Golpe de Bate-Estaca é legal, mas médicos apontam até risco de tetraplegia

Jéssica "Bate-Estaca" Andrade se consagrou no último final de semana ao conquistar no Rio de Janeiro o cinturão do peso ..

Folhapress - 15 de maio de 2019, 11:48

Foto: Divulgação UFC Brasil / Twitter
Foto: Divulgação UFC Brasil / Twitter

Jéssica "Bate-Estaca" Andrade se consagrou no último final de semana ao conquistar no Rio de Janeiro o cinturão do peso palha feminino do UFC. Na edição carioca do evento, a brasileira derrotou a norte-americana Rose Namajunas por nocaute no segundo round, graças ao golpe que rendeu seu apelido: levantou a adversária e a atirou de cabeça contra o chão.

A violência do "bate-estaca" provocou debates. Na segunda-feira (13), em entrevista à apresentadora Ana Maria Braga na Rede Globo, Jéssica disse que já foi inclusive excluída de campeonatos de jiu-jitsu pelo uso do movimento. "Em uma das minhas primeiras competições de jiu-jitsu, eu peguei uma menina que era mais pesada do que eu e fiz isso, mas acabei desclassificada", explicou.

A reportagem do UOL Esporte então procurou a Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA). Segundo Cristiano Sampaio, CEO da entidade, não há qualquer irregularidade no golpe de Jéssica Bate-Estaca em Rose Namajunas. Fora da modalidade, no entanto, médicos especialistas em lesões na coluna veem a ação com extrema preocupação.

"Isso está nas Regras Unificadas. Foi legal", resumiu Sampaio, favorável à manutenção do golpe na modalidade. A posição contrária à de Pedro Pohl, 37 anos, ortopedista especialista em lesões na coluna.

"A melhor comparação seria com um mergulho de cabeça em água rasa. Muita gente faz isso e pode ter um trauma medular. Ela ", comentou.

"VOCÊ APRENDE A CAIR"

O ortopedista Pedro Pohl não tem relação com o esporte, mas apontou como o bate-estaca pode resultar em uma grave lesão -no caso de Rose Namajunas, não passou de um susto. O golpe, entretanto, é defendido por Gilliard Paraná, técnico da brasileira campeã e que justifica a imagem assustadora a um erro da rival superada no Rio de Janeiro.

"Aprender a cair é uma das coisas que a gente aprende no começo da jornada na arte marcial. De repente, o que ela treinou no começo da carreira de boxe, ela esqueceu de treinar nessa parte de defesa de queda e de caída (no solo). Acho que é um golpe que deve ser permitido, sim", opinou, em conversa com a reportagem do UOL Esporte.

"Foi um erro brutal da Rose. Aquilo não é jiu-jitsu, é MMA -e está na regra que o bate-estaca é válido. Quando a Jéssica tentou (aplicar o golpe) pela primeira vez, a Rose deu uma travada, já que ainda estava com força e tentou sair para o braço. Legal, méritos dela. No segundo round, ela não estava com a mesma força para segurar o ímpeto da Jéssica", concluiu o treinador.