiras chances e assumiu o status de titular apenas no final do ano, depois de ter sido chamado por Tite para treinar com a seleção brasileira principal. Apesar de ter se firmado, ele deve ser vendido nesta janela de transferências para ajudar nos cofres do clube.
Jhonny Lucas jogou em todas as posições do meio campo e marcou dois gols no Brasileirão 2018. Foto: Geraldo Bubniak /AGB
No ataque, todas as apostas deram errado. Dos que tinham maior potencial, os meias Nadson, Caio Henrique e Maicosuel pouco fizeram, assim como o atacante Carlos. Já Silvinho, que era o jogador mais batalhador do sistema ofensivo, acabou o ano sendo muito cobrado pela torcida.
Para se ter noção, o artilheiro do ano tricolor foi Diego Gonçalves. Ele marcou quatro gols no Campeonato Paranaense e se despediu do clube em abril. No Brasileirão, foram 18 gols em 38 jogos. Na média, o Paraná precisou de dois jogos e mais 10 minutos da terceira partida para marcar um gol.
Os treinadores também não conseguiram nem esboçar qualquer reação ao longo do torneio nacional. Em fevereiro, Wagner Lopes foi demitido por não ter levado o time à semifinal da Taça Dionísio Filho, o primeiro turno do Campeonato Paranaense. Ele se despediu do clube com um aproveitamento de 28,6%, somando três empates e três derrotas.

Para o seu lugar, o campeão olímpico Rogério Micale foi contratado. O time evoluiu, mas os resultados não foram suficientes para deixar o Paraná vivo na luta contra o rebaixamento. Em 24 confrontos, foram sete vitórias, sete empates e 10 derrotas, resultando um aproveitamento de 38,8%.

Técnico Rogério Micale foi quem mais comandou o Paraná nesta temporada, mas não conseguiu ter bons resultados. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Depois de Micale, Claudinei Oliveira amargou péssimos resultados. Seu aproveitamento foi o pior de todos os colegas de profissão. Em 11 partidas, empatou três e perdeu oito – 9% de aproveitamento. Quando chegou, Claudinei se dizia acreditar na recuperação paranista, mas saiu por aceitar oferta da Chapecoense. No final das contas, ele acabou salvando o time catarinense.

Por fim, Dado Cavalcanti foi o responsável por assumir o fim da tragédia. Em uma postura muito honesta, cravou o rebaixamento do clube e declarou que assumiria funções para planejar o 2019 do Paraná na Série B. Ele fez questão de utilizar jogadores das categorias de base e trabalha ao lado de Mário André Mazzuco, executivo de futebol, para que o clube retorne à elite do futebol brasileiro.

Dado Cavalcanti já planeja o 2019 do Tricolor. Foto: Geraldo Bubniak /AGB.Operário campeão

 

 

Fantasma campeão

Athletico e Operário foram os grandes destaques do futebol paranaense em 2018. O Fantasma de Ponta Grossa disputou a Divisão de Acesso do Estadual e acabou erguendo a taça para confirmar sua presença na elite em 2019.

O time alvinegro não perdeu dentro de casa nesse ano. Em 21 jogos dentro do Germano Kruger, foram 16 triunfos e cinco empates. Uma das igualdades foi justamente na final da Série C, quando o Operário ficou no 3 a 3 com o Cuiabá.

Operário se sagrou campeão da Série C. Foto: José Tramontin/OFEC

Na grande decisão, realizada em Mato Grosso, o goleiro Simião gravou seu nome na história do clube. Ele fez defesas excepcionais após o gol do atacante Bruno Batata e garantiu o 1 a 0 no placar, dando o título ao time ponta-grossense.

O troféu selou várias histórias do Fantasma. Além dos heróis, o Operário é o primeiro clube do Brasil a se sagrar campeão das Séries D e C em seguida. Segundo, o título coloca o clube na Série B após 28 anos. Desde 1991, o time não disputa a Segundona.

Bruno Batata (centro) comemora o gol do título da Série C. Foto: José Tramontin/OFEC

Isso tudo graças ao comando de Gérson Gusmão. O treinador de 44 anos está no cargo desde 23 de março de 2016. E, em conjunto com a diretoria, planeja mais conquistas para o Operário. O clube já está fazendo a pré-temporada desde o dia 19 de novembro e sonha com uma ótima participação no Campeonato Paranaense e o acesso para a Série A do Brasileirão.

Londrina e a saga para a Série A

Por mais um ano, o Londrina ficou perto de ficar entre os quatro primeiros da Série B. O time deu uma arrancada na segunda parte da competição, mas acabou perdendo nas partidas decisivas contra o CRB e Guarani.

Os 55 pontos conquistados e oitavo lugar da Segundona refletem o trabalho regular que o Tubarão vem fazendo nos últimos anos. Em 2016, o time londrinense ficou em sexto lugar – três pontos atrás do Bahia, que subiu para a Série A. Já em 2017, o LEC ficou na quinta posição, ficando dois pontos atrás do Paraná. Já nesse ano, foram cinco pontos de distância para o Goiás, quarto colocado. A presença do clube na luta pela elite do futebol brasileiro nos últimos anos já coloca o clube como forte candidato para 2019.

Dagoberto foi o artilheiro da Série B. Foto: Gustavo Oliveira/LEC

O destaque de 2018 foi o atacante Dagoberto. Pentacampeão brasileiro, o jogador de 35 anos se tornou a sensação do time comandado por Roberto Fonseca. Ele atuou em 19 jogos, metade do torneio nacional, mas mesmo assim conseguiu marcar 17 gols e ser o artilheiro da Segundona.

Importante na temporada, Dagoberto ainda não definiu se permanecerá no Café, mas o Londrina elaborou um projeto diferenciado para contar com o atleta na próxima temporada.

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